sábado, 12 de novembro de 2016

Resenha: Contos Peculiares


“Prezado leitor, o livro que você tem em mãos foi escrito apenas para olhos peculiares. Se, por acaso, você não pertence à estirpe dos anômalos (em outras palavras, se nunca saiu flutuando da cama no meio da noite porque esqueceu de amarrar a si mesmo ao colchão, se nunca soltou chamas pela palma das mãos em momentos inoportunos, nem mastigou a comida com a boca que tem na nuca), então, por favor, devolva imediatamente à estante que o encontrou e o esqueça. Não se preocupe, você não vai perder nada. Tenho certeza de que, caso lesse as histórias deste livro, apenas as acharia estranhas, aflitivas e nem um pouco do seu agrado. Além do mais, elas não são da sua conta. Muito peculiarmente, O editor”.

Sinopse: “Antes de haver o lar da Srta. Peregrine, a história dos peculiares estava escrita nos Contos. O menino que virou gafanhoto e fugiu com os gansos. A princesa com a língua de cobra à procura de um príncipe com quem se casar. Canibais ricos que comem braços de peculiares. Essas são apenas algumas das histórias reunidas nesta coletânea pelo estudioso Millard Nullings, o menino invisível acolhido no lar da Srta. Peregrine. Passados de geração em geração há séculos, os Contos guardam, em suas histórias sombriamente divertidas, informações valiosas sobre o mundo peculiar. Saiba como foi criada a primeira fenda temporal, acompanhe a batalha das pombas de Londres contra os humanos e descubra detalhes inusitados nos surpreendentes comentários e notas de Millard. Um livro fascinante para qualquer leitor e um delicioso presente para os fãs da série”. 

Título: Contos Peculiares.
Autor: Ransom Riggs.
Páginas: 208 páginas.
Editora: Intrínseca.
ISBN: 978-85-510-0053-3.

 

“Contos peculiares é uma coletânea de nosso folclore mais estimado. Passadas de geração em geração desde tempos imemoriais, as narrativas são, além de históricas, parte conto de fadas e parte ensinamentos morais destinadas a jovens peculiares. Procedem de partes diversas do globo, de tradições tanto orais quanto escritas, e passaram por transformações surpreendentes ao longo dos anos. Sobreviveram por todo esse tempo porque são amadas por seus méritos como histórias, mas não apenas por isso. São portadoras de um conhecimento secreto”. 

Algumas Impressões 

        Em setembro mais uma série entrou para a lista das minhas favoritas: “O Lar (ou orfanato) da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares”, do autor Ransom Riggs. O mês foi especialmente peculiar, com resenhas dos três volumes da trilogia, sessão pipoca da adaptação para os cinemas do primeiro livro e até sorteio dos dois outros em parceria com a Editora Intrínseca. Desde as primeiras páginas a narrativa fantástica do autor me cativou de múltiplas formas, fazendo com que eu desejasse saber cada vez mais do mundo vasto e complexo criado por ele, repleto de possibilidades. No primeiro volume, que leva o nome da trilogia, nos são apresentadas as misteriosas e fantásticas histórias que permeiam o orfanato, primeiramente através dos contos de ninar que Abe Portman passou anos contando ao neto, Jacob, e posteriormente pelas próprias descobertas e aventuras deste segundo. O universo extremamente peculiar criado pelo autor faz com que o leitor se apaixone profundamente, em uma trama repleta de personagens únicos e muito bem construídos (clique para ler a resenha). Já o segundo volume, “Cidade dos Etéreos”, que começa exatamente onde o primeiro parou, cria uma crescente expectativa até nos leitores menos ansiosos, uma vez que o cenário se mostra difuso e nada favorável às crianças peculiares, que partem em uma arriscada jornada (clique para ler a resenha). O desfecho, “Biblioteca de Almas”, reserva inúmeras surpresas mesmo para aqueles que, assim como eu, acompanhavam com entusiasmo e demasiada atenção a narrativa, trazendo, a cada nova página, reviravoltas inimagináveis que tornam o enredo um dos mais cativantes e emocionantes que já li este ano (clique para ler a resenha). Um traço marcante em todos os volumes, a união entre o texto e as curiosas, sombrias e por vezes assustadoras fotografias de época leva a inúmeras descobertas sobre o vasto e intrincado universo peculiar – impelindo o leitor a querer saber cada vez mais.


“Millard Nullings é um renomado filólogo e ex-morador do lar da srta. Peregrine para crianças peculiares. Enquanto viveu lá, obteve mais de vinte diplomas por correspondência, escreveu o mais abrangente relato de um único dia em uma ilhota e ajudou a derrotar monstros terríveis. É alérgico a caspa de urxinim e óleo de amêndoas. Não pode ser visto a olho nu”.

        Como se nos brindar com uma sequência de três livros e uma brilhante narrativa não fosse o bastante, Ransom Riggs ainda encontra formas de nos surpreender e saciar, pelo menos em parte, a curiosidade acerca das muitas particularidades do universo das crianças peculiares, como através da publicação de “Contos Peculiares”, uma coleção de importantes contos da história peculiar, passados de geração em geração por peculiares de todas as partes do mundo. Presente em muitas das passagens da trilogia, algumas das histórias desempenham um papel importante na aventura original, como “As pombas (da Catedral) de St. Paul” e “A história de Cuthbert”. Organizada pelo perspicaz Millard Nullings, o garoto invisível residente do lar da srta. Peregrine e ilustrada por Andrew Davidson (que até onde se sabe possui uma peculiar habilidade com o desenho), a versão mais recente traz também outros oito contos, que se passam nos mais variados lugares e épocas, com peculiares que possuem as mais diversas e curiosas peculiaridades, mas que, acima de tudo, apresentam alguma espécie de lição ou informações importantes para a sobrevivência peculiar. Mesmo que muitas tenham sido escritas em forma de fábulas, os comentários originais de Millard contribuem para o esclarecimento de diversos pontos e afirmam a veracidade dos fatos, além de acrescentar dados históricos e outras informações que julga importantes para o leitor. Uma leitura que deve fazer parte da história tanto de fãs quanto de novos leitores, que, seja a troco de indicação ou pura curiosidade, buscam se aventurar por este mundo desconhecido, original, assustador e magnífico, repleto de peculiaridades.


Sobre a Intrínseca

Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.

2 comentários:

  1. Morro de vontade de ler todos os livros dessa série ♥ Admito que depois que vi que as edições com capas duras vão ser lançadas/estão sendo, fiquei ainda mais tentada a ter na estante. Admito que amo livros peculiares e que despertam esse mundo imaginário e fantasioso que temos em mente e que, por ventura, existe na vida real das entrelinhas ♥ Amei tua resenha, como sempre. Cheia dos detalhes que me deixam curiosa ao extremo rs.

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    1. Eu amei essa série, todos os livros são bons e eu gosto particularmente do último! Mas esse de contos é um amor <3 E fiquei apaixonada pela forma como o autor elaborou a narrativa. Além do mais as edições da Intrínseca são lindas e valem muito a pena! Um beijo <3

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