Fleur de Lune

Resenha: O Herói Improvável da Sala 13B

segunda-feira, 26 de setembro de 2016


“O garoto inspirou enquanto a porta se abria. Era como se soubesse. A garota entrou na sala e, no intervalo de um batimento cardíaco, ele estava perdido. A garota caminhou na direção do semicírculo de cadeiras, sem exatamente sorrir mas também sem hesitar. Era mais velha, com certeza. Provavelmente. Então era inútil, óbvio. Ela se sentou diretamente à sua frente, na outra ponta do semicírculo. Sem levantar os olhos, ela cruzou suas pernas geniais e perfeitas e jogou uma longa trança de cabelos negros para trás. No momento em que soltou o ar, o garoto estava apaixonado”.

Sinopse: “Adam Spencer Ross tem quase 15 anos e precisa lidar todos os dias com os problemas que resultam do divórcio dos pais e das necessidades de um meio-irmão amoroso, mas totalmente carente. Acrescente a tudo isso os desafios de seu transtorno obsessivo-compulsivo, e é praticamente impossível para ele imaginar que um dia irá se apaixonar. Porém, no instante em que conhece Robyn Plummer no Grupo de Apoio a Jovens com TOC, Adam fica perdida e desesperadamente atraído por ela. Robyn tem uma voz hipnótica, olhos azuis da cor do céu revolto e uma beleza estonteante que faz o corpo de Adam doer. Ela também acabou de ter alta de um programa de tratamento psiquiátrico – do tipo para onde vão os piores e mais difíceis casos; do tipo que Adam e os outros membros do grupo de apoio farão de tudo para não ir. Adam está determinado a protegê-la e defendê-la – ser o Batman para sua Robyn – a qualquer custo. Mas é possível ter uma relação “normal” quando sua vida está longe de ser isso? Repleto de momentos de profunda emoção e outros de inesperado humor, O herói imporvável da sala 13B explora as complexidades de viver com TOC e oferece perspectivas de esperança, felicidade e cura”.

Título: O Herói Improvável da Sala 13B.
Autora: Teresa Toten. 
Páginas: 320 páginas.
Editora: Bertrand Brasil.
ISBN: 978-85-286-2060-3.


“E, apesar de ele nunca ter notado garotas antes, nunca mesmo – tudo bem, um pouco e sem muita atenção, mas não de verdade -, Adam sabia que precisava salvá-la ou morrer tentando. Ele a amava profundamente, loucamente e mais intensamente do que poderia acreditar ser possível apenas minutos antes. Robyn, a sua Robyn, precisava de alguém heroico – um vitorioso, um cavaleiro -, e ele seria aquilo. Por ela, Adam seria e poderia ser normal e destemido. Ele queria tanto ser destemido. Ele poderia ser. Seria o super-herói dela”.

Algumas Impressões 

        Quando escolho um livro para ler, geralmente levo alguns fatores em consideração, como o gênero (dentre os meus favoritos estão ficção e fantasia) e a temática, além de procurar saber o que a crítica tem falado sobre ele lendo artigos de sites e blogs, e também assistindo o review de canais que acompanho. Contudo, desde que a primeira editora nos escolheu como parceiros no ano passado, este meu “ritual” tem sofrido mudanças, principalmente com a inclusão de novas temáticas e gêneros que antes eu nem mesmo pensava em dar uma chance. As parcerias têm ampliado meus “horizontes literários”, me proporcionando a oportunidade de conhecer novos e excelentes autores e autoras e suas respectivas obras, com uma capacidade singular para despertar no leitor os mais profundos sentimentos, de um extremo ao outro. Logo que vi “O Herói Improvável da Sala 13B” como uma opção na news do Grupo Editorial Record, o livro me chamou a atenção, primeiramente pela capa e depois pela sinopse, que apresentava um enredo sobre TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) através de uma abordagem diferente de tudo o que eu já tinha visto. À medida que iniciei a leitura, me deparei com uma realidade por vezes dolorosa e extremamente detalhada nas páginas, entre rituais de liberação, a necessidade de contar, ordenar e catalogar, transtornos alimentares, hipocondria, entre outros. Enfim, as várias facetas de um assunto extremamente sério, e que em muitos dos casos é visto apenas como “uma bobagem” ou mesmo como piada. Através de uma narrativa em primeira pessoa trazida ao leitor pela voz de Adam, um personagem forte e complexo ao mesmo tempo em que é frágil e por várias vezes refém de seus sintomas, descobri mais acerca dos gatilhos e sobre o transtorno em si, mas também sobre como se sentem as pessoas que convivem com ele diariamente, em suas múltiplas formas.


“Robyn sorria e parecia triste ao mesmo tempo. Ele mataria um milhão de dragões por ela. Adam nunca tinha se sentido mais vivo do que naquele cemitério, naquele exato momento. O mundo dele mudou. Ela e ele estavam conversando. Ela e ele eram possíveis. Talvez. Se ele não estragasse tudo. Não estrague tudo, não estrague tudo, não...”.

          Apesar da temática “pesada”, Teresa Toten consegue despertar no leitor as reações – e emoções - mais diversas, onde a trama nos faz rir, chorar, pensar acerca da vida e querer cada vez mais de suas palavras. Não é um livro técnico, muito menos de autoajuda. A sacada mais brilhante da autora está em incluir em uma narrativa instigante - mas aparentemente inofensiva e infanto-juvenil -, informações sobre TOC, exemplificando através de um grupo de personagens original, muito bem construído e repleto de particularidades, que fazem dele o grupo de “super-heróis” da vida real mais estranho e ao mesmo tempo incrível que poderíamos querer - e sob a liderança de Adam / Batman, que nem mesmo sabe o porquê de estar liderando alguma coisa. Todos em busca da cura de seus transtornos e a caminho da felicidade. Outro ponto interessante e que talvez seja o que norteia este livro, é o romance, a descoberta em meio à tempestade de sentimentos conflitantes de um Norte, um objetivo para a melhora (no caso de Adam e Robyn). Este livro me lembrou, pelo menos em certa medida, “As Vantagens de Ser Invisível” (Stephen Chbosky), que li há alguns anos e fiquei um bom tempo na nossa velha e já conhecida depressão pós-livro. Na época a temática do enredo me impactou bastante, principalmente por conta do desfecho (gente, o que foi aquela revelação? Eu chorei dois dias depois daquilo), e não esperava que outro título me levasse ao mesmo nível de emoção tão cedo. Contudo, concordo em gênero, número e grau com o Kirkus Reviews quando diz que, “Adam Spencer Ross vai renovar sua fé em super-heróis da vida real e despedaçar seu coração na mesma medida“. Seja para tentar um gênero diferente ou apenas alimentar sua curiosidade sobre o assunto, é uma leitura mais do que recomendada.


Sobre o Grupo Editorial Record

Uma empresa 100% nacional: o maior conglomerado editorial da América Latina fala português. Com onze perfis diferenciados — Record, Bertrand Brasil, José Olympio, Civilização Brasileira, Rosa dos Tempos, Nova Era, Difel, BestSeller, Edições BestBolso, Galera e Galerinha — o objetivo é sempre trazer o que há de melhor para o leitor brasileiro.


Book Haul Ostentação: Maio a Setembro

sexta-feira, 23 de setembro de 2016


        Eu não costumo ser uma pessoa enrolada, e chega me dar um aperto no coração só de pensar em deixar as coisas para a última hora ou mesmo deixar de fazê-las. Mas, como contei em outras postagens, inclusive na última do Blog Every Day August (clique para ler), eu estava em um emprego que me deixava desanimada e sem tempo para nada. Sim, estava no passado. Isso porque, duas semanas depois de publicar aquele texto, pedi demissão com o objetivo de me dedicar ao que realmente é prioridade para mim: minha família, meus estudos (a pós, o mestrado) e o Fleur, que, apesar de muitas pessoas só o enxergarem como um hobby acabou se tornando, ao longo dos anos, meu portfólio. Muitas coisas legais já aconteceram comigo (e ainda acontecem) por causa dele, e as parcerias com as editoras são apenas uma delas. Ou seja, não largo esse filho digital por nada (inclusive, o aniversário de três anos está vindo por aí). Claro que ainda estou procurando uma vaga na área da Comunicação, pois quero e preciso trabalhar, mas tudo tem o seu tempo, e com dedicação e persistência (além daquela dose marota de competência, contatos e fé) as coisas acontecem naturalmente. Acredito muito nisso! Mas voltando ao assunto desta postagem, escrevo tudo isso numa tentativa meio torta de explicar porque deixei cinco meses de livros recebidos, ganhos e comprados se acumularem na estante sem fazer um Book Haul. Sabe aquela coisa de “vontade nós até temos, mas disposição / tempo que é bom nada”? Pois então. Os meses foram passando e eu pensava “queria fazer o Book Haul”, mas a falta de tempo somada ao cansaço e o fato de não ter uma câmera decente para gravar em vídeo iam me desanimando e fazendo com que fosse só vontade mesmo. Além disso, escrever estava foram de cogitação. Mas aí, quando tudo parecia perdido (aquele drama básico), aconteceu um fato que mudaria completamente essa realidade (além da minha demissão e nova disponibilidade de tempo, claro): Nathália Santos, uma amiga especial e que lê todas as postagens que eu publico neste querido blog, comprou uma câmera e se ofereceu para me ajudar a criar conteúdo para o canal do Fleur, que estou tentando movimentar nas últimas semanas (e que por conta deste esforço tem três vídeos novos em menos de um mês). E finalmente, depois de tantas idas e vindas, temos o tal Book Haul. E tenho que dizer, tá ostentação pura.

Olha a Nath aí, só na ostentação comigo. 
Nessa foto podemos ver muitos livros e muitos dentes. 

        Ostentação porque, ao todo, são 33 livros que chegaram por aqui nos meses de Maio a Setembro, tanto os das parcerias com as editoras Intrínseca, Belas Letras, Grupo Editorial Record e (ocasionalmente) DarkSide Books, quanto os que comprei em promoções ou ganhei de presente de aniversário / formatura. A maioria já foi resenhada, e os links para acessar as opiniões de forma individual estão na descrição do vídeo (você também pode visualizar o “menu de resenhas” do Fleur clicando aqui). Ha, se você ainda não acompanha o blog nas redes sociais, deixa eu te dar duas notícias: a primeira é que está rolando um sorteio do “Especial Peculiar” na fanpage, onde, em parceria com a Editora Intrínseca, estou sorteando um combo com os livros “Cidade dos Etéreos” e “Biblioteca de Almas”, da série “O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares”, e para participar é só clicar aqui e seguir os passos descritos. Já a segunda notícia é que o blog agora é parceiro da Editora Rocco, e no próximo Book Haul os livros deles já estarão entre nós para mostrar e comentar! Voltando ao vídeo, segui a ordem dos meses, falando um pouco sobre cada um dos livros, mas se você quer saber nesse minuto quais são os títulos, segue em anexo uma listinha: 


Editora Intrínseca: Gentil como a Gente (Fernanda Gentil), O Adulto (Gillian Flynn), Loney (Andrew Michael Hurley), Caixa de Pássaros (Josh Malerman), Biblioteca de Almas (Ransom Riggs), Cidade dos Etéreos (Ransom Riggs) e As Provações de Apolo: O Oráculo Oculto (Rick Riordan).

Grupo Editorial Record: O Ano em que Disse Sim (Shonda Rimes), Anna Vestida de Sangue (Kendare Blake), O Herói Improvável da Sala 13B (Teresa Toten), A Garota do Calendário: Janeiro (Audrey Carlan), A Garota do Calendário: Fevereiro (Audrey Carlan), Socorro, meu Vídeo Bombou na Internet (Marni Bates), Noturnos (John Connolly), A Caçadora de Bruxos (Virgínia Boecker), As Épicas Aventuras de Lydia Bennet (Kate Rorick e Rachel Kiley), Magônia (Maria Dahvana Headley), Frozen: Mundo de Gelo, Coração de Fogo (Melissa de La Cruz e Michael Johnston), Warcraft (Christie Golden) e Warcraft: Durotan (Christie Golden).

Editora Belas Letras: Amor à Moda Antiga (Carpinejar), Desvende meu Estilo (Dom e Ink), Desvende meu Coração (Dom e Ink), A Mamãe é Rock (Ana Cardoso) e O Papai é Pop 2 (Piangers).

DarkSide Books: Crônicas de Amor e Ódio: The Kiss of Deception (Mary E. Pearson) e Confissões do Crematório (Caitlin Doughty).

Comprei: Guerras Secretas (Alex Irvine), O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares (Ransom Riggs) e Dezessete Luas (Margaret Stohl e Kami Garcia). 

Ganhei: Estratégias 2.0 para a Mídia Digital (Beth Saad), Revival (Stephen King) e O Hobbit (J. R. R. Tolkien).


          Ufa! É muita coisa! O home office está ficando pequeno, mas já pedi outra estante de natal e estou torcendo loucamente para que o Papai Noel atenda este meu humilde pedido (por via das dúvidas já pedi a estante para a minha tia e para a minha avó também). Foi muito divertido gravar este Book Haul, e peço encarecidamente que perdoe os erros e não desista de mim, porque meu negócio mesmo é escrever e ainda estou aprendendo as manhas do Booktube. Mas se você assistiu até o final, sabe que o que mais ganhei com essa gravação foram boas risadas! Inicialmente eu ia falar sobre as histórias em quadrinhos que comprei nesses últimos meses neste mesmo vídeo, mas por uma questão de logística e edição (ou seja, para não ter meia hora de duração), deixei as HQs de fora e vou fazer um Book Haul só para elas. Até o começo de Outubro já deve estar no ar, então, aproveitando a deixa, se você acompanha o Fleur mas ainda não se inscreveu no canal, por favor, se inscreva (clique aqui para acessar)! E aí, curtiu? Já leu algum destes livros? Eu atualmente estou lendo “Biblioteca de Almas” e “O Herói Improvável da Sala 13B”! Ha, tem algum título para indicar? Deixa aqui nos comentários! 

Games: Vamos (finalmente) falar sobre Pokémon GO? + Vlog

terça-feira, 20 de setembro de 2016


        Sucesso há vinte anos, a série de games Pokémon ganhou, em 2016, mais uma edição para saciar os fãs da franquia e conquistar novos admiradores. A premissa sempre foi a mesma: nos games, o jogador controla pequenos monstrinhos que captura com o auxílio das pokebolas, então treina-os e utiliza-os em batalhas, seja nos ginásios ou no caminho percorrido na jornada para se tornar um “Mestre Pokémon”. Lançado pela primeira vez em 1996, para o console portátil da desenvolvedora Nintendo, o Game Boy, o jogo unia elementos já conhecidos de jogadores de RPG em turnos, e em duas versões, “Red” e “Blue”, o que acabou configurando um sucesso estrondoso. Depois de duas décadas no mercado, a série já rendeu cerca de 60 games, totalizando mais de 200 milhões de cópias vendidas, uma série de desenhos animados (quem não se lembra deles na televisão?), 19 longas de animação e um card-game. E o grande sucesso dos anos noventa voltou com força total em julho deste ano, com o lançamento de Pokémon GO, o novo game gratuito para smartphones Android e iOS que utiliza a tecnologia de realidade aumentada. Com o auxílio do sistema de GPS dos aparelhos e a conexão com a internet, o jogo faz com que os jogadores tenham que se deslocar fisicamente para que possam capturar Pokémons no “mundo real”. Só na primeira semana - lançado apenas nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Austrália -, o aplicativo tornou-se mais popular que apps como Tinder, Whatsapp e Instagram, e, de acordo com uma estimativa publicada na época pela BBC, em menos de sete dias cerca de 5, 16% de todos os smartphones com sistema Android dos Estados Unidos já possuíam o aplicativo instalado (segundo informações do site SimilarWeb). O sucesso também aumentou o valor das ações da Nintendo em US$ 7 bilhões. 


      Desenvolvido através de uma colaboração entre a Niantic (uma desenvolvedora ligada ao Google), a Nintendo e a The Pokémon Company, o jogo já se tornou um fenômeno global e um dos maiores sucessos na área de games em 2016, sendo baixado mais de 500 milhões de vezes em todo o mundo. Disponibilizado na Europa e também no Brasil em agosto, é gratuito para as plataformas, contudo, assim como muitos aplicativos gratuitos, possui itens que podem ser adquiridos com dinheiro real, convertido no jogo em pokécoins. Ao abrir o aplicativo, o jogador interage com um mapa que utiliza os dados do Google Maps, onde se localiza e visualiza ginásios, pokéstops e, ocasionalmente, Pokémons. À medida que nos deslocamos, o aplicativo emite sinais sonoros e vibratórios para nos notificar sobre a presença de criaturas pelo caminho, e, ao tocar no Pokémon, é iniciada a batalha por sua captura, onde através do touch dos aparelhos é possível lançar pokebolas para prender o monstrinho e também tirar fotos dele, seja no ambiente virtual ou com a utilização da realidade aumentada. Funciona assim: através da câmera do smartphone, o Pokémon é projetado no ambiente onde o jogador se encontra (mas só pode ser visto na tela do celular, vamos esquecer a ideia Princesa Leia e R2D2 por enquanto). Atualmente, são mais de 150 Pokémons disponíveis para captura (da primeira geração), e o jogo segue um sistema de recompensa por níveis, sendo os múltiplos de cinco os que mais rendem itens especiais para os jogadores. O nível 5, por exemplo, abre a possibilidade de participação em batalhas com outros usuários pelo domínio dos ginásios (centros de treinamento), e também a escolha de um dos três times disponíveis: Mystic (azul), Valor (Vermelho) e Instinct (Amarelo), representados, respectivamente, pelos Pokémons lendários Articuno, Moltres e Zapdos. Estes times contam com líderes dentro do jogo, que avaliam os Pokémons e auxiliam os jogadores, sendo Candela (Time Valor), Blanche (Time Místico) e Spark (Time Instinto). Como é necessário se movimentar para jogar, Pokémon GO tem promovido mudanças na dinâmica das cidades, sejam elas grandes ou pequenas, e, principalmente, na vida dos jogadores, que passaram a ocupar os espaços públicos e (porque não?) queimar algumas calorias enquanto jogam, segundo dados da BBC Brasil. 


          À medida que o jogador se desloca, Pokémons selvagens podem aparecer no mapa dependendo da região em que se encontra. Por exemplo, ao estar próxima de um rio ou uma praia, a possibilidade de encontrar monstrinhos do tipo água é maior, e no ato da captura o Pokémon pode se desviar, rebater a pokebola e até mesmo fugir dela, tornando a batalha mais emocionante. O conceito para a criação do jogo foi pensado ainda em 2014 por Satoru Iwata, da Nintendo, e Tsunekazu Ishihara, da The Pokémon Company, como uma brincadeira de primeiro de abril em colaboração com o Google, chamada Pokémon Challenge. Antes disso, a desenvolvedora Niantic já havia lançado um jogo de realidade aumentada, o Ingress, e foi no conceito deste game que Ishihara viu a oportunidade perfeita para a série Pokémon. Apesar de ter sido anunciado oficialmente em dezembro de 2015, a fase de testes de Pokémon GO só começou em março deste ano, no Japão, e em abril na Nova Zelândia e Austrália. Nos Estados Unidos o jogo só foi liberado para fase de testes em maio, terminando em 30 de junho. Entretanto, ao contrário do que se pensa, esta não é a primeira tentativa da Nintendo de juntar a franquia com a realidade aumentada. Lançado para Nintendo 3DS, o jogo Pokémon Dream Radar, permitia capturar monstrinhos que apareciam ao redor direcionando-se pela tela do console. Depois de capturados, era possível transferir as aquisições para os jogos Pokémon Black 2 e White 2. Já no que diz respeito a Pokémon GO, a desenvolvedora anunciou que cerca de 10% das ideias para o jogo já foram implementadas, e que várias atualizações ainda serão feitas, como a inclusão de novos Pokémons, a troca entre jogadores, correções na função de busca por criaturas nos arredores e a criação de novas pokéstops e Pokémon Centers (ginásios). 

 Eu, ao longo dos níveis, na ostentação de ginásios. 

      Com a realização de missões como andar 100 km, capturar um determinado número de Pokémons por tipo e chocar uma quantidade definida de ovos, o jogador ganha selos (ou medalhas), que o ajudam a subir de nível. E quanto maior o nível do personagem do jogador, mais fácil é achar Pokémons mais fortes. Um dos objetivos no jogo, além de capturar os monstrinhos e dominar ginásios, é encontrar Pokéstops. Geralmente localizados em pontos turísticos, servem como um “ponto de apoio” para os jogadores, onde é possível recolher itens, como poções de cura para Pokémons feridos em batalha, frutinhas (que facilitam na captura), pokébolas e também ovos, que chocam à medida que o jogador anda pela cidade com o auxilio de incubadoras (e dependendo da quantidade de quilômetros exigida – 2 km, 5 km ou 10 km -, a variedade de Pokémons possíveis muda). A cada cinco minutos é possível girar novamente e recolher mais itens – e de forma gratuita. É também nos Pokéstops que os jogadores podem utilizar um dos itens especiais do jogo, o Lure, que age como um “chamariz” para Pokémons e faz com que eles apareçam com mais frequência e variedade, independentemente dos que estão presentes no radar. Há também o incenso, mas, ao contrário do Lure, este atrai Pokémons de forma individual e não depende das Pokéstops para ser utilizado. Já os ginásios (também chamados de centros de treinamento) são disputados pelos usuários, e, à medida que um usuário o domina, ele torna-se um centro de treinamento para o seu time (Mystic, Valor ou Instinct). Ao encontrar um ginásio dominado por seu time, o jogador pode usá-lo para treinar seus Pokémons, colocando um à disposição para defender o centro de treinamento. Recentemente, foi liberada uma nova atualização, onde é possível escolher um monstrinho para ser seu companheiro, e, de acordo com a quantidade de quilômetros exigida por ele, ganhar um candy (doce). É reunindo a quantidade de doces suficiente que se evolui Pokémons no jogo. 

 

Algumas Curiosidades

     A popularidade do jogo reúne pessoas de todas as esferas sociais e de diferentes faixas etárias. Este verdadeiro fenômeno tem sido chamado de “Pokémon GO Mania” ou “Pokémania”, e vários negócios acabaram se beneficiando com seu lançamento, desde grandes empresas a pequenos estabelecimentos que desfrutam da proximidade com Pokéstops. Alguns chegam até mesmo a comprar itens do jogo, mais especificamente o Lure, para atrair jogadores. Além disso, a utilização de praças e pontos turísticos como Pokéstops acabou por trazer a história local das cidades para o primeiro plano, fazendo com que espaços antes abandonados fossem ocupados pelos jogadores de Pokémon GO. Parques nacionais nos Estados Unidos, por exemplo, estão registrando um número incomum de visitantes, como o National Mall e o Memorial Park, em Washington. E como é necessário se deslocar para utilizar o aplicativo, organizações de caridade passaram a oferecer cães provenientes de abrigos de animais para passearem com os jogadores que querem chocar ovos.


       No último fim de semana, reuni alguns amigos para que pudéssemos sair à caça de Pokémons na cidade onde moro, afinal, não vou me tornar Mestre Pokémon dentro de casa, não é mesmo? E essa experiência virou um vlog divertido – e com fortes emoções (assim que assistir, vai entender. Confie em mim). Como é uma cidade pequena há poucos Pokéstops e ginásios, e a variedade de monstrinhos também não é tão grande (ou seja, eles não aparecem com facilidade). No mais, é um fluxo constante de Zubat, Ratatta e Pidgey, além de Caterpie e Weedle. Atualmente, estou no nível vinte, e meu principal objetivo é completar a Pokédex, ou seja, ter todos os 151 Pokémons disponíveis até o momento (um sonho, com toda certeza). Se você estava em outro planeta ou se ainda não tinha se interessado no jogo, mais depois dessa postagem vai correndo baixar o app (não é mesmo?), para começar a jogar é fácil: basta ter uma conta do Google, baixar o aplicativo e se registrar. E se quiser mais dicas sobre como o jogar, recomendo os vídeos do Canal Nostalgia (clique aqui) e do Coisa de Nerd, que está publicando uma série de vídeos com suas jornadas Pokémon (clique aqui). E aí, curtiu? Então não perde tempo, afinal, em se tratando de Pokémon... Temos que pegar! 

Resenha: Cidade dos Etéreos

domingo, 18 de setembro de 2016


“Também me despedi, em silêncio, de um lugar que me transformara para sempre, de um lugar que, mais do que qualquer cemitério, guardaria para sempre a memória e o mistério de meu avô. Meu avô e aquela ilha estavam completamente interligados, e me perguntei, agora que os dois não existiam mais, se um dia eu entenderia o que tinha acontecido comigo: o que eu havia me tornado; o que estava me tornando. Eu tinha ido à ilha para solucionar o mistério que era meu avô e acabara solucionando meu próprio mistério. Ver Cairnholm desaparecer era como ver a última chave que restava para o mistério afundar sob as ondas escuras. Então a ilha simplesmente sumiu, engolida por uma montanha de neblina. Como se nunca tivesse existido”.

Sinopse: “3 de Setembro de 1940. Dez crianças peculiares libertam um exército letal. E a única pessoa que pode ajudá-los está presa no corpo de uma ave. A viagem extraordinária continua. Depois de conhecer um fascinante mundo novo na misteriosa ilha em que a Srta. Peregrine dirigia um lar para crianças peculiares, Jacob Portman se vê em fuga com seus novos amigos. Juntos, eles descobrem que só têm um caminho a seguir: ir para Londres, a cidade onde os peculiares se concentram, na esperança de encontrar uma cura para a Srta. Peregrine. Nessa cidade devastada pela guerra, surpresas terríveis estão à espreita a cada esquina. Além de levar as outras crianças peculiares a um lugar seguro, Jacob precisa tomar uma decisão importante: permanecer no passado com Emma Bloom, por quem se apaixonou, ou voltar para os pais, nos dias de hoje. Telecinesia e viagens no tempo, ciganos e atrações de circo, malignos seres invisíveis e um desfile de animais inusitados, além de uma inédita coleção de fotografias de época – tudo isso se combina para fazer de Cidade dos Etéreos, uma história de fantasia comovente, uma experiência de leitura única e impactante”. 

Título: O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares: Cidade dos Etéreos (Livro 02).
Autor: Ransom Riggs.
Páginas: 384 páginas.
Editora: Intrínseca.
ISBN: 978-85-8057-890-4.


“Precisávamos da Srta. Peregrine – inteira e curada. Ela saberia exatamente para onde ir e como chegar a salvo. [...] Era nítido que as crianças sofriam por vê-la daquele jeito. A Srta. Peregrine era a mãe, a protetora delas; tinha sido a rainha do pequeno mundo que habitavam naquela ilhota, mas agora não podia falar, não podia parar o tempo, não podia sequer voar. Quando a viram, as crianças pareceram se encolher de dor ligeiramente e então desviavam o olhar. A Srta. Peregrine mantinha o olhar fixo no mar cinza como ardósia. Um olhar duro e negro, que continha um pesar indizível. Parecia dizer: Eu falhei com vocês”.

Algumas Impressões 

       Logo que terminei a leitura de “O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares”, a ansiedade pelo próximo volume precisava ser saciada imediatamente (clique para ler a resenha). Isso porque o desfecho da história criada pelo autor Ransom Riggs, deixa o enredo aberto a diversas possibilidades, criando no leitor a expectativa crescente por saber o que acontecerá às crianças peculiares nos próximos capítulos. O segundo volume da trilogia, “Cidade dos Etéreos”, começa exatamente onde o primeiro parou: em um cenário desolador, com dois barquinhos e um grupo muito peculiar obrigado a deixar a ilha em que viviam, em busca da cura daquela que cuidou deles nos últimos setenta anos, a Srta. Peregrine. Presa na forma de ave por conta de um arremedo dos terríveis acólitos, a ymbryne precisa da ajuda das crianças, que partem em uma arriscada missão na tentativa tanto de salvá-la quanto de salvar a si mesmas. Após ter decidido deixar o presente para trás definitivamente e seguir com as crianças peculiares rumo a uma busca por fendas temporais do passado, Jacob Portman precisa mais do que nunca desenvolver sua habilidade única, garantindo a segurança do grupo espelhando-se no exemplo do avô. Mas logo nos primeiros momentos, a jornada já mostra que não será tranquila, e nossos destemidos peculiares têm que superar as diversas desventuras que os afligem das mais variadas formas, contando apenas com a união de suas habilidades, a força de vontade, um pouco de sorte e o direcionamento precário fornecido pela fonte mais inesperada: um exemplar dos “Contos Peculiares”, famosas histórias para dormir contadas no mundo peculiar a gerações. Seguindo por este caminho, e através da união entre o texto e as curiosas e assustadoras fotografias de época, o leitor descobre a cada página um pouco mais sobre o complexo e intrincado universo peculiar criado por Riggs, à medida que as crianças conhecem mais sobre o mundo do qual fazem parte e, consequentemente, sobre elas mesmas.


“Enquanto eu caminhava até a beira da água, tentei me ver pelos olhos de meus novos amigos – ou pelo menos da forma como eles queriam me enxergar: não como Jacob, o garoto que uma vez quebrou o tornozelo correndo atrás de um carrinho de sorvete ou que, a contragosto, por insistência do pai, tentou entrar para a equipe de atletismo da escola (e fracassou três vezes), e sim como o Jacob inspetor de sombras, intérprete milagroso de sensações ruins no estômago, vidente e matador de monstros reais e verdadeiros, além de tudo o mais que pudesse ameaçar a vida de nosso alegre bando de peculiares. Como eu poderia ficar à altura do legado de meu avô?”.

         Com uma narrativa fluida que se desenrola com acontecimentos bem planejados em sequências de tirar o fôlego, o livro tem a capacidade de envolver atraindo pelos diversos mistérios a serem desvendados, além de trazer à tona de forma mais evidente a complexidade de cada um dos personagens apresentados no primeiro volume, permitindo a descoberta das histórias por trás deles, como chegaram ao lar fornecido pela Srta. Peregrine e as aventuras que viveram nos últimos setenta anos. A construção de Emma, Claire, Millard, Olive, Enoch, Bronwyn e os outros é mais do que um ponto positivo da obra do autor, que, através de facetas da própria personalidade (conforme revelado em uma entrevista exclusiva que ocupa as últimas páginas do título), deu vida às crianças que dão o tom desta épica jornada, com personalidades únicas e, acima de tudo, repletas de peculiaridades. Isso sem falar nos novos personagens que ganham vida nas páginas, como os animais peculiares (com um destaque especial para o cão peculiar Addison e a jumirafa Deirdre). Dividido em duas partes e contando através da voz ativa de Jacob, que narra os fatos sob seu ponto de vista, a trama trás reviravoltas e revelações surpreendentes – como a descoberta de um novo e assustador (mais muito útil) poder por Jacob -, que preparam o terreno para o último volume da série, “Biblioteca de Almas”. Com a primeira parte publicada pela Editora Leya, a série “O Orfanato (ou Lar) da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares” agora está sob o comando da Editora Intrínseca, que trouxe uma edição em capa dura com jacket, cheia de detalhes maravilhosos e conteúdo exclusivo, inclusive o primeiro capítulo de “Biblioteca de Almas”. E para completar a coleção, a editora está lançando este mês uma edição dos “Contos Peculiares”, também em capa dura. E em mês de “Especial Peculiar” aqui no Fleur, não poderia faltar um sorteio, não é mesmo? Em parceria com a Intrínseca estamos sorteando um “Combo Peculiar” com os livros “Cidade dos Etéreos” e “Biblioteca de Almas”. Para participar é necessário curtir a fanpage do blog e marcar três amigos nos comentários da foto oficial (clique aqui), além de clicar em “Quero Participar” no Sorteie.me (clique aqui). Ha, o sorteio vai ser realizado no dia 29 de setembro, juntinho com o lançamento da adaptação para os cinemas da história do primeiro livro, sob a direção de ninguém menos que Tim Burton! E aí, já leu os livros ou tem algum título para indicar? Conta aí nos comentários – e não deixa de participar da promoção! E que as Aves lhe concedam sorte!


Sobre a Intrínseca

Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.