quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Resenha: Magônia


“Inspiro. Expiro. O céu está cheio de nuvens. Uma corda desce do alto, do céu até a Terra. Vejo o rosto de uma mulher a me encarar, e, à nossa volta, centenas e centenas de pássaros. A revoada flui como água, subindo pelos ares, preta e dourada e vermelha, e tudo está seguro e frio, iluminado pelas estrelas e pela lua. Sou pequena em comparação àquilo, e não estou no chão. Sei que todo mundo sonha estar voando, mas este não é um sonho de estar voando. É um sonho de estar flutuando, e o oceano não é feito de água, e sim de vento. Chamo isso de sonho, mas parece mais real que minha vida”.

Sinopse: “Desde pequena, Aza Ray sofre de uma estranha doença incurável que faz com que o ato de respirar se torne mais difícil. Aos médicos só resta prescrever medicamentos fortes na esperança de mantê-la viva. Quando Aza vê um misterioso navio no céu, sua família acredita que são alucinações provocadas pelos efeitos do medicamento. Mas ela sabe que não está vendo coisas, escutou alguém chamar seu nome lá de cima, nas nuvens. A única pessoa que acredita em Aza é Jason, o melhor amigo. Ele, que sempre esteve a seu lado, e por quem ela está secretamente apaixonada. Mas antes que Aza possa fazer algo a respeito, sua saúde deteriora-se drasticamente. E Aza deixa esse mundo para ganhar outro. Magônia. Acima das nuvens existe uma terra mágica de navios voadores, onde Aza não é mais a frágil garota enferma. Em Magônia, ela não só pode respirar como cantar. Suas canções têm poderes transformadores e, por intermédio delas, Aza pode mudar o mundo abaixo das nuvens. À medida que navega por essa nova vida, Aza descobre que a guerra se aproxima. Magônia e a Terra estão em conflito, e o futuro da humanidade agora está em suas mãos. E isso inclui a vida de sua família e de seu amado. Agora, ela precisa descobrir onde está sua lealdade”. 

Título: Magônia.
Autora: Maria Dahvana Headley. 
Páginas: 308 páginas.
Editora: Galera Record.
ISBN: 978-85-01-10588-2.


“Minha história é feita de hospitais. É isso que conto às pessoas quando estou com vontade de ser uma combinação de engraçada com estressante, o que acontece em boa parte do tempo. É mais fácil já ter uma frase pronta do que ser forçada a conversar com alguém cuja expressão no rosto exibe “falsa gentileza”, “falsa preocupação” ou “falso interesse”. Meu método preferido é o seguinte: fazer uma piada, ensaiar uma cara parte humilde, parte bizarra, e sair da conversa em cinco segundos contados”.

Algumas Impressões 

        Criei várias expectativas em relação a este livro, pois, antes mesmo de solicitá-lo na news do Grupo Editorial Record, já tinha pesquisado e lido algumas críticas sobre ele, e a premissa do enredo chamou a minha atenção de uma forma inexplicável. Mas, assim que li as primeiras páginas a narrativa da autora Maria Dahvana Headley fez jus à minha ansiedade e justificou o interesse ainda nas primeiras linhas dos primeiros capítulos. Surpreendente e original, a trama leva o leitor a uma viagem por um mundo extraordinário, na companhia e através da narração de uma personagem cativante, irreverente e de humor peculiar, altamente adepta à ironia e muito distinta, Aza Ray. Aos dezesseis anos, tudo o que a garota conhece é a dor e o sofrimento. Dotada de uma doença rara, misteriosa e aparentemente incurável, a menina não conta com o bom funcionamento dos pulmões, o que faz com que tenha muita dificuldade ao respirar. Como se isso já não bastasse, há também o problema com o coração, os remédios e seus efeitos colaterais (como pele azulada e lábios ressecados), e as idas e vindas infinitas ao hospital. Mas, apesar de tudo isso, ela sabe que pode contar com seu amigo, Jason, que sempre esteve ao seu lado e faz com que seus dias pareçam menos um tormento. Mesmo que em segredo, ele buscava uma cura, e mesmo não encontrando algo que pudesse efetivamente ajudar Aza, se dedicava a fazê-la rir com piadas sem graça e histórias saídas diretamente de uma enciclopédia. É claro que os dois estão apaixonados um pelo outro, mas em segredo. E a vida seguia essa rotina brutal em busca de um tratamento que finalmente funcionasse até que, em meio a uma estranha tempestade, Aza vê velas e o casco de um navio no céu. Como se a situação não fosse surreal o bastante, escuta alguém sussurrar seu nome. Seria outro efeito colateral dos muitos remédios? Ela estava devaneando? Inventando tudo aquilo? À princípio, Jason não acredita nela, mas conta histórias sobre um lugar chamado Magônia, um povo que vive nos céus e que se transformou em lenda, mito, boato ao longo da história. Mas será mesmo que algo extraordinário poderia estar escondido entre as nuvens, no céu?


“Os adultos gostam de falar de morte muito menos do que as pessoas da minha idade. A morte é o Papai Noel do mundo adulto. Só que um Papai Noel ao contrário. O cara que leva os presentes embora, com seu grande saco por cima do ombro, subindo de volta pela chaminé, carregando tudo da vida de uma pessoa e saindo em disparada do telhado com suas oito renas. Com o trenó pesado das lembranças e taças de vidro e panelas e potes e suéteres e queijos quentes e lenços de papel e mensagens de texto e plantas feiosas e pelos de gato tricolores e batons usados pela metade e roupas que não chegaram a ser lavadas e cartas que você se deu o trabalho de escrever, mas nunca o de mandar, e certidões de nascimento e cordões arrebentados e meias descartáveis com rasgos nas solas das visitas a hospitais”.

       Depois de mais uma tempestade, e uma revoada de centena de pássaros, algo inesperado acontece e muda a história da garota para sempre. Ela parte em uma jornada para o céu, literalmente. E quando finalmente acorda, Aza se vê em um mundo fantástico, inimaginável, surreal... nas nuvens. Parece um sonho, mas é real, e ela descobre finalmente quem é, ou melhor, quem sempre foi. Com um enredo de fantasia único e empolgante, Magônia conta uma história de força com muitas reviravoltas, mistérios e também simbolismos. É preciso estar atento a todo o momento e a cada sequência, numa tentativa de absorver todas as maravilhas criadas pela autora, como navios que voam, homens-pássaro, canções que invocam os mais diversos tipos de magia e criaturas fantásticas, como as baleias-tempestade. Além da fantasia, aventura, drama e romance dão o tom nesta narrativa marcada pelo lirismo ao mesmo tempo em que se mostra irônica e dotada de uma franqueza distinta, tudo sob o ponto de vista de Aza. Por outro lado, viva e profunda, além de extremamente apaixonada, sob o ponto de vista de Jason. Personagens bem construídos e uma trama repleta de potencial (e também diálogos muito bem pensados pela autora): é isso que este título de pouco mais de trezentas páginas entrega aos leitores, que se tornam ávidos por chegar ao desfecho tão logo começam a leitura. Confesso que em alguns momentos me senti sufocada, principalmente nas descrições detalhadas do sofrimento de Aza, e por este motivo a considero guerreira bem antes de chegar à Magônia. É um potencial que sempre teve, e um diferencial que a faz mais do que especial: a determinação. Com toda a certeza, e apesar dos pesares (pois sempre criamos expectativas sobre este ou aquele fato ou personagem), uma das melhores leituras do ano, e que deixa saudades até a continuação.


Sobre o Grupo Editorial Record

Uma empresa 100% nacional: o maior conglomerado editorial da América Latina fala português. Com onze perfis diferenciados — Record, Bertrand Brasil, José Olympio, Civilização Brasileira, Rosa dos Tempos, Nova Era, Difel, BestSeller, Edições BestBolso, Galera e Galerinha — o objetivo é sempre trazer o que há de melhor para o leitor brasileiro.


8 comentários:

  1. É aquele livro que eu quero ter por causa da capa, mas as resenhas estão me convencendo a ler por causa da história hauihauihaiuhauhauiha

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    1. Ele tem uma capa maravilhosa mesmo <3 E eu estou seguindo suas dicas direitinho usando folhas de fundo, e está ficando lindo <3 A história é muito bonita também, então leia logo! Hahaha Um beijo :*

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  2. Sou do tipo eclética pra quase tudo, filme, música, roupa kkkk não sou mto de gostar só de um estilo, mas com relação a livros parece que só sei ler romances românticos, quase sempre. Confesso que literatura fantástica não me atrai tanto (tirando Harry Potter, desculpa minha ignorância se não for bem literária fantástica, pq tb n sou profunda conhecedora dessas classificações rsrs) Mas este livro tem algo que me instiga, uma curiosidade surgiu aqui, quase que uma atração rsrsrs acho q vou aí roubar ela na redação do Fleur. Tipo o que acontece no céu? O que ser exatamente Magônia? E essa doença? E esse navio? Enfim... são muitos questionamentos haha

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    1. Realmente miga, pelo que você me falou parece que só lê romances! Esse livro é bem assim mesmo, feito para estimular a curiosidade <3 O enredo é original e eu gostei bastante! Um beijo :*

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  3. Assim que li a sinopse me lembrei muito de Tudo e Todas As Coisas, apesar do enredo em si ser diferente, a história gira em torno de um mesmo "roteiro" rs. Não sei se me entende, mas é isso auhieuh. Eu amei conhecer um pouquinho mais do livro, já tinha visto outras resenhas e sempre me chama atenção. Espero poder lê-lo em breve ♥

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    1. Eu quero muito ler esse livro, fiquei morrendo de vontade quando o pessoal começou a publicar as resenhas <3 Quando ler me conta o que achou <3 Um beijo :*

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    1. Haaa lê sim, eu acho que você vai gostar! Eu fiquei super envolvida com a história! Um beijo : *

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