sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Sessão Pipoca: The O.A.


Sinopse: “Prairie Johnson é uma garota cega que, ao alcançar seus vinte e um anos, simplesmente desaparece. Sete anos depois, ela retorna, e o mais surpreendente, com a visão perfeitamente restaurada. A jovem (Brit Marling), tenta explicar aos pais o que realmente aconteceu durante sua ausência, onde estava e as experiências que viveu. Mas nem todas as partes desta história, para a surpresa de todos, são fáceis de se compreender. Segundo Prairie, ela nunca realmente se foi, mas estava em outro plano, um lugar desconhecido, um lugar invisível”. 

Título: The O.A. (Série Original Netflix) – 1ª Temporada.
Duração: 8 episódios de aproximadamente 60 minutos cada.
Criação: Zal Batmanglij e Brit Marling.
Gênero: Drama, Suspense. 
Lançamento: 16 de dezembro de 2016.


Algumas Impressões

           Houve uma época em que eu assistia várias séries diferentes, tanto live action quanto animadas e de canais e plataformas distintas, e mantinha todos os episódios em dia. Esses tempos áureos antecederam a minha entrada na vida de “adultinha”, e agora, é com grande pesar que comunico que a única coisa em dia na minha vida são as decepções. Tudo bem, eu estou exagerando, mas se tem uma coisa que eu gostaria de fazer mais é assistir a séries, principalmente depois que a Netflix chegou em nossas vidas. Mas, unindo todos os meus compromissos, principalmente a quantidade de livros que tenho para ler mensalmente, isso se torna cada vez mais impossível. Indicações não faltam, e como tive um janeiro incomum e repleto de viagens, aproveitei uma delas para assistir a uma das novas apostas da Netflix, “The O.A.”, uma produção original da plataforma em parceria com a empresa Plan B, de Brad Pitt. Criada por Zal Batmanglij e Brit Marling, que também faz o papel da protagonista, possui uma premissa interessante, permeada por uma aura de mistério que envolve tanto o enredo quanto suas sub tramas e que traz à tona discussões inusitadas acerca de nossa própria existência – e claro, da morte. Produzida quase em segredo completo (já que depois de anunciar a produção, o canal não divulgou novas informações por quase um ano), a série envolve mistério e ficção científica, e a primeira temporada, que foi liberada a partir de 16 de dezembro do ano passado, possuí oito episódios de quase uma hora de duração cada. Na trama, Prairie Johnson é uma jovem cega que desapareceu sem deixar rastros. Sete anos depois de seu suposto sequestro, ela retorna para casa com estranhas cicatrizes nas costas. Mas, o mais surpreendente em relação a este retorno é que ela inexplicavelmente recuperou a visão. Apesar da capacidade que possui para despertar o interesse dos expectadores, “The O.A.” peca um pouco no que diz respeito a duração dos episódios, que são extremamente longos para a densidade da trama, e no roteiro, pois, basicamente, duas tramas centrais se desenrolam paralelamente ao longo dos episódios, com interferências de sub tramas ligadas à história de cada um dos cinco integrantes do grupo reunido por O.A. – o que por vezes dificulta o envolvimento e a compreensão de determinados fatos. Entretanto, apesar do que a crítica vem pregando, na minha opinião, os pontos positivos superam os negativos. Com uma atuação impecável, Brit Marling é um dos grandes destaques da série em suas diferentes fases (e isso apenas dentro desta primeira temporada), e o inusitado grupo formado pelos cinco personagens a quem O.A. conta a história de seus sete anos de cárcere traz diferentes discussões que permeiam a sociedade estadunidense, com clichês de colegial (o brigão, o uso de drogas, o atleta em busca da bolsa de estudos, etc.) somados a discussões mais abrangentes, como a transexualidade.

 

        Com cenários incríveis, uma fotografia impecável e movimentos de câmera precisos, outro ponto que merece destaque é a parte técnica. Desde o bairro onde se passa um dos desdobramentos até o cativeiro de O.A. e a realidade do pós-morte, as locações foram pensadas de um ponto de vista realista (para o bairro padrão norte americano) imersivo (principalmente para o cativeiro), e por vezes fantástico, para não dizer até esotérico (como nas cenas do pós morte), e exala uma aura de mistério que completa a narrativa. Em princípio comparada com a série que já se tornou um clássico de ficção científica do canal, “Stranger Things” e com “Westworld”, da rival HBO, “The O.A.” ocupa uma posição delicada, onde pode ser amada ou odiada, com maior potencial para envolver um nicho específico do que o grande público propriamente dito. As temáticas e acontecimentos da série podem causar grande impacto ou impacto nenhum, dependendo exclusivamente da subjetividade do expectador, o que não permite um meio termo. Contudo, por mais que possa parecer perdida e surreal, até o último segundo a narrativa conserva uma dúvida sutil acerca da veracidade dos fatos, desafiando o indivíduo a tirar suas próprias conclusões, independentemente da experiência dos personagens. A segunda temporada, ainda sem data de lançamento, foi confirmada esta semana, com o lançamento de um teaser misterioso e de um trailer apresentando “fãs” realizando os cinco movimentos famosos e determinantes para o desfecho desta primeira temporada. Particularmente, estou ansiosa por saber mais desta trama, e espero encarecidamente que perguntas deixadas para trás sejam respondidas e mistérios solucionados. O grande plot twist ainda está para acontecer, e estou ciente de que posso gostar muito ou me decepcionar profundamente. Depois de ler inúmeras críticas, cheguei à conclusão de que faço parte do grupo específico a quem “The O.A.” cativa, desperta a curiosidade e leva a refletir acerca dos temas que aborda, mas não deixaria de recomendar para qualquer leitor deste blog. Por mais que possamos ler sobre a experiência do outro, nunca apreenderemos o máximo possível da obra a não ser que a avaliemos através de nossa própria experiência, nossa própria subjetividade. Em outras palavras, reconheço que a produção possui falhas, mas eu gostei, e acredito que se você der uma chance, pode gostar também – ou não. A única coisa certa é que não saberá até assistir e tirar suas próprias conclusões. Todos os oito episódios da primeira temporada já estão disponíveis na Netflix.


2 comentários:

  1. Oi Lettícia, eu assisti essa série em um dia, já que foram poucos episódios hehe, mas realmente ainda não sei se gostei dela, fiquei meio "bugada" com o final, intrigada. Quero ver a segunda temporada pra ver se minha opinião muda.

    Beijinhos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu assisti em dois, quatro em cada dia. Fiquei confusa também, mas no fim a série me fez refletir sobre inúmeras coisas. É intrigante a forma como ela aborda os temas, cruza as narrativas e confunde todo mundo KKKKKK Um beijo :*

      Excluir