terça-feira, 7 de março de 2017

Resenha: Crave a Marca


“E então... movimento. Uma pétala se movendo. Um caule estalando. Um tremor atravessou o pequeno campo de flores-sossego que crescia entre eles. Ninguém fez um ruído. Akos ergueu os olhos por um instante para o vitral vermelho, a abóbada de lanternas, e quase perdeu... as flores abrindo-se num estouro. Pétalas vermelhas desdobraram-se todas de uma vez, exibindo seus centros brilhantes, caindo sobre os caules. A placa de gelo transbordou de cores”.

Sinopse: “Num planeta em guerra, numa galáxia em que quase todos os seres estão conectados por uma energia misteriosa chamada “a corrente” e cada pessoa possui um dom que lhe confere poderes e limitações, Cyra Noavek e Akos Kereseth são dois jovens de origens distintas cujos destinos se cruzam de forma decisiva. Obrigados a lidar com o ódio entre suas nações, seus preconceitos e visões de mundo, eles podem ser a salvação ou a ruína não só um do outro, mas de toda uma galáxia”. 

Título: Crave a Marca.
Autora: Veronica Roth.
Páginas: 480 páginas.
Editora: Rocco.
ISBN: 8579803284.


“Os shotet eram um povo, não um planeta-nação, e eram conhecidos por serem violentos, brutais. Cravavam linhas nos braços para cada vida que tiravam, e treinavam até os filhos na arte da guerra. Viviam em Thuvhe, no mesmo planeta que Akos e sua família, em uma imensa extensão de capim-pena. O mesmo capim-pena que resvalava nas janelas da casa da família de Akos”.

Algumas Impressões 

        Veronica Roth é uma daquelas autoras que desperta meu interesse, mas da qual ainda não tinha lido nenhuma história. Autora da série Divergente, em “Crave a Marca” ela me surpreendeu com sua capacidade de criar, inovar e dar vida à um universo distópico regido por uma força da natureza chamada Corrente, um poder presente em tudo e também em todos – e que se manifesta em cada um através da concessão de dons únicos e extraordinários. Mas com um detalhe: estes dons são concedidos de acordo com a personalidade do indivíduo. À primeira vista, pode-se pensar que a trama apresenta só mais do mesmo, mas a narrativa de Roth é completamente original e instigante. O enredo se passa no planeta nação Thuvhe, dividido entre os thuvesitas, cidadãos pacíficos que vivem por lá há tempos incontáveis, e os shotet, uma parcela da população que antes sobrevivia viajando entre os países reciclando coisas e utilizando-as. Mas agora os shotet tornaram-se guerreiros, instalaram-se definitivamente em Thuvhe e exigem serem reconhecidos como nação – mesmo que para isso a tensão entre os dois extremos leve à guerra. Diferentes em essência, cada uma das duas parcelas que protagonizam nossa história possui seus próprios oráculos: ascendente, atuante e descendente. Estes oráculos têm visões do futuro, e identificam qual a “fortuna” de cada indivíduo, ou seja, qual o papel que cada um deles terá dentro do destino da nação. Perigosas por essência, estas revelações podem trazer à tona ameaças aos poderosos, que usam disto para alterar o futuro de alguns cidadãos para que seus planos de domínio e poder se mantenham em curso.


“Eu tinha apenas seis estações quando parti para minha primeira temporada. Quando saí, esperava que estivesse sol lá fora. No entanto, caminhei sob a sombra da nave da temporada que cobria a cidade de Voa – a capital de Shotet – como uma nuvem imensa”.
        Neste cenário, conhecemos Akos Kereseth, um garoto thuvesita filho do oráculo de Thuvhe, e que em um ataque de Rizek (o soberano dos shotet), é levado como prisioneiro juntamente com seu irmão mais novo e obrigado a viver em meio ao povo rival, com costumes e ideologias completamente distintas. Por mais que suas chances não pareçam promissoras, ele não pretende descansar até resgatar o irmão e voltar para casa. Já do lado dos shotet, Cyra Noavek, irmã do tirano Rizek, é temida por todos por conta de seu dom, capaz de infringir dor em qualquer um que a toque, e, por uma obra do destino (ou seria da Corrente?) o caminho dos dois se cruza quando Akos é obrigado a servir a família de Cyra. Com o passar do tempo, os dois jovens se conhecem melhor, trocam ideias sobre a história de seu povo e descobrem ter mais em comum do que imaginavam. Unidos agora por uma aliança que vai além das diferenças entre os povos, eles terão de lutar contra as injustiças cometidas por Rizek para, quem sabe, desencadear as mudanças de que Thuvhe tanto precisa. Com narração alternada entre Cyra (em primeira pessoa) e Akos (em terceira pessoa), este título de quase quinhentas páginas envolve o leitor em uma trama imersiva e descritiva, transportando-o diretamente para cenas de tirar o fôlego a cada nova página. A dualidade narrativa nos permite tanto acompanhar ambos os lados da história quanto conhecer mais à fundo a personalidade e motivações dos protagonistas, que são extremamente bem construídos. Por mais que o começo deixe um pouco a desejar, tornando complicado processar todas as informações e particularidades deste universo, não é difícil se conectar com a história de Veronica Roth. Aventura, ação, amizade, romance... tudo aliado à uma mitologia singular, e a uma cultura totalmente nova e cativante. Isto é o que oferece “Crave a Marca”. É impossível concluir a leitura e não esperar pela continuação, esperada para 2018. Recomendado principalmente para os fãs de distopias, fantasia e ficção.



Sobre a Editora Rocco
Há mais de três décadas demonstrando sensibilidade para detectar as tendências do mercado, ousadia na difusão de novas ideias e agilidade de produção, a Rocco se orgulha por ser uma editora sólida e independente, capaz de se reinventar a cada dia para atender aos anseios do público brasileiro. Seus selos são: Rocco, Rocco Jovens Leitores, Rocco Digital, Bicicleta Amarela, Fábrica 231, Fantástica Rocco, Anfiteatro e Rocco Pequenos Leitores.

2 comentários:

  1. Eu tô pra tentar ler esse livro já faz um tempo, mas sempre vou adiando rs. A história me lembra muito divergente, jogos e maze runner, acho que justamente por incluir o universo distópico e ter situações memoráveis que acabam sendo parecidas. Mas a história soa ser muito boa, e envolvente ♥

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    1. Achei a premissa muito bacana. E por mais que seja distópico não parece com Jogos Vorazes. Não sei Divergente, porque ainda não li, mas quem sabe depois desse tiro da autora eu dê uma chance Hahahaha Um beijo :*

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