quinta-feira, 1 de junho de 2017

Sessão Pipoca: Mulher - Maravilha

Sinopse: “Treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince (Gal Gadot) nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor (Chris Pine) se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra”. 

Título: Mulher – Maravilha (Wonder Woman). 
Duração: 2 horas e 10 minutos. 
Direção: Patty Jenkins.
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia. 
Lançamento: 01 de junho de 2017.


Algumas Impressões

Desde os anos 50 formando a “trindade” da DC Comics, os personagens Batman, Superman e Mulher-Maravilha possuíam um tênue equilíbrio de forças, ameaçado principalmente pela representatividade. Isto porque, enquanto os dois primeiros reúnem em seus currículos inúmeras produções para o cinema e para a televisão, Diana havia sido representada apenas em uma tentativa frustrada, em 1974, e em outra - esta fiel aos quadrinhos -, em 1975, na icônica série estrelada pela atriz Lynda Carter. Primeiro filme solo de uma heroína dos quadrinhos a chegas às telas desde “Elektra”, em 2004, “Mulher-Maravilha” se destaca como uma das melhores adaptações do universo da DC desde a trilogia “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, e chega para “colocar ordem na casa”, além de trazer uma nova e melhor fase. Sob a direção de Patty Jenkins, o filme traz uma clássica história de origem, mas sem cair na mesmice dos longas do tipo, apresentando uma narrativa que cumpre exatamente a função de apresentar Diana e seu universo cheio de particularidades para o grande público, além de suprir a carência dos fãs da heroína e criar uma ponte entre as produções “Batman vs. Superman” e “Liga da Justiça”, que tem a estreia marcada ainda para este ano.
 
 
Na trama, a princesa de Themyscira nos é apresentada ainda criança, e logo nas primeiras sequências conhecemos o impressionante poder e os feitos das guerreiras Amazonas. Entretanto, como única criança da ilha repleta de mulheres adultas e superprotegida pela rainha Hipólita (Connie Nielsen), sua mãe, Diana é impedida de treinar. Muito didático, o roteiro de Allan Heinberg encontra uma forma lúdica e nada maçante de explicar a origem das guerreiras, o que, de algum modo, acaba inspirando a jovem heroína a desobedecer às ordens da mãe e a treinar em segredo com sua tia, Antíope (Robin Wright). Com o treinamento, acaba por descobrir sua força superior.... E bem na época em que mais precisará dela. O avião do espião britânico Steve Trevor cai na ilha, e, ao socorrer o piloto, Diana descobre que ele é uma parte ínfima de um conflito muito maior, a Primeira Guerra Mundial. Ao descobrir que o mundo está sendo devastado pela guerra e que vários inocentes estão perecendo, a princesa se vê tomada pela missão das Amazonas e pela vontade de proteger a humanidade, e decide contrariar Hipólita (mais uma vez) e partir para o campo de batalha com Steve. Toda essa trajetória é brilhantemente captada por Jenkins, que cria uma conexão com o público e representa toda a força e diversidade das Amazonas ao mesmo tempo em que vai revelando a inocência de Diana, os segredos guardados pela rainha com o intuito de proteger a filha de Ares e o charme incomum de Trevor, criando sequências que mesclam magia, aventura e humor.
 
A combinação única de simplicidade narrativa com a dose certa de efeitos, dá ao longa uma aura diferente das produções da DC vistas até agora. Deixando de lado o tom mais sombrio das produções de Zack Snyder, por exemplo, “Mulher-Maravilha” traz um viés mais mitológico, com uma abordagem que se distancia do sombrio e realista. A história da personagem não se desenvolve de forma forçada, mas sim natural, e sua “ingenuidade” diante do “mundo dos homens” proporciona sequências divertidas e contrastantes, como quando Diana questiona o conservadorismo da época, principalmente a forma como as mulheres são tratadas e as diversas regras sociais direcionadas ao sexo feminino – roupas, sem direito a voto, etc. -, expondo as situações ao ridículo. Mas não é apenas a heroína que abrange o quesito representatividade nesta trama. A facilidade com que o filme conecta a protagonista com os demais personagens também deve ser observada, uma vez que temos o levantamento de outras questões além da emancipação feminina. Enquanto seu chamado para lutar está nas figuras imponentes da mãe e da tia, ela também encontra o amor através de Steve Trevor em uma relação franca e madura, e ainda é confrontada com diferentes realidades de preconceito e opressão, por meio das figuras do time formado por Trevor para acompanhá-los na missão e das pessoas que conhece pelo caminho.

 
Para interpretar a personagem, a atriz Gal Gadot - ex-recruta do exército de Israel, ex-modelo e ex-estudante de Direito -, se mostrou a escolha perfeita, mostrando a que veio ainda em “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça”. Forte e cativante, sem em nenhum momento deixar de ser feminina, ela deu vida à Mulher-Maravilha com maestria, colaborando para uma representação mais do que merecida da heroína 75 anos depois de sua primeira aparição nos quadrinhos. Chris Pine também está bem no papel de Steve, conservando sua importância para a trama sem “roubar” o protagonismo de Diana. De um modo geral, os personagens são bem desenvolvidos, complexos, repletos de empatia e carisma (em especial a Mulher-Maravilha em si), mas se algo poderia deixar a desejar, é apenas a construção dos vilões, que acaba destoando um pouco da lógica do filme. Um vilão em especial figura no centro da trama e é de suma importância, principalmente para o amadurecimento da personagem principal, mas sua construção pode confundir em determinados momentos. Já a Doutora Veneno e o General Ludendorff proporcionam boas sequências. Contudo, em nenhum momento o longa é prejudicado por seu vilão. No fim das contas, mesmo as pequenas divergências acabam contribuindo para a construção de uma personagem forte, que luta por um ideal bem definido e com a qual o público se conecta com facilidade. “Mulher-Maravilha” é uma narrativa que permanece com os espectadores muito além dos créditos finais, e que, por mais que se mostre extremamente feminina, chega com a proposta de abranger o público em geral, não cogitando qualquer barreira de gênero, levando reflexão e – o mote da vez – representatividade. 

2 comentários:

  1. Lê, demorei mas cheguei aqui para amar o seu blog <3

    Primeiro, quero dizer que li a sua crítica sem medo de ler spoilers, já que ainda não consegui assistir o filme. Segundo, que post maravilhoso! Disse tudo que eu precisava saber sobre o que a Mulher-Maravilha reserva para mim, mas na medida certa. Eu sempre gostei muito dessa heroína, por conta da série, e tô aqui, morrendo de curiosidade para ver depois de ler seu post! HAHA

    Beijão, linda

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    1. OWN <3 Você por aqui é muito amor! Eu também sempre gostei da personagem, e esse filme foi tudo o que eu esperava depois de tanto tempo querendo muito que ela fosse bem representada nos cinemas. Amei que você curtiu a resenha, e, por favor, volte mais vezes! <3

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