segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Resenha: Tartarugas Até Lá Embaixo

“Eu estava começando a entender que a vida é uma história que contam sobre nós, não uma história que escolhemos contar. A gente finge ser o autor, claro. Não tem outro jeito. Quando as entidades superiores fazem tocar aquele sinal monótono exatamente às 12h37, você pensa: Agora eu decido ir almoçar, mas na verdade é o sinal que decide. A gente acha que é o pintor, mas é a tela”.

Sinopse: “Aza Holmes não está disposta a sair por aí bancando a detetive para solucionar o mistério do desaparecimento do bilionário Russell Pickett, mas há uma recompensa de cem mil dólares em jogo, e sua melhor amiga, a destemida Daisy, quer muito botar a mão nesse dinheiro. Assim, as duas vão atrás do único contato que têm em comum com o magnata: o filho dele, Davis. Aza está tentando. Tenta ser uma boa filha, uma boa amiga e uma boa aluna, mas, aos dezesseis anos, ainda não encontrou um modo de lidar com as terríveis espirais de pensamento que se afunilam cada vez mais e ameaçam aprisioná-la. Neste livro arrebatador e sensível sobre amor, resiliência e o poder de uma amizade duradoura, John Green conta a tocante história de Aza, lembrando que a vida sempre continua e que muitas surpresas nos aguardam pelo caminho”. 

Título: Tartarugas Até Lá Embaixo.
Autor: John Green.
Páginas: 272 páginas.
Editora: Intrínseca.
ISBN: 978-85-510-0200-1.
 
“Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu”. 

Algumas Impressões 

Faziam seis anos desde o último lançamento de John Green, autor que já vendeu mais de 4,5 milhões de títulos no Brasil, e, anunciado em agosto deste ano, “Tartarugas Até Lá Embaixo” (“Turtles All The Way Down”, no original em inglês), chegou às livrarias no início do último mês, publicado por aqui pela Editora Intrínseca. Na trama, somos apresentados à história de Aza Holmes, uma jovem de dezesseis anos que vê o mundo sob lentes peculiares, imersa em terríveis espirais de pensamento que constantemente se afunilam e ameaçam aprisioná-la. Quando um bilionário desaparece e uma recompensa é oferecida em troca de informações que possam apontar seu paradeiro, ela e sua amiga Daisy, uma talentosa e determinada escritora de fan fictions de Star Wars, saem em busca de pistas para garantir o dinheiro, começando pelo único elo que possuem com o desaparecido: seu filho, Davis. Numa narrativa tocante representada através da voz de Aza, este é um enredo sobre amizades duradouras, amor e reencontros inesperados, mas também sobre a realidade de alguém que luta constantemente consigo mesma, tentando instaurar a normalidade em uma mente que vive no caos, além de um retrato absolutamente íntimo de uma jovem que possui um Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Em uma entrevista ao Entertainment Weekly, John Green declarou que trabalha no projeto já há alguns anos, e que estava animado para que os leitores finalmente conhecessem a história, afinal, apesar de se tratar de um enredo totalmente fictício, “Tartarugas Até Lá Embaixo” possui vários elementos da própria vida do autor, como o TOC, com o qual conviveu por muitos anos. 
 
“Às vezes tenho esses pensamentos que a dra. Karen Singh chama de “intrusivos”. Na primeira vez que ela mencionou esse termo, eu entendi “invasores”, o que na verdade é bem mais apropriado, porque, assim como as ervas daninhas e toda a categoria de plantas invasoras, esses pensamentos parecem chegar à minha biosfera vindos de alguma terra muito distante e ali se instalarem, multiplicando-se sem controle”. 

Eu estava extremamente ansiosa para fazer esta leitura, em parte por conta dos assuntos abordados e da atmosfera prometida, mas também por querer que o autor me surpreendesse através do desfecho, uma vez que alguns de seus outros títulos me desapontaram exatamente nesta parte (como no caso de “Quem é Você, Alasca? ” e “Cidades de Papel”). E devo dizer que sua nova obra em nada me decepcionou. Em suma, apesar de ser uma história ficcional, é também muito pessoal, e reserva momentos emocionantes de aprendizado sobre esta doença mental que afeta mais pessoas do que podemos imaginar. Mas, para além disso, é uma aventura de descoberta e investigação, que aborda a forma como enxergamos o mundo e a nós mesmos, e como uma amizade pode nos conduzir a um porto seguro mesmo que tudo o mais não esteja em terra firme. Aza é uma garota extremamente inteligente e dedicada, e é natural se identificar com as inseguranças e incertezas da personagem, mesmo que você nem de longe passe pelo que ela passa. Com uma construção profunda e um ritmo fluído, o livro se torna uma leitura rápida e reflexiva, e, quando você menos espera, já chegou ao fim de suas quase trezentas páginas. Gostei muito dos demais personagens além de nossa protagonista, e o mais interessante sobre esta construção narrativa é que eles não são apenas um suporte para a história de Aza (como em diversas outras tramas), mas indivíduos complexos à sua maneira, cada um com uma questão intrínseca a contribuir para com a discussão da narrativa. “Mais do que os olhos podem ver”, é uma expressão que identifica perfeitamente este livro, e a leitura é mais do que recomendada – seja você um apaixonado leitor de John Green, alguém que eventualmente se decepcionou com algum enredo dele, ou que apenas busca um livro que faz pensar sobre quem somos, para onde vamos e o que estamos fazendo neste mundo. 

Sobre a Intrínseca
Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.



4 comentários:

  1. Oi Lettícia, eu recebi o livro, mas ainda não tive a oportunidade de ler. Estou animada, apesar de não ser super fã de YA. Depois eu conto lá no blog o que eu achei, gostei muito da sua resenha. Um beijo! :*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ei! O livro é um amor, gostei bastante da temática e da forma como o autor construiu a narrativa. Um beijo!

      Excluir
  2. Quero muito ler o livro. Como boa fã de carteirinha do autor, tenho grandes expectativas quanto ao enredo e espero que seja uma história super ♥♥ Acho muito bacana que o Green tenha se colocado em parte no enredo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu também estava cheia de expectativa quanto ao enredo, e me surpreendi com a história. É uma narrativa pessoal e que aborda bons temas, apesar do familiar cenário YA, sabe? Gostei bastante! Um beijo <3

      Excluir