sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Resenha: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada


“Uma estação movimentada e lotada de gente tentando ir a algum lugar. Em meio ao tumulto, duas gaiolas grandes sacodem no alto de dois carrinhos de bagagem. Eles são empurrados por dois meninos. Tiago Potter e Alvo Potter. A mãe dos dois, Gina, vem logo atrás. Um homem de 37 anos, Harry, traz a filha Lilian nos ombros”.

Sinopse: “A oitava história. Dezenove anos depois... Sempre foi difícil ser Harry Potter, e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprender uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados. Baseada em uma história original escrita por J. K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é uma nova peça teatral de Jack Thorne. É a oitava história de Harry Potter e a primeira a chegar aos palcos. Esta Edição Especial do Roteiro de Ensaio leva aos leitores do mundo todo a continuação da jornada de Harry Potter, seus amigos e familiares, imediatamente após a estreia mundial da peça no West End de Londres em 30 de julho de 2016. A peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é uma produção de Sonia Friedman Productions, Colin Callender e Harry Potter Theatrical Productions”. 

Título: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. 
Autores: J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany.
Páginas: 343 páginas.
Editora: Rocco.
ISBN: 978-85-325-3042-4.


“Está coberta de vapor branco e denso liberado pelo EXPRESSO DE HOGWARTS. E também está movimentada – mas em vez de gente com ternos elegantes tratando de seu dia, agora são bruxos e bruxas com suas vestes, a maioria tentando lidar com a despedida de sua amada prole”.
Algumas Impressões

        Dezenove anos se passaram desde que Harry Potter e a Armada de Dumbledore derrotaram Voldemort na Batalha de Hogwarts. E há exatamente dez anos eu concluí a leitura de “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, temporariamente me despedindo da narrativa fantástica de J. K. Rowling que me acompanhou por tantos e tantos anos ao longo da saga do Menino que Sobreviveu. E como que para comemorar este verdadeiro aniversário de leitura, após uma década tive a oportunidade de revisitar o mundo bruxo através do oitavo livro, “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada”, originalmente uma peça teatral que teve sua estreia em 30 de julho do ano passado, no West End, em Londres. Com roteiro original fruto de uma colaboração entre a autora britânica e o roteirista Jack Thorne, e dirigida pelo escocês John Tiffany, “Harry Potter and The Cursed Child” (no original), vem para acalentar os corações órfãos dos fãs da trama – e em grande estilo: nostálgico ao mesmo tempo em que apresenta um excelente e rico em detalhes epílogo da história “original”. Agora (como apresentado no fim do sétimo livro), casado com Gina e pai de três filhos, Harry tornou-se Diretor de Execução das Leis da Magia, e, constantemente ocupado por conta da grande demanda de trabalho, acaba negligenciando um pouco sua família, principalmente seu filho Alvo. Quando chega o momento de o menino entrar em Hogwarts, nem em seus piores pesadelos ele poderia imaginar como as coisas sairiam mal, começando pelo fato de que o Chapéu Seletor o escolhe para a Sonserina, praticamente condenando-o como um “traidor” dos Potter. Muito diferente do pai em diversos aspectos, Alvo Severo tornou-se alvo constante de comentários hostis e piadas, isolando-se cada vez mais, o que fez com que um imenso e profundo rancor tomasse conta de si. Com todos os acontecimentos, a relação entre ele e o pai só piora, e um abismo cada vez maior se forma entre os dois, fazendo com que Alvo odeie ser filho do famoso Harry Potter – além disso, ele critica duramente as atitudes do pai no passado, alegando ser injusto que tantos tenham morrido apenas para que Harry sobrevivesse. Por esses e outros motivos, decide mudar o passado na tentativa de salvar a vida “do outro”, Cedrico Diggory, e, juntamente com seu melhor amigo (e filho de Draco Malfoy, por sinal), Escórpio, retorna no tempo na época do Torneio Tribruxo. Mas o tempo é algo perigoso, e muda-lo pode significar tanto a vida quanto a morte. Será que ambos estão preparados para lidar com as consequências de seus atos? Será a história do mundo bruxo modificada para sempre?


“E agora entramos na terra-do-nunca da mudança no tempo. E toda esta cena gira em torno da magia. As mudanças são aceleradas enquanto saltamos entre os mundos. Não há cenas isoladas, mas fragmentos, pedaços que mostram o avanço constante do tempo. De início estamos dentro de Hogwarts, no Salão Principal, e todos dançam em volta de Alvo”.

         Sou potterhead desde muito nova, e já falei sobre isso diversas vezes por aqui, então, logo que soube que uma nova história relacionada à série seria lançada (mesmo que, na ocasião, ainda não soubesse através de que meio ou formato), já comecei a entrar em uma profunda crise de ansiedade, criando diversas possibilidades sobre o que seria de fato abordado. É fato que quando se gosta de algo é difícil aceitar um desfecho definitivo. Sempre queremos saber mais, e num universo tão rico quanto o criado por Rowling, as possibilidades de continuação eram infinitas. Entretanto, seguindo a maior parte das especulações, a oitava história, que primeiramente chegou até o público através de uma peça teatral, vem para elucidar o que acontece no futuro, tanto com nossos já queridos personagens quanto com a nova geração de bruxos e bruxas, mais precisamente os filhos do trio de ouro e o de Draco Malfoy. Quando a peça foi lançada na Inglaterra criou-se uma espécie de polêmica, tanto em relação à continuação de uma obra “finalizada” há dezenove anos quanto a escolha de determinados atores escalados para interpretarem os personagens, entretanto, nenhuma das questões abafou o sucesso absoluto da obra, que, segundo fontes do G1, tem seus ingressos esgotados até maio deste ano (2017). Chegando aos fãs que ainda não puderam conferir de perto a atuação, o roteiro original de ensaio foi publicado na forma deste livro, e, por mais que eu já soubesse acerca do formato, não pude deixar de estranhar a forma narrativa quando o livro chegou em minhas mãos. Por mais que não siga o formato usual de romance adotado pelos demais livros, “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” em nada deixa a desejar no que diz respeito ao enredo, com momentos de ação, emoção, suspense e um absoluto saudosismo que me acometeu durante todo o processo de leitura. Dividido em quatro atos e alguns intervalos, o script mostra um pouco da brilhante produção assinada pela tríplice J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany. Depois de ler esta obra, é praticamente impossível não estabelecer como uma das “coisas para se fazer antes de morrer” assistir à encenação. Concordo com alguns quando dizem que, caso a autora aceitasse, a trama daria um ótimo filme, mas esta se pronunciou contra – e no fundo isso faz muito sentido. Se sou capaz de destacar apenas alguns pontos, preciso dizer que é absolutamente gratificante reencontrar personagens já conhecidos em diferentes épocas, enfrentando outros dilemas e desafios, e que é emocionante voltar ao Torneio Tribuxo e entender determinados desdobramentos que poderiam passar despercebidos na leitura de “O Cálice de Fogo”. Houve um momento em específico que me emocionei demasiadamente, pois a visão de um dos meus mais estimados personagens em uma nova realidade e a constatação de que sim, ele era o homem mais corajoso que todos nós conhecemos, vem à toda durante a passagem. Para encerrar esta verdadeira declaração de amor à obra (vulgo resenha), preciso ressaltar que a história não é tão focada em Harry, mas sim em seu filho Alvo e em Escórpio Malfoy. Ao passo que Escórpio me conquistou com seu carisma e personalidade nerd, Alvo me tirou do sério em vários momentos, pois, na minha opinião, ele não sabe lidar muito bem com os dilemas adolescentes (e quem sabe, não é mesmo?). No que diz respeito ao desfecho, todas as pontas soltas são amarradas em revelações surpreendentes, e nossa querida J. K. já deixou claro que não continuará esta trama. Com mais lições a serem aprendidas e um amor a ser renovado, recomendo mais do que qualquer outra coisa a leitura deste livro, pois, independentemente do formato, a magia não deixará de lhe surpreender.



Sobre a Editora Rocco
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2 comentários:

  1. Apesar de amar a série e adorar os personagens, me senti meio vazia com a história nova. É como se a JK desse uma nova oportunidade de enxergarmos a frente e depois tirasse o pirulito da nossa boca aiheiahe. Quero muito ler o livro, mas fico com aquela sensação de "será que não era melhor ter parado nas Relíquias?". De qualquer forma, fiquei tão curiosa e ansiosa quanto você quando disseram sobre o lançamento, então provavelmente ainda vou tirar um tempinho para conhecer os novos personagens ♥

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    1. Então, é uma perspectiva diferente, o que não quer dizer que seja ruim. É ótimo conhecer novos personagens, mas principalmente revisitar velhos amigos sabe? Dá uma sensação de nostalgia muito gostosa. Eu não senti tanto um impacto muito grande pois enxerguei este oitavo livro como uma coisa à parte. E não necessariamente uma continuação entende. Mas dê uma chance, você pode gostar! Um beijo <3

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