Fleur de Lune

Wonder Woman executiva e uma Lobinha conceitual (Carnaval)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017


           O Carnaval 2017 está sendo extremamente incomum - como a maioria das coisas este ano para mim. Para começar, pela primeira vez participei de um bloco de rua aqui na cidade onde moro, e foi uma experiência muito divertida, pois tomei coragem e cai na folia fantasiada de sereia - uma das criaturas estudadas pela criptozoologia que mais gosto (ao lado dos unicórnios, por motivos óbvios). Se você ainda não viu a postagem onde falo um pouquinho mais sobre o assunto e mostro como ficou a maquiagem e a coroa de conchas, é só clicar aqui. Mas se eu estava pensando que as programações "carnavalescas" parariam por aí, estava enganada: na semana passada, antes do feriado, o pessoal da agência de comunicação onde comecei a trabalhar agora em fevereiro decidiu que todo mundo trabalharia fantasiado na sexta, e tive que bolar mais uma fantasia (Pausa para: SIM! Eu consegui um job e ainda vou falar sobre isso em uma postagem!). Como sou apaixonada com a Mulher - Maravilha e ganhei uma camisa perfeita para usar como fantasia no ano passado, fiz a tiara e os braceletes com EVA e papel laminado, apliquei bastante purpurina na maquiagem e fui salvar o dia... quer dizer, produzir conteúdo toda trabalhada ao estilo da super heroína. E para fechar o bloco das fantasias de última hora, no sábado alguns amigos resolveram fazer um churrasco temático, onde a galera pudesse soltar a criatividade na hora de improvisar no look. Fiz pesquisas de referência em um tempo recorde e já estava babando em algumas mais elaboradas, contudo acabei voltando para a realidade e improvisando uma "lobinha conceitual", usando restos de pelúcia e flores artificiais para confeccionar um arco. O toque final ficou por conta da maquiagem, toda em tons de marrom e dourado, e claro, purpurina! (Se não for pra brilhar eu nem saio, né monamour?!).

Wonder Woman (no Job)


        Para confeccionar os acessórios da (maravilhosa) W.W. eu usei: uma folha de EVA dourado com glitter, uma folha de papel laminado vermelho, um arco grosso, cola TekBond para artesanato, um pedaço de velcro e tesoura. O primeiro passo foi desenhar a forma da coroa no verso do EVA dourado, e não usei nenhum molde, mas o formato é semelhante a esse aqui (clique para visualizar). Ah, é importante se certificar de que as tiras da coroa (as partes laterais não elevadas) têm comprimento suficiente para o arco que você escolheu, pois o acabamento fica muito mais bonito. Desenhei também duas tiras retangulares para os braceletes, medindo a circunferência dos meus pulsos e deixando sobra de aproximadamente um dedo para cada lado. No papel laminado vermelho, desenhei três estrelas e recortei. Com tudo recortado, a montagem é muito simples (mesmo)! Medi o meio do arco e posicionei a coroa, então colei o modelo de EVA no arco com a cola TekBond - e logo depois colei a estrela bem no meio da elevação da coroa. Para os braceletes, colei um pedaço de velcro de um centímetro em cada ponta, mas um na parte com glitter e o outro na parte interna, de modo a fechar a peça como, veja bem, um bracelete. Aí foi só colar a estrela e pronto! O look que usei também é bem fácil de reproduzir: uma camisa que imita o uniforme da heroína, encontrada facilmente em lojas de produtos nerds e camiseterias, e uma calça azul. Eu ainda complementei com um blazer azul do mesmo tom da calça, afinal, eu estava no trabalho, mas é totalmente opcional - ainda mais se a sua cidade faz tanto calor quanto a minha! A maquiagem foi sombra dourada com bastante purpurina e aquele batom vermelho para completar. 

Lobinha Conceitual (no churrasco)


        E o prêmio de fantasia de carnaval feita em tempo recorde e de última hora vai para: essa lobinha conceitual aqui! Se a de Wonder Woman foi fácil, essa foi ainda mais, pois tive que produzir apenas o arco e fazer a maquiagem. Para criar o acessório usei dois retângulos de pelúcia marrom de aproximadamente dez centímetros, um arco de cabelo, algodão, linha de costura marrom, agulha, duas meias pérolas e algumas flores artificiais com arame.  O primeiro passo foi recortar o molde das orelhas na pelúcia, mas com um detalhe: ao invés de cortar as duas metades (frente e verso) separadas, recortei-as como se estivessem espelhadas, o que facilitou muito a aplicação no arco. Moldes recortados, encaixei no arco e costurei unindo as metades, deixando um buraquinho no final e preenchendo com algodão. Aí foi só enfeitar com as flores artificiais. A dica é comprar as de arame, pois a aplicação é muito mais fácil, mas também dá para fazer usando cola TekBond, viu?! Para dar um toque final colei uma meia pérola na ponta de cada orelha e pronto! E para a maquiagem, aquela sombra marrom com bastante glitter! Ah, e o detalhe na parte de baixo do nariz (que pode ser feito com lápis ou sombra). E aí, curtiu? Que tal fazer também? E feliz Carnaval! 

Resenha: Aconteceu Naquele Verão

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017


“Gracie lançava pedrinhas na lagoa, fazendo-as quicar na superfície da água, dizendo a si mesma para não cutucar a casquinha do machucado no joelho porque, quando chegasse seu aniversário de quatorze anos, queria ficar bonita no short jeans que cortara ainda mais curto. Cutucou a casquinha mesmo assim, quando ouviu um barulho na água. Viu uma, duas, três corcovas irromperem na superfície azul, uma pequena cordilheira cintilante que apareceu e logo sumiu, seguida pelo chicotear de – embora sua mente se recusasse a aceitar, ao mesmo tempo que bradava: - uma cauda”.

Sinopse: “Bem-vindos à estação mais ensolarada e apaixonante de todas! No verão, somos todos iguais, diz um dos personagens do conto “Mil maneiras de tudo isso dar errado”. No Brasil, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar do globo, uma coisa é certa: no verão, nossos corações ficam mais leves, mais corajosos, impetuosos e confiantes – talvez por isso seja a estação perfeita para se apaixonar.... e Aconteceu naquele verão é o livro ideal para quem adora histórias de amor. Mas essa coletânea tem algo ainda mais especial. Algumas histórias têm uma pitada de estranheza, de mistério, um toque sobrenatural. Em “Cabeça, escamas, língua, calda”, a lagoa de uma cidadezinha é morada de um monstro marinho que só uma menina vê. No intrigante “Inércia”, dois grandes amigos há muito afastados vão se encontrar num quarto de hospital para uma última visita. No belo “O mapa das pequenas coisas perfeitas” é sempre dia 4 de agosto. Presos num loop temporal, dois jovens vão comprovar do que a força do amor é capaz. A lição é simples: o amor não escolhe lugar nem hora para surgir. Coloque seus óculos escuros e abra sua cadeira de praia, porque neste verão você terá doze motivos para suspirar e se apaixonar”.

Título: Aconteceu Naquele Verão. 
Organização: Stephanie Perkins. 
Páginas: 384 páginas.
Editora: Intrínseca.
ISBN: 9788551001158.


“Quando eu estava no primeiro ano e vinha sempre para este mesmo pátio com Blake, sabia que o que a gente tinha não duraria muito. Mesmo curtindo a sensação do braço dele me envolvendo. Mesmo gostando do jeito como ele me olhava, gostando de ser a namorada dele. Porque, mesmo naquela época, certas verdades a meu respeito começavam a vir à tona, das profundezas do meu coração. E agora, parada no corredor do lado de fora de uma aula que não preciso assistir, essas verdades irrompem de novo. Porque foi Mimi Park quem as liberou da primeira vez”.

Algumas Impressões 

        Tenho uma relação delicada com os livros de contos: se por um lado adoro a possibilidade de conhecer diversas histórias através de um único livro, por outro fico exasperada quando eles me envolvem e simplesmente acabam, deixando aquela sensação de que algo está incompleto (Oi, “O Adulto” da Gillian Flynn). Entretanto, as características positivas desse tipo de leitura sempre acabam falando mais alto, como no caso de “O Presente do Meu Grande Amor” (clique para ler a resenha), uma coletânea de contos publicada pela Editora Intrínseca e que traz doze histórias de diferentes autores, mas com um detalhe: todos com temática natalina. O livro, lançado em 2015 e organizado pela autora Stephanie Perkins, é permeado por um clima gostoso de inverno que aquece os corações através de narrativas cheias de romance (eu gostei tanto que até comprei mais dois exemplares para presentear amigas queridas). E se a fórmula deu certo, nada melhor do que repetir a dose, só que, dessa vez, trazendo um verdadeiro tributo ao verão e tudo o que ele tem de melhor: férias, sol, praia, diversão e amores. “Aconteceu Naquele Verão”, também tem doze contos ambientados no universo young adult (jovem adulto), e aborda temáticas como trabalhos temporários, dramas escolares ou familiares, erros e recomeços, inseguranças, amadurecimento, e claro, romances de verão (o que, na verdade, é o grande mote do livro todo). Cada conto é de autoria de um autor ou autora diferente, sendo eles Leigh Bardugo, Nina Lacour, Libba Bray, Francesca Lia Block, Stephanie Perkins (que também organiza a edição), Tim Federle, Veronica Roth, Jon Skovron, Brandy Colbert, Cassandra Clare, Jennifer E. Smith e Lev Grossman. Confesso que eu só conhecia três autoras desta lista, mas me surpreendi positivamente com a narrativa de todos, pois cada um traz um diferente, impactante e misterioso ponto de vista, o que torna a experiência de leitura muito prazerosa.


“Até mais. A não ser que sejamos assassinados durante o sono por forças malignas”, eu dizia. Dani dava uma risada e um aceno de leve, e por todo o caminho de volta para casa eu ficava me perguntando o que aquele gesto significava, interpretando cada movimento dos dedos dela e ficando cada vez mais esperançoso. Eu entrava em casa, tomando cuidado para não pisar nas garrafas de vodca vazias deixadas pela minha mãe. Então eu me deitava na cama e deixava o filme de terror Dani-Kevin da minha cabeça se desenrolar até a inevitável conclusão romântico-vitoriosa”.

     Dentre os contos, diferentemente de “O Presente do Meu Grande Amor”, temos histórias fantásticas, de circos itinerantes assombrados à filmes amaldiçoados e monstros da criptozoologia, além de uma discussão bem colocada sobre amor livre, com casais formados por homens e mulheres, mulheres e mulheres, homens e homens, mulheres e criaturas... Uma pluralidade que me conquistou, e muito. Os autores também trouxeram à tona assuntos como sexualidade, aceitação, depressão, perdão e até mesmo autismo, unindo leveza, ficção e realidade em tramas impossíveis de abandonar até que se chegue à última página. Meus contos favoritos foram “Mil Maneiras de Tudo isso dar Errado” (Jennifer E. Smith) e “Cabeça, Escamas, Língua, Cauda” (Leigh Bardugo). O primeiro narra a história de um encontro amoroso incomum e extremamente complexo, onde ao mesmo tempo em que a autora traz um romance fofo e cativante, chama a atenção para a importância de darmos atenção às crianças e jovens autistas. Já o segundo é o conto que abre o livro, e logo de cara fiquei intrigada com a construção do enredo. O desfecho me surpreendeu com tamanha simplicidade e fantasia. Não posso deixar de destacar também o conto da autora Cassandra Clare (Série Instrumentos Mortais), que, seguindo o estilo fantasioso já típico dela, traz demônios e protagonistas fortes, além da história escrita pela organizadora Stephanie Perkins, que surpreendeu ao trazer a continuação do conto publicado em “O Presente do Meu Grande Amor”! Uma leitura indicada para diferentes gostos literários, dos contos com elementos dolorosos e sombrios que levam à reflexão, aos mais leves e superficiais, que acabam no bom e velho final feliz.


Sobre a Intrínseca

Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.



Mermaid Coordinate (Carnaval)

domingo, 19 de fevereiro de 2017


           Desde a infância eu já convivia e admirava estas criaturas fantásticas através das histórias que lia e assistia, mas foi só na adolescência que comecei a pesquisar sobre Criptozoologia, que é o estudo de espécies animais consideradas lendárias, mitológicas e hipotéticas (ou ainda as avistadas por poucas pessoas). Essa pseudo ciência (uma vez que baseia-se em evidências anedóticas, histórias e avistamentos) busca relacionar o ponto de vista biológico com o antropológico, cruzando referências através de relatos e mitos de diferentes culturas sobre animais extintos ou desconhecidos, e o termo que dá nome ao estudo vem das expressões cripto - (do grego, kryptós, é, ón 'oculto') e zoologia, que é o ramo da ciência que estuda especificamente os animais. Alguns ramos da criptozoologia desafiam a lógica científica, entretanto, há exemplos que comprovam sua credibilidade, como a lula-gigante, o celacanto, o ornitorrinco e o dragão-de-komodo, animais reais que por muito tempo foram considerados fantasias. E é exatamente este ramo da ciência que estuda duas das minhas criaturas favoritas: os unicórnios (como já era de se esperar, afinal, olha esse blog!) e as sereias. Na mitologia grega, elas são seres metade mulher e metade peixe capazes de atrair e encantar aqueles que ouvem seu canto. Nas histórias, os marinheiros que eram atraídos pelo canto e se aproximavam o bastante para ouvi-lo acabavam naufragando. Sua origem possui muitas teorias, uma vez que no geral são consideradas filhas do deus rio Aqueloo com a musa Melpôneme, ou de Gaia, já que Homero afirmou que elas eram capazes de prever o futuro. Há muitos mitos que afirmam que elas seriam mulheres que ofenderam a deusa Afrodite de alguma forma e que, como castigo, foram viver em uma ilha isolada. Em outros, conta-se que elas eram companheiras de Perséfone, filha de Zeus e Deméter, que foi raptada por Hades. Já na literatura moderna, as sereias inspiraram poemas e obras como "O Silêncio das Sereias" (Kafka, 1917) e "A História da Sereia" (E. M. Forster, 1947), mas aposto que você as conheceu principalmente através de produções cinematográficas como "A Pequena Sereia" (Disney, 1989) e "Aquamarine" (2006), não é mesmo?! 


           Já fazia um tempo que queria tentar esta maquiagem, mas 1) não tenho talento nenhum para isso e 2) não sabia onde usar. Mas eis que o carnaval está batendo à porta, e aqui na cidade acontece anualmente o bloco de rua "Trupico do Lalá", em um bairro chamado Ilha dos Araújos. Por mais que eu já more aqui há alguns anos, nunca tinha tido a oportunidade de participar (por desânimo ou falta de companhia), mas como 2017 já começou diferente em vários aspectos, minhas amigas me convidaram para ir, e, ainda por cima, todas fantasiadas (muita animação). Como em janeiro viajei para a praia, trouxe uma quantidade considerável de conchas para projetos da categoria "Como eu Fiz", e, com a deixa do evento, aproveitei para confeccionar uma coroa de sereia dessas que já vi tantas vezes no Pinterest ou em postagens do Sereismo (clique para acessar) - e que são absolutamente maravilhosas. Com o acessório pronto, foi só escolher um bom tutorial (usei o da Niina Secrets, clique para assistir), pedir socorro para a amiga que entende de maquiagem (agradeço demais Érica!), aplicar bastante brilho e cair na folia! E ai, curtiu? Que tal tentar também? Ah, ainda vou postar o "Como eu Fiz" dessa coroa, é só curtir a fanpage para ficar por dentro de todas as novidades e saber assim que a postagem for ao ar, viu?! Tem alguma dúvida ou sugestão? Deixa aí nos comentários! 

Resenha: O Clube de Leitura de Jane Austen

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017


“Cada um de nós tem uma Austen particular. A Austen de Jocelyn escreveu romances maravilhosos sobre amor e namoro, mas nunca se casou. O clube de leitura foi ideia de Jocelyn, que escolheu os integrantes a dedo. Jocelyn tinha mais ideias em uma manhã do que o restante de nós em uma semana, e mais energia também. Era essencial para reintroduzir Austen regularmente em sua vida, dizia Jocelyn, deixa-la olhar ao redor”.

Sinopse: “Cinco mulheres e um homem se reúnem para debater as obras de Jane Austen na Califórnia do início dos anos 2000 e acabam descobrindo, entre casamentos frustrados, arranjos sociais e afetivos, que suas vivências não são assim tão diferentes das experimentadas por Emma ou outras personagens da escritora britânica que tão bem descreveu a sociedade de sua época, dois séculos atrás. No livro, que figurou na lista dos mais vendidos do The New York Times e deu origem ao filme homônimo estrelado por Kathy Baker e Emily Blunt, a premiada escritora norte – americana Karen Joy Fowler disseca as relações contemporâneas com acuidade, humor e ironia dignos da autora de Orgulho e Preconceito e outras obras que continuam fascinando leitores de todas as idades. Uma homenagem a uma das maiores escritoras da língua inglesa e uma deliciosa comédia de costumes dos nossos tempos”.

Título: O Clube de Leitura de Jane Austen. 
Autora: Karen Joy Fowler.
Páginas: 320 páginas.
Editora: Rocco.
ISBN: 978-85-325-304-79.


“Nós seis – Jocelyn, Bernadette, Sylvia, Allegra, Prudie e Grigg – compúnhamos a escalação completa do clube de leitura só-Jane-Austen-o-tempo-todo de Central Valley / River City. Nossa primeira reunião foi na casa de Jocelyn”.

Algumas Impressões 

        Famoso entre os fãs de Austen desde seu lançamento, em 2007 (e que gera opiniões um tanto controversas), o filme “O Clube de Leitura de Jane Austen” teve seu roteiro adaptado deste romance de mesmo nome que recebi através da parceria com a Editora Rocco agora em fevereiro. Por mais que eu me considere uma entusiasta das obras de Austen, tenho de confessar que ainda não tinha ouvido falar sobre ele, e que até me surpreendi ao descobrir que havia um filme - quando eu ainda estava no meio da leitura do livro. Isso porque, a despeito de toda a minha expectativa para este que promete ser uma longa e detalhada discussão acerca dos diferentes romances da autora e suas particularidades, o livro escrito por Karen Joy Fowler deixou a desejar em alguns pontos, que acabaram por prejudicar minha experiência de leitura e envolvimento com a narrativa. Na trama, cinco mulheres e um homem se reúnem mensalmente para ler e discutir cada um dos romances de Jane Austen, apontando suas impressões acerca destes em uma tentativa de interpretar o que afinal a autora quis expressar em seus enredos escritos há séculos atrás. Cada um dos personagens possui dilemas próprios que se mesclam ao enredo ao longo dos capítulos, trazendo um toque contemporâneo e ao mesmo tempo atemporal, uma vez que, à medida que se aprofundam nas páginas de Jane, os integrantes do clube – assim como os leitores de Fowler – passam a perceber como a ficção da época e o presente atual conservam similaridades. Tempos diferentes, indivíduos diferentes, mesmos dilemas humanos.


“Em 1797, o pai de Jane Austen enviou Primeiras impressões a um editor em Londres, chamado Thomas Cadell. “ Como estou bem ciente das consequências de um trabalho desse tipo ser lançado sob a égide de um nome respeitável, recorro a você”, escreveu. Perguntou quanto custaria publicá-lo “por conta e risco do Autor”, e que adiantamento poderia ser oferecido caso o manuscrito fosse apreciado. Estava preparado para pagar ele mesmo se necessário. O livro foi publicado 16 anos mais tarde. O título havia sido mudado para Orgulho e preconceito”.


      Com uma premissa interessante, principalmente para os fãs de Austen, o livro tinha tudo para conquistar. Não me entenda mal, a escrita de Karen Joy Fowler não é ruim, e sim simples e até interessante. Contudo, mesmo tendo prendido minha atenção nos primeiros capítulos, à medida que os meses se passavam (dentro da história, no caso) a narrativa tornou-se arrastada, um tanto maçante. A forma como o enredo foi construído não ajudou, com várias rupturas e incursões longas ao passado dos personagens, uma vez que não desperta o desejo do leitor de se envolver para descobrir o que acontece no capítulo seguinte, quais acontecimentos irão se desenrolar na próxima página. Em essência, a parte mais interessante da experiência foi acompanhar as discussões dos personagens sobre os romances de Jane Austen, pois foram momentos em que eu verdadeiramente consegui me envolver com os diálogos. As colocações de cada personagem foram todas extremamente interessantes, diferenciando-os entre si e expondo opiniões como num verdadeiro debate. Durante o mês de discussão de “Emma”, por exemplo”, me senti como em um clube de leitura real, apenas como ouvinte e observadora dos demais participantes. No geral, o livro não é ruim, apenas não conseguiu me envolver da forma como eu gostaria, mas apresenta um potencial inegável como referência para discussão das obras de Austen e uma oportunidade para revisitar personagens e contextos tão queridos.



Sobre a Editora Rocco
Há mais de três décadas demonstrando sensibilidade para detectar as tendências do mercado, ousadia na difusão de novas ideias e agilidade de produção, a Rocco se orgulha por ser uma editora sólida e independente, capaz de se reinventar a cada dia para atender aos anseios do público brasileiro. Seus selos são: Rocco, Rocco Jovens Leitores, Rocco Digital, Bicicleta Amarela, Fábrica 231, Fantástica Rocco, Anfiteatro e Rocco Pequenos Leitores.