Fleur de Lune

Resenha: O Ano em Que Disse Sim

quinta-feira, 28 de julho de 2016


“Imaginar é meu trabalho agora. Escrevo roteiros para programas de televisão. Invento personagens. Crio universos inteiros em minha mente. Invento palavras nas conversas do dia a dia – talvez você se refira a sua vajayjay e conte a sua amiga que alguém do trabalho tomou um sermão no maior estilo Pope por causa dos meus programas. Eu dou à luz bebês, acabo com vidas. Danço para esquecer. Uso o chapéu branco. Opero. Luto. Exonero. Eu giro novelos, conto contos e sento em volta da lareira do acampamento”.

Sinopse: Neste livro comovente, hilariante e profundamente pessoal, Shonda Rhimes, a mulher mais poderosa de Hollywood, criadora das séries Grey’s Anatomy e Scandal e produtora executiva de How to Get Away With Murder, revela como dizer SIM mudou sua vida para sempre – que pode ser o ajuste que falta para mudar a sua também. Com três programas de sucesso na TV e três filhas para cuidar, Shonda Rhimes tinha motivos de sobra para recusar qualquer convite. Uma festa em Hollywood? Não vai dar. Discursar em público? Não tenho tempo. Aparições na mídia? Nem pensar! Mas durante o Dia de Ação de Graças de 2013 a irmã de Shonda lhe diria seis palavrinhas que mudariam tudo: Você nunca diz sim para nada. Profundo, emocionante e incrivelmente divertido, O ano em que disse sim mostra como uma palavra mudou – e salvou – a vida de Shonda Rhimes. E inspira todos os leitores a repensarem suas próprias atitudes com apenas uma palavra: SIM. 

Título: O Ano em Que Disse Sim: Como dançar, ficar ao sol e ser a sua própria pessoa. 
Autora: Shonda Rhimes. 
Páginas: 256 páginas.
Editora: Best Seller. 
ISBN: 978-85-7684-988-9.


“Tenho consciência de que atualmente vivo uma realidade muito tranquila. Sei que sou extremamente sortuda. Sei que tenho filhas incríveis, uma família fantástica, amigos ótimos, um emprego espetacular, um lindo lar e todos os meus braços, minhas pernas, os dedos das mãos e dos pés e os órgãos intactos. Sei que não tenho o direito de reclamar. Não sobre a minha vida em comparação à vida de qualquer outro. A não ser que esse qualquer outro seja a Beyoncé. Droga, minha vida é tão ruim em comparação com a da Beyoncé. E a sua também. A vida de todos nós é muito ruim em comparação com a dela”.

Algumas Impressões 

       Pense em uma biografia que não é bem uma biografia e num livro de autoajuda que também não é bem o que parece ser. Parece confuso, mas não consigo pensar em outra forma para começar a descrever o que é a narrativa que a irreverente Shonda Rhimes trás em “O Ano em Que Disse Sim: Como dançar, ficar ao sol e ser a sua própria pessoa”. É bem verdade que nem todo mundo conhece Shonda, mas com toda a certeza já ouviram falar dos programas dela. Sucesso há mais de uma década com a série de TV “Grey’s Anayomy”, ela também é roteirista e produtora de “Private Practive” e “Scandal”, além de produtora do mais recente sucesso “How to Get Away With Murder”. “Grey’s Anatomy” foi uma das primeiras séries pelas quais me apaixonei, e depois de tantos anos ouvindo as palavras de Shonda através das falas de tantos atores, foi com aquela impressão de que eu com toda certeza ia gostar que comecei esta leitura. A premissa é simples: tímida e introvertida desde criança, Shonda não tinha muita vida social e – além de cuidar de suas três filhas – só vivia para o trabalho. Mas, em um fatídico dia de ação de graças, depois de uma fala de sua irmã mais velha, ela resolve se lançar um desafio: aceitar as oportunidades e embarcar no que chamou de “Ano do Sim” (que para ser bem exata durou 18 meses, na verdade).

     Com uma narrativa divertida e repleta de referências às séries produzidas por seu escritório, Shondaland, além de um ritmo famíliar, como uma narração em off de “Grey’s Anatomy”, o livro é acima de tudo uma conversa franca, com indicações, conselhos, algumas lições e diversos momentos de identificação entre os leitores e a autora, que narra como sua vida mudou no período em que resolveu olhar para ela com novos olhos, sob uma perspectiva mais otimista e confiante. Além das histórias engraçadas e irreverentes narradas por ela, os ótimos discursos que ela se propôs a fazer nesse período também fazem parte do enredo, inclusive o que ela fez na ocasião da homenagem que recebeu como uma das mulheres mais poderosas de Hollywood (aliás, a lista de prêmios que essa mulher já ganhou ou foi indicada é bem extensa!). Para mim, foi um livro que veio no momento certo. Por mais que determinadas coisas ainda não façam sentido (como as partes sobre maternidade, por exemplo), as palavras de Rhimes são mais do que esclarecedoras e encorajadoras para alguém que acabou de se formar na universidade e enfrenta aquela fase decisiva, onde de fato começamos a entender o que a vida adulta significa. Mais responsabilidades, hábitos e compromissos diferentes, muito trabalho duro, contas. Particularmente, esse é um daqueles livros que você pode indicar para qualquer pessoa, por mais que todos nós sejamos diferentes. Pois, nas mais diversas situações, mesmo que involuntariamente, Shonda tem uma palavra de sabedoria.


Sobre Shonda Rhimes

É a aclamada e premiada criadora e produtora executiva dos sucessos televisivos “Grey’s Anatomy”, “Private Practice” e “Scandal”, e produtora executiva de “How to Get Away with Murder”. Shonda também foi roteirista de filmes como “O diário da princesa 2: Casamento real”, “Crossroads: Amigas para sempre” e “Dorothy Dandridge: O brilho de uma estrela”. Shonda possuí bacharelado em Literatura Inglesa e Escrita Criativa e é pós-graduada pela USC School of Cinema – Television. Nascida em Chicago, Illinois, a autora agora vive em Shondaland, um lugar bastante real e bastante imaginário, provavelmente não muito longe de Los Angeles. Ela é a mãe orgulhosa de três meninas.


Sobre o Grupo Editorial Record

Uma empresa 100% nacional: o maior conglomerado editorial da América Latina fala português. Com onze perfis diferenciados — Record, Bertrand Brasil, José Olympio, Civilização Brasileira, Rosa dos Tempos, Nova Era, Difel, BestSeller, Edições BestBolso, Galera e Galerinha — o objetivo é sempre trazer o que há de melhor para o leitor brasileiro.


Resenha: Caixa de Pássaros

domingo, 24 de julho de 2016


“Nos últimos dias a internet enlouqueceu com uma história que as pessoas estão chamando de “Relatório Rússia”. Nela, um homem que viajava de carona num caminhão por uma estrada nos arredores de São Petersburgo pediu ao amigo, o motorista, que parasse o carro, então atacou-o e arrancou os lábios do colega com as unhas.Depois, tirou a própria vida na neve, usando a serra de mesa que estava na carroceria do caminhão. Uma história pavorosa, cuja notoriedade Malorie atribuía à maneira aparentemente ilógica da internet de tornar fatos aleatórios famosos. Mas então uma segunda história surgiu”.

Sinopse: “Em um mundo de recursos escassos, olhos vendados e um terror persistente, encarar os próprios medos é apenas o início da viagem. Quatro anos depois de tudo ter começado, restaram poucos sobreviventes, incluindo Malorie e seus dois filhos pequenos. Morando numa casa abandonada próxima ao rio, ela sonha há tempos em fugir para um local onde sua família possa ficar em segurança. Mas a jornada que têm pela frente será assustadora: 32 quilômetros rio abaixo em um barco a remo, vendados, contando apenas com a inteligência de Malorie e os ouvidos treinados das crianças. Uma decisão errada e eles morrem. E ainda há alguma coisa os seguindo. Será que é um homem, um animal ou uma criatura desconhecida?”.

Título: Caixa de Pássaros: Não Abra os Olhos. 
Autor: Josh Malerman.
Páginas: 272 páginas.
Editora: Intrínseca.
ISBN: 978-85-8057-652-8.


“Não há gráficos acompanhando a notícia. Nem música. Ou qualquer imagem. Malorie, parada no meio da sala, olha para o teto. Ela baixa ainda mais o volume da TV, então desliga o rádio e vai até a escada. Ao lado do corrimão, olha lentamente para cima, para o chão acarpetado. As luzes estão apagadas, mas um raio fino do que parece ser a luz do sol se espalha pela parede. Apoiando a mão no corrimão, Malorie pisa no carpete. Olha por cima do ombro, para a porta da frente, e imagina uma mistura de todas as notícias que ouviu”.

Algumas Impressões 

         Se por acaso eu fizer um top 10 de leituras favoritas do ano (e provavelmente irei fazer), “Caixa de Pássaros”, do autor Josh Malerman, estará entre os cinco primeiros. Digo isso sem medo de errar, mesmo sabendo que ainda estamos em Julho e que muitos livros incríveis serão lançados ainda este ano e chegarão por aqui. Isso porque este livro me trouxe sentimentos inéditos, momentos em que eu literalmente tremia de medo e temia verdadeiramente pela vida dos personagens como em nenhuma outra narrativa. Passada em uma realidade onde o mundo como o conhecemos foi mergulhado em completa insanidade, é um enredo desafiador, um daqueles títulos que mexe com o psicológico do leitor de tal forma que este passa a questionar coisas do mundo em que vive, para além do que a narrativa apresenta, o que causa um envolvimento e uma imersão maiores na história. A premissa é de que há algo do lado de fora, uma ameaça que está em todos os lugares, mas que é desconhecida, uma vez que ninguém sabe o que é, nem sua forma. Afinal, os que viram não sobreviveram para contar a história. É algo letal, que está apenas te esperando para que possa te enlouquecer e fazer com que cometa os mais terríveis atos: contra os outros e contra você mesmo. Basta uma olhada, um segundo, e você está perdido. A única forma de se manter em segurança é não abrir os olhos. Cinco anos após o início do inexplicável surto, Malorie e seus dois filhos pequenos vivem em uma casa no que antes era um comum e tranquilo bairro residencial. Mas isto era no velho mundo. No novo mundo, os três vivem atentos ao mínimo ruído e protegidos constantemente pelas vendas negras que cobrem seus olhos. Mas agora, chegou a hora de deixar a casa e enfrentar o desconhecido para salvar suas vidas, partir em uma jornada em busca de um lugar melhor. Se é que ainda existe tal refúgio. 


“O rádio entra e sai de sintonia. Um homem fala sobre a possibilidade de uma guerra. Se a humanidade se unir, diz ele, mas a estática se sobrepõe à sua voz. Ela passa por um carro abandonado no acostamento. As portas estão abertas. Uma jaqueta pende do banco do carona e toca o chão. Malorie olha para a frente de novo, depressa. Depois fecha os olhos. Em seguida, os abre”.

           “Caixa de Pássaros” é um daqueles livros onde a tensão e o desespero dos personagens e quase palpável. Intercalando passagens do presente e do passado, a trama é narrada quase em sua totalidade pela protagonista, Malorie, e o ritmo da narrativa - que é descritiva - é constante, quase claustrofóbico. O autor levanta e derruba conceitos com maestria, e discute, através do medo do desconhecido, a complexidade da mente humana e como os eventos que modificam o meio podem modificar o próprio indivíduo, psicológica e emocionalmente. Este foi o ponto principal que me chamou a atenção neste livro. É uma realidade pós-apocalíptica, mas que dispensa os clichês já conhecidos, como zumbis e pragas com rápido poder de contágio, para explorar o mundo da escuridão, onde cada ruído, sussurro e o menor barulho pode apresentar uma ameaça em potencial. Onde o ser humano é forçado a se privar de um dos sentidos, pois este pode levá-lo à morte. É assustador e magnífico ao mesmo tempo. É o instinto de sobrevivência em uma luta constante com nossa curiosidade, a quase necessidade de saber o porquê das coisas, o que está desencadeando tudo aquilo. Se você é fã dos gêneros de suspense e terror, é uma leitura mais do que recomendada. E lembre-se, acima de tudo: não abra os olhos. Caso o contrário, a insanidade e a barbárie podem ser suas últimas companhias. 


Sobre a Intrínseca 

Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.

Resenha: Amor à Moda Antiga

sexta-feira, 22 de julho de 2016


Sinopse: Um livro orgânico, verdadeiro e apaixonadamente imperfeito, como só o amor pode ser. Em seu aniversário de 43 anos, Fabrício Carpinejar ganhou de presente uma velha máquina de escrever Olivetti Lettera 82 verde-esmeralda. Desde esse dia, ele se dedica a escrever poemas de amor e a guardá-los como um inventário de seus sentimentos e emoções. Pela primeira vez, esses poemas são publicados, exatamente como os originais foram enviados à editora, sem nenhum tipo de correção ortográfica, edição ou retoques, inclusive com as anotações feitas à mão pelo próprio Carpinejar. 

Título: Amor à Moda Antiga.
Autor: Fabrício Carpinejar.
Páginas: 112 páginas.
Editora: Belas Letras.
ISBN: 978-85-8174-285-4.

 

Algumas Impressões 

          Carpinejar sempre surpreende e encanta através de suas obras, mas “Amor à Moda Antiga” vai além e apaixona, literalmente. Regado a memórias, fatos diários e claro, amor, a obra tem um pouco de tudo, mas sempre com um toque especial de leveza e muita originalidade. Publicados pela Belas Letras, os escritos chegam aos leitores exatamente como chegaram à redação da editora em maços de papel entregues pelos Correios. Sem qualquer tipo de correção ortográfica, a reprodução fiel dos escritos de Carpinejar em sua velha máquina de escrever trás modificações e anotações feitas à mão pelo autor, o que acaba por aproximar ainda mais o leitor e estabelecer um contato maior com as palavras e o que estas querem expressar. Através das palavras, ele consegue transmitir os mais variados sentimentos, de alegria a saudade, tristeza e aquela frustração característica de querer algo e não poder alcançar, realizar. A leitura de suas 112 páginas diagramadas com maestria pela editora, que trás um poema por página, flui rapidamente. Noutras palavras, muito bem escolhidas pela editora, “Amor à Moda Antiga é simples, orgânico, singelo e apaixonadamente imperfeito, como só o amor pode ser”.


Sobre Carpinejar

       Segundo sua própria descrição, é um escritor, jornalista e professor universitário, que, além de poeta é um leitor apaixonado do sol e ouvinte declarado da chuva. Autor de vinte e seis livros, aos quarenta e um anos Fabrício Carpinejar coleciona prêmios (entre eles o cobiçado Jabuti) e arrebata leitores de todas as partes com sua personalidade irreverente e sua forma única de falar sobre os mais variados assuntos, entre eles o amor. Ultrapassando a marca de cento e quarenta mil seguidores no Twitter (número semelhante ao de Fátima Bernardes, por exemplo), ele usa o microblog para publicar frases inspiradas em situações do cotidiano, além de pérolas de autoajuda. Também possuí um blog de literatura pelo jornal O Globo (clique para conhecer) e escreve textos e crônicas para diversas revistas.


Sobre a Belas Letras

A editora nasceu em 2008 com o compromisso de aproximar a literatura dos temas da era digital e da cultura pop, com um catálogo enxuto e de qualidade e uma proposta editorial moderna. É rock e pop. É arte, viagem, gastronomia, ciência e humor. É estilo de vida, universo digital, comportamento e inspiração. É uma nova experiência entre os leitores e seus livros. Porque, para nós, ler é se conectar, e se aproximar daquilo que mais amamos.

Resenha: As Provações de Apolo: O Oráculo Oculto

terça-feira, 19 de julho de 2016


“Meu nome é Apolo. Eu era um deus. Em meus quatro mil seiscentos e doze anos fiz muitas coisas. Castiguei com uma praga os gregos que sitiaram Troia. Abençoei Babe Ruth com três home runs no quarto jogo da Série Mundial de 1926. Despejei minha ira contra Britney Spears no Video Music Awards de 2007. Mas, em toda a minha vida imortal, eu nunca tinha feito um pouso forçado em uma caçamba de lixo. Nem sei direito como aconteceu. Só sei que quando acordei, estava caindo”.

Pode conter spoiler das séries “Percy Jackson e os Olimpianos” e “Os Heróis do Olimpo”.

Sinopse: “Sua culpa. Sua punição. A voz de meu pai ainda ressoa em meus ouvidos. Dá para acreditar que Zeus me culpou pela briga entre os deuses e Gaia? Só porque a Mãe Terra convenceu um dos meus descendentes, Octavian, a orquestrar uma batalha entre semideuses gregos e romanos, levando a uma guerra civil que quase destruiu a humanidade. Agora eu pergunto: como a culpa poderia ser minha? Só sei que por isso fui expulso do Olimpo e vim parar na Terra na forma de um mortal de dezesseis anos, com espinhas e sem abdome tanquinho! Infelizmente, já fui punido dessa forma antes. Sei como as coisas funcionam: vou enfrentar várias provações e infortúnios. Espero que todo esse sofrimento prove meu valor e faça com que Zeus me perdoe e me transforme novamente em um deus. A questão é que as coisas estão bem mais complicadas e perigosas para o meu lado do que da última vez. Um dos meus adversários mais antigos sabe da minha condição mortal e colocou gente na minha cola. O Oráculo de Delfos está na mais completa escuridão, incapaz de fornecer profecias. E o pior e mais embaraçoso é que fui condenado a servir uma semideusa sem-teto e maltrapilha cuja maior arma é jogar frutas podres nas pessoas. Não é possível que Zeus ache que eu posso resolver o problema do Oráculo sozinho. Não sem meus poderes divinos. É hora de fazer uma visita ao Acampamento Meio-Sangue, onde eu talvez encontre algum semideus disposto a se sacrifi... digo, a me ajudar. Com certeza serei recebido como o deus belo e majestoso que sou, uma verdadeira celebridade! Eles me trarão oferendas, como uvas sem caroço, biscoitos Oreo e – ah, deuses – talvez até bacon! Humm... Isso! Se eu sobreviver a essas provações, vou escrever uma ode ao poder do bacon. Palavra de deus! Bem, ex-deus no momento. Mas vocês entenderam”. 

Título: As Provações de Apolo – Livro Um: O Oráculo Oculto.
Autor: Rick Riordan.
Páginas: 320 páginas.
Editora: Intrínseca.
ISBN: 978-85-8057-928-4.


“Eu começava a ter um vislumbre do que me aguardava na minha temporada como mortal. O oráculo estava sendo controlado por forças hostis. Meu inimigo estava à espreita, ganhando forças a cada dia com os vapores mágicos da caverna de Delfos. E eu era um mortal fraco comprometido com uma semideusa não treinada que jogava lixo e mordia as cutículas”.

Algumas Impressões 

         Depois de “O Sangue do Olimpo” entrei em um estado de negação profundo, onde me recusava a acreditar que a série dos meus semideuses amados havia de fato acabado. Tantas coisas em aberto a ser exploradas em outras narrativas... Talvez um enredo sobre Leo Valdez, que tal tio Rick? (por favor, eu nunca te pedi nada!). Olhando para a estante, os livros ligados à Percy Jackson são minha maior coleção que envolve um mesmo personagem. E por mais que eu ache que estou completando / já completei, Rick Riordan nunca me decepciona e logo lança um novo título para prender minha atenção e ensinar um pouco mais sobre mitologia de uma forma totalmente irreverente, seja ela grega, romana, egípcia ou, mais recentemente, nórdica (falando nisso, já leu a resenha de “Magnus Chase e os Deuses de Asgard: A Espada do Verão”? Clique aqui!). O mais novo lançamento do autor pela Intrínseca, “As Provações de Apolo: O Oráculo Oculto” (primeiro livro de uma trilogia) vem para oferecer uma nova perspectiva de figuras já conhecidas (oi, Apolo!), matar a saudade dos fãs (órfãos) dos personagens amados, e introduzir novos, além de abordar outros aspectos e histórias da vasta mitologia grega (oi, “desventuras em série” – principalmente amorosas - do Apolo!). Com uma trama divertida, regada com comentários impagáveis, e em sua maioria sem-noção, do ex-deus do sol (além da cura e da arqueria), o livro dá continuidade aos acontecimentos de “O Sangue do Olimpo”, se passando seis meses após a derrota da mãe-Terra. 

 

“Eu parecia ter uns dezesseis anos. Meu cabelo era escuro e encaracolado, um estilo com o qual arrasei na época de Atenas e de novo no começo dos anos 1970. Meus olhos eram azuis. Meu rosto era agradável de um jeito meio bobão, mas estava desfigurado por causa do nariz da cor de uma berinjela, abaixo do qual se formara um bigode nojento de sangue. E pior: minhas bochechas estavam cobertas com uma espécie de protuberância que parecia terrivelmente com... Meu coração chegou a parar por um momento”.

          Acusado por Zeus de ser o único responsável pela guerra com Gaia, Apolo perde seus poderes e é jogado (literalmente) na Terra sob a forma de um adolescente mortal de dezesseis anos chamado Lester Papadopoulos, um tantinho acima do peso e com sérios problemas de acne. E já não bastasse as infinitas limitações de sua condição mortal, um de seus inimigos mais antigos e poderosos está de volta, o oráculo de Delfos não está mais entregando profecias e diversas coisas estranhas vêm acontecendo nos últimos seis meses (dos quais ele não consegue se lembrar de forma alguma). E o que ele mais teme: é parte de suas provações (algo como a condição para que possa voltar ao Olimpo), encontrar uma forma de resolver todos esses problemas. Para alguém acostumado a sair por aí arrasando corações com sua forma perfeita e barriga tanquinho e a resolver tudo de forma fácil e rápida, seja pelos poderes ou pelo sacrifício dos heróis, já dá para imaginar que não vai ser uma temporada mortal nada fácil. Nas palavras dele mesmo, “a crueldade de Zeus não tem limites”. Particularmente, me diverti muito com essa leitura, principalmente por conta da narração em primeira pessoa de Apolo, que, entre devaneios da vida de deus, histórias da mitologia, desilusões amorosas e frustrações com sua condição mortal, revela uma perspectiva do personagem muito diferente da apresentada nos livros anteriores, com maior profundidade e riqueza de detalhes e uma jornada do herói incomum, além de reviravoltas completamente inesperadas, capazes de surpreender até o mais atento leitor (além daqueles que possam ter o dom ou mesmo meios de prever o futuro, garanto), e que vão impactar não apenas esta, mas todas as obras anteriores do autor que fazem parte deste mesmo universo (aka, Percy Jackson e os Olimpianos e Os Heróis do Olimpo). Se eu fosse você não esperava Zeus resolver lançar um raio bem na sua cabeça para começar esta leitura. Vai por mim, é mais seguro. 



Sobre a Intrínseca 

Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.