sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Resenha: Magnus Chase e os Deuses de Asgard: O Martelo de Thor


“Sentado do lado de fora, confortável com minha calça jeans, camiseta e jaqueta jeans limpas, percebi que aquela seria a primeira primavera em três anos em que eu não era sem teto. Em março, eu estava procurando comida no lixo. Dormia debaixo de uma ponte no Public Garden e andava com meus amigos Hearth e Blitz, fugindo da polícia e tentando sobreviver. Dois meses atrás, eu morri lutando contra um gigante do fogo. Acordei em Valhala como um dos guerreiros einherji de Odin”. 

Sinopse: “Seis semanas se passaram desde que Magnus Chase viajou até a ilha Lyngvi para tentar impedir o Ragnarök, e nesse meio tempo o garoto começou a se acostumar ao dia a dia no Hotel Valhala. Quer dizer, pelo menos o máximo que um ex-morador de rua e ex-mortal poderia se acostumar. Filho de Frey, o deus do verão, da fertilidade e da medicina, Magnus não é tão popular quanto os filhos dos deuses da guerra, como Thor e Tyr, mas fez bons amigos e está treinando para o dia do Juízo Final com os outros guerreiros de Odin. Tudo segue na mais completa paz sanguinolenta da pós-vida viking. Mas ele deveria imaginar que não seria assim por muito tempo. Seus amigos Hearthstone e Blitzen de repente desaparecem, um novo colega do andar dezenove está causando caos em Valhala e, de acordo com uma cabra com transtorno de ansiedade, o martelo de Thor ainda está desaparecido – e os inimigos do deus do trovão farão de tudo para aproveitar esse momento de fraqueza e invadir o mundo humano. Quem diria que salvar os nove mundos uma vez não seria suficiente?”.

Título: O Martelo de Thor (Magnus Chase e os Deuses de Asgard – Livro 2).
Autor: Rick Riordan. 
Páginas: 400 páginas.
Editora: Intrínseca.
ISBN: 978-85-510-0070-0.


“Desde que eu renasci, me acostumei a muitas coisas esquisitas. Viajei pelos nove mundos e conheci deuses nórdicos, elfos, anões e um bando de monstros com nomes impronunciáveis. Encontrei uma espada mágica, atualmente pendurada no meu pescoço na forma de um pingente de runa. E até tive uma conversa muito louca com minha prima Annabeth sobre os deuses gregos, que habitavam Nova York e dificultavam a vida dela. Aparentemente, os Estados Unidos estavam infestados de deuses antigos. Era uma verdadeira praga”. 

Algumas Impressões 

           Há alguns anos conheci, por indicação de uma amiga, um autor que logo entraria para o rol dos meus favoritos ao lado de nomes como J. K. Rowling e J. R. R. Tolkien: Rick Riordan. Escritor de literatura juvenil, Rick (ou tio Rick), tem um estilo de narrativa único, e suas histórias fantásticas fazem o casamento perfeito entre a ficção e a mitologia, trazendo elementos históricos muitas vezes desconhecidos ou pouco explorados e despertando a curiosidade e o interesse dos leitores muito além das páginas de seus livros. Trabalhando principalmente com os mitos gregos, romanos, egípcios e agora nórdicos, ele possui um trabalho de pesquisa excepcionalmente minucioso por trás de suas criações, o que, aliado à uma criatividade sem limites, cria enredos que hipnotizam e envolvem completamente o leitor - e ultrapassam a barreira da faixa etária. Comecei esta aventura pelos títulos do tio Rick através das séries de Percy Jackson, um filho de Posseidon um tanto lento e apaixonado pela cor azul, mas que amamos de qualquer jeito. A cada novo livro eu me aprofundava e me envolvia mais com a história, criava laços com os personagens e me encantava com o estilo do autor. Quando a última página de “O Sangue do Olimpo” foi lida (assim como as dos livros adicionais), me senti órfã. Mas antes que o sentimento durasse muito tempo, eis que ele lança o primeiro livro de uma série voltada à mitologia nórdica, “Magnus Chase e os deuses de Asgard”. E o título de estreia, “A Espada do Verão”, não apenas cumpriu com minhas expectativas como as superou, seguindo o mesmo estilo que tanto amamos ao mesmo tempo em que se mostra conciso e original. A trama gira em torno do semideus Magnus, que, após completar dezesseis anos, acaba morrendo em um combate e indo parar em Valhala, o equivalente viking ao paraíso (entretanto, o objetivo por lá não é o descanso eterno), e é repleta de referências (como à Star Wars) e comentários sarcásticos (cortesia de Magnus) e divertidos (cortesia de Jacques), além de boas e bem colocadas sacadas por parte dos personagens. 

 

“Na hora de escolher uma pós vida, é importante considerar a localização. Pós vidas no subúrbio, como em Fólkvangr e Niflheim, podem oferecer custos de não vida mais baixos, mas a entrada de Midgard para Valhala fica no coração da cidade, na rua Beacon, em frente ao parque Boston Common. Dá para ir a pé às melhores lojas e aos melhores restaurantes, e fica a menos de um minuto da estação de metrô da rua Park! Escolha Valhala. Para todas as suas necessidades de paraíso viking. (Desculpem. Eu falei para a gerência do hotel que faria uma divulgação. Mas realmente era bem mais fácil voltar para Boston). 

           Ao contrário do que se pode esperar de grande parte das obras atuais que incorpora elementos da mitologia nórdica em seus enredos, a série criada por Rick Riordan aborda elementos pouco explorados, equivalendo o destaque destes ao dos mais conhecidos (como os deuses mais presentes na cultura pop, como Thor, Odin e Loki). Uma das coisas que mais me surpreendeu, por exemplo, foi a escolha do deus que é o pai de Magnus, o que, à medida que o leitor vai imergindo na trama, faz todo o sentido. Outros pontos interessantes são o fato de as informações não serem entregues prontamente ao leitor, ao passo em que este tem de construir suas próprias teorias e unir as pontas soltas juntamente com o personagem principal. E o segundo volume, “Magnus Chase e os deuses de Asgard: O Martelo de Thor”, segue o mesmo modelo. Na trama, seis semanas se passaram desde os acontecimentos de “A Espada do Verão”, e Magnus segue em Valhala como um dos guerreiros einherji de Odin. Após todas as provações pelas quais teve de passar na tentativa de impedir o Ragnarök, sua coragem mais uma vez é colocada à prova, pois o poderoso martelo de Thor está desaparecido, e, sem ele, o deus do trovão não é capaz nem de combater os gigantes que ameaçam invadir Midgard, nem de assistir suas séries favoritas. Uma verdadeira catástrofe, que, como sempre, acaba sobrando para nossos corajosos heróis resolverem. O que posso dizer é que a narrativa de Riordan é consistente, ao mesmo tempo que apresenta surpresas que você pode até ter previsto ao longo da leitura, mas não exatamente. O carisma de Magnus ajuda – e muito – o leitor a se envolver com a história, pois, diferentemente de Percy, do qual acompanhamos o amadurecimento ao longo dos livros, ele já possui maturidade, sarcasmo e um senso de justiça apurados, principalmente por conta das condições que teve de enfrentar nos últimos dois anos antes de o conhecermos. Claro que como todo bom herói há espaço para mudanças e reflexões – ainda mais para alguém que está descobrindo os nove mundos agora -, mas, em outras palavras, Magnus é mais adulto, apesar da pouca idade. Algo que não posso deixar de comentar, e que para mim foi uma das melhores coisas desta série, é a relação com as já conhecidas séries grega e romana, uma vez que Magnus e Annabeth são primos. O autor ainda vai além e relaciona este segundo volume com “As provações de Apolo”, o que só torna as coisas mais interessantes para uma fã incondicional como eu. Ainda temos mais um volume, “O Navio dos Mortos”, que ao que tudo indica será o último (a exemplo da trilogia egípcia), e nem preciso dizer o quanto estou ansiosa para ler, não é mesmo? Então, se você, assim como eu, gostou de Percy Jackson, vai se encantar por mais essa história muito bem contada pelo querido Tio Rick. 

Sobre a Intrínseca

Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.


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