domingo, 9 de outubro de 2016

Resenha: Meu Nome é Amanda


“Minha mãe sempre soube que eu era diferente. Por exemplo, ela me via com uma calça enfiada na cabeça, correndo pela casa e brincando. Eu usava a calça na cabeça para fingir que eu tinha um cabelo comprido, como minha irmã. Eu também pegava os batons dela escondido para me maquiar, com quatro ou cinco anos de idade. Eu era o único dos irmãos que fazia isso. Uma vez minha mãe me perguntou o que eu queria ser quando crescesse e eu respondi que queria ser mulher. Eu disse que eu era uma menina e queria me tornar uma mulher, como ela”.

Sinopse: “Maroto que é maroto se encontra aqui! Ela conquistou o mundo. Divertida, honesta e com um coração enorme. Amanda Guimarães criou seu canal no youtube, Mandy Candy, e quase instantaneamente ganhou a simpatia de seus seguidores. Ali, a pauta é sempre o seu ponto de vista a partir da sua vivência como uma mulher trans, e a conversa é sempre engraçada, inteligente e direta. Neste livro, Amanda conta sobre o longo período que passou entre saber quem ela era e ser quem ela é. É uma história de superação, transição e aceitação. Mas também um irreverente relato sobre a alegria de viver, amigos, amores, viagens, animes, gostos e desgostos. Tudo isso com o jeitinho que seus fãs adoram. Bem-vindo ao mundo de Mandy Candy!”. 

Título: Meu Nome é Amanda (#trans #mandycandy #youtube).
Autores: Amanda Guimarães e Lielson Zeni.
Páginas: 136 páginas.
Editora: Fábrica231 (Rocco).
ISBN: 978-85-68432-73-0.


“Acho incrível a capacidade (ou seria incapacidade?) das pessoas acharem que por sermos transexuais ou travestis podem expor nossa vida para os outros. Parece que somos animais de circo à disposição dos olhares curiosos. É simplesmente patético. Nos bancos, então, era sempre o mesmo caos. Como eu trabalhava, era necessário abrir uma conta no banco que a empresa indicava. Se isso já é problemático e chato pra quem tem tudo certinho com seu nome, imagina pra quem é trans!”. 

Algumas Impressões 

      Conheci a Amanda, ou “Mandy Candy”, através de seu canal no Youtube e de postagens no Facebook. Assisti a alguns vídeos e achei, acima de tudo, corajoso da parte dela trazer à tona um assunto tão pertinente quanto a transexualidade de forma natural e irreverente. É cada vez mais necessário desmistificar temas como identidade de gênero e orientação sexual, deixando de lado os pré-conceitos e fornecendo informação às pessoas que ainda não sabem o que é (ou no caso de quem se descobre, mas tem muito medo do preconceito, como lidar com isso). Confesso que apenas recentemente comecei a pesquisar sobre o assunto e a ler artigos sobre estes temas, com o objetivo primeiro de sair de um lugar que eu abomino na sociedade: o senso comum. É muito fácil se deixar levar pelas opiniões dos outros quando se vive na ignorância, então pesquisar é a melhor saída para entender melhor – principalmente antes de se falar alguma coisa. Conheço três meninos trans, e é preocupante ver como a sociedade ainda tem relutância em aceitar estas pessoas como elas são. Nem vou me aprofundar na discussão da religião por aqui, pois sou cristã e acredito que Jesus veio para pregar o amor, não o ódio (e ponto). No livro “Meu nome é Amanda”, escrito pela youtuber, que vive em Hong Kong, Amanda narra as várias situações que viveu (e vive), seja antes de se descobrir como trans, quando ainda achava que era um menino homossexual, ou durante o período de transição até a cirurgia de redesignação sexual. 


“Vocês sabiam que a taxa mundial de suicido entre transexuais é VINTE E SEIS VEZES MAIOR que entre as pessoas cis? Entendam que preconceito LITERALMENTE mata pessoas trans e a nossa expectativa de vida é baixíssima. Em duas fases da minha vida, eu estava tão mal, mas tão mal, que a única coisa que eu queria era fechar meus olhos e nunca mais acordar, para que tudo sumisse”. 

       A cada relato de humilhações que sofreu no trabalho e em outros locais, como bancos e até mesmo na rua, eu ficava um pouco mais indignada com o quanto a sociedade é intolerante com o que é “diferente” – e com o quanto muitas pessoas se preocupam em apontar e julgar a vida dos outros. É surreal pensar que o direito de escolha nestes casos torna-se quase seletivo, pois você pode escolher qualquer coisa, menos se aceitar como realmente é. As pessoas simplesmente não se conformam que alguém que “nasceu menino queira se tornar menina” ou vice-versa. Lendo o livro da Mandy pude perceber que a situação é complexa e simples ao mesmo tempo. Pode parecer contraditório, mas nada mais é do que se sentir homem ou mulher, é a forma como você se percebe no mundo, é a tal da identidade de gênero. O complexo é se aceitar desta forma e enfrentar uma batalha diária para que as pessoas respeitem. Quem não vive, não conhece esta realidade ou apenas prefere viver na ignorância, não é capaz de medir as consequências da intolerância, da humilhação e do desrespeito. Atualmente, segundo uma pesquisa de novembro de 2015, o Brasil é o país que mais mata transexuais e travestis no MUNDO. Apenas entre 2008 e 2014, foram mais de 604 travestis e transexuais assassinadas (os) no país, isso sem falar nos casos de violência psicológica (que representam 83,2%) e nos de violência física (32, 68%) que não resultaram em morte (fora aqueles que nem chegam a ser registrados), além dos suicídios. Através de uma narrativa em primeira pessoa, Amanda narra sua própria experiência em uma espécie de biografia, que segue a linha de seu canal: bem humorada, sem preconceitos e nem papas na língua. 



Sobre a Editora Rocco

Há mais de três décadas demonstrando sensibilidade para detectar as tendências do mercado, ousadia na difusão de novas ideias e agilidade de produção, a Rocco se orgulha por ser uma editora sólida e independente, capaz de se reinventar a cada dia para atender aos anseios do público brasileiro. Seus selos são: Rocco, Rocco Jovens Leitores, Rocco Digital, Bicicleta Amarela, Fábrica 231, Fantástica Rocco, Anfiteatro e Rocco Pequenos Leitores.

4 comentários:

  1. Ah que amor <3
    A Amanda é uma fofa e estou adorando ver esse reconhecimento todo que está surgindo <3

    Ainda não li, mas pretendo em breve ..
    Beijos

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    1. A Amanda tem uma história muito bacana, e apesar de assistir aos vídeos eu ainda não conhecia em detalhes! Leia sim, o livro é bem legal! Um beijo : *

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  2. Oi Le!

    Que ótima resenha! Eu acompanho a Mandy desde que ela tinha uns 50 mil inscritos e eu passei a acompanhá-lo em tudo. Eu amo o jeito dela de encarar as coisas, de compartilhar e ser corajosa em uma época que a intolerância tem gritado muito. Eu quase solicitei o livro, mas acabei deixando de lado, mas me arrependo um pouco.

    beijos ♥

    www.anneandcia.blogspot.com.br/

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    1. Ei Anne <3 Muito obrigada! Eu acompanho ela desde essa época também, e é muito bacana ver a forma como ela fala de assuntos considerados tabu pela sociedade. Representatividade é muito importante né. Quando tiver a oportunidade leia sim! Ele é bem bacana <3 Um beijo : *

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