terça-feira, 18 de outubro de 2016

Resenha: Boa Noite


“Muita gente fala que a faculdade é a oportunidade ideal para escolher quem você quer ser. E não é que já estou vendo alguma verdade nessa afirmação? Minhas aulas nem começaram, mas me sinto diferente. Não tenho certeza se é porque estou tão longe de casa ou porque não estou mais com as pessoas com as quais convivi por anos. Só sei que alguma coisa mudou”. 

Sinopse: “A vida de Alina é normal demais. Boa aluna, boa filha, boa menina. Não que tudo isso seja ruim, mas também não faz dela a garota mais popular da escola. Ao chegar à universidade ela quer deixar tudo para trás e finalmente ser legal. Viver em uma república, fazer novos amigos, enfrentar o preconceito em sala de aula – o curso de Engenharia da Computação é dominado por garotos, e muitos não acreditam que mulheres podem entender de números -, ficar longe de casa... Parece a oportunidade perfeita para se reinventar. Alina logo se adapta à vida na República das Loucuras, aparentemente um pueril prédio de tijolinhos, e faz amigos: Manu e Talita são tão diferentes quanto adoráveis; Gustavo e Bernardo, o namorado de Talita e morador ocasional, também fazem o possível para que ela se sinta em casa – depois do trote, é claro. As coisas começam a complicar quando Alina decide arriscar, deixando de vez o rótulo de nerd esquisitona para trás. Festas, bebida, azaração não fazem parte do cotidiano da menina. Até agora. Essa é a nova Alina e ela pretende fazer diferente. Até que uma página de fofocas é criada na internet, e mensagens sobre abusos e drogas começam a pipocar. Alina não tinha como prever que seria tragada para o meio de tudo aquilo nem que teria a chance de fazer alguma diferença. De uma hora para outra, ela terá que provar do que é capaz e quem realmente é. Tomar cuidado e ao mesmo tempo tentar salvar meninas que estão em perigo. Antes do último suspiro da inocência, a realidade vai se mostrar mais amarga que os sonhos e Alina vai descobrir que, às vezes, sua casa é onde está seu coração”. 

Título: Boa Noite.
Autora: Pam Gonçalves.
Páginas: 238 páginas.
Editora: Galera Record.
ISBN: 978-85-01-10669-8.


“Acho que a maioria das pessoas que chega na universidade espera que a vida tome um rumo totalmente diferente... Obviamente eu também.Tudo que eu quero é começar de novo. É nisso que penso enquanto encaro o prédio de tijolinhos à frente. Só quero deixar tudo para trás e enfim ser alguém”.

Algumas Impressões 

         Acompanho a Pam Gonçalves desde o “Garota It”, e agora assisto religiosamente os vídeos de seu canal no Youtube, onde ela posta resenhas e dá indicações literárias. Quando descobri que ela ia lançar um livro pela Galera Record já comecei a contagem regressiva para tê-lo em mãos, uma vez que, através dos vídeos, os futuros leitores puderam acompanhar todo o processo de criação da narrativa, e assim que o Grupo Editorial Record disponibilizou o título para pedidos na news, eu logo garanti o meu. Quando os livros das parcerias com as editoras chegam aqui na “Redação do Fleur” (vulgo meu Home Office), eu adianto as resenhas dentro de uma estrutura pré-elaborada, já preenchendo a ficha técnica e a sinopse, e quando chegou a vez de “Boa Noite”, confesso que fui acometida por um misto de ansiedade e incertezas ao ler a sinopse. A trama tem como protagonista Alina, uma jovem que acaba de completar o ensino médio e está indo rumo à outra cidade para cursar a faculdade de Engenharia da Computação, um curso dominado por homens e que guarda um forte preconceito contra as mulheres. Sempre “certinha” e nerd, ela deseja com todas as suas forças se tornar alguém diferente, deixando para trás a garota tímida e, nas palavras dela mesma, “normal demais” que sempre foi. Acontece que a premissa da história é que, neste processo de mudança, ela vai conhecer – e ocasionalmente ser arrastada para - uma realidade da vida universitária nada legal, repleta de festas, casos de abusos de álcool e drogas e exposição na internet. Foi neste momento que eu fiquei com um medo tremendo de me decepcionar com a trama, mas a autora guardava surpresas na manga que seriam capazes de me surpreender e modificar a ideia inicial que eu tinha do enredo (e ainda bem por isso, porque a temática é muito interessante).


“Os primeiros dias quase me fizeram desistir. Enquanto eu amava estar com Manu, Talita, Bernardo e até mesmo Gustavo (que disputava comigo o posto de mais irritante pela manhã), odiava a minha turma. Não pensei que fosse ligar para a proporção de homens x mulheres na sala de aula – quarenta e seis garotos e quatro garotas. Afinal, somos todos jovens adultos civilizados, que não estão mais no ensino fundamental para insistir em piadinhas sem graça sobre mulheres não terem direito de estarem ali”.

        Ultimamente estou em uma sequência de leituras que caracterizo como “problematizadoras”, pois abordam assuntos extremamente pertinentes, mas que infelizmente não são expostos e discutidos como deveriam. Como, por exemplo, a questão da transexualidade através de “Meu Nome é Amanda” (clique para ler a resenha), dos Transtornos Obsessivos Compulsivos através de “O Herói Improvável da Sala 13B” (clique para ler), e também do mercado de cobaias humanas para testes clínicos e farmacêuticos, com “O Placebo Junkies” (clique para ler). E este livro não fugiu à regra, trazendo à tona uma discussão importante sobre os perigos que rondam as universidades, o abuso de substâncias e de mulheres e também a falta de punição dos estudantes “infratores” (se é que não podemos usar criminosos) em grande parte dos casos. Através de uma trama aparentemente simples, mas que esconde muitas mensagens sobre este período complicado que é a transição da adolescência para a vida de “jovem adulto”, Pam Gonçalves conseguiu abordar de forma interessante e concisa uma realidade que paira parcialmente oculta aos nossos olhos, mas que é presente no dia a dia e precisa ser discutida à exaustão, até que soluções mais eficazes sejam pensadas e os infratores punidos. Ao mesmo tempo em que problematiza, a trama não deixa de lado elementos já conhecidos da fórmula do bom e velho YA, com uma boa dose de romance, amizade, superação e força de vontade, e a descoberta de que mudanças são sim necessárias, mas que o mais importante é ser quem você é – e se sentir bem com isso.


Sobre o Grupo Editorial Record

Uma empresa 100% nacional: o maior conglomerado editorial da América Latina fala português. Com onze perfis diferenciados — Record, Bertrand Brasil, José Olympio, Civilização Brasileira, Rosa dos Tempos, Nova Era, Difel, BestSeller, Edições BestBolso, Galera e Galerinha — o objetivo é sempre trazer o que há de melhor para o leitor brasileiro.


8 comentários:

  1. Nossa eu estava ansiosa por esta resenha, lembra que a gente fico super confusa com a sinopse. É me parece que você gostou, e que a história surpreendeu, estou curiosa pra ler rsrsrs bjsss

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    1. Sim, eu fiquei com muito medo de não gostar da trama por causa de algumas coisas da sinopse, mas no fim me surpreendeu a forma como a Pam trabalhou tudo! Um beijo :*

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  2. A Pam escreve bem demais ♥ Li recentemente O Amor nos Tempos de Likes e achei que a história dela foi uma das melhores. Não costumo acompanhar os vídeos, mas de vez em quando dou uma olhadinha e me surpreendo. Quando lançou esse livro, fiquei com a mesma sensação que você, de me decepcionar com a trama, mas depois fui lendo sobre e tô ansiosa para ler. Tua resenha tá boa demais, espero ter as mesma impressões.

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    1. Ainda não li "O Amor nos Tempos de Likes" mas já estou louca para ler! Assim que terminei a última página desse já bateu a vontade kkkkkk Eu gostou bastante dos vídeos dela, a forma como se expressa e o conteúdo em si sabe <3 Obrigada! Um beijo :*

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  3. Tô muito ansiosa para ler os livros da Pam em especial esse que parece ser bem mais elaborado que o outro de contos com os amigos.

    Eu também acompanho ela desde o blog e acho que é por isso que eu quero tanto ler. Ela tem um gosto muito parecido com o meu e como ela lê muito eu acredito que o livro deva ter ficado bom. Depois dos livros de youtubers eu meio que peguei um trauma. Mas pela resenha deu pra ver que ela soube falar dos assuntos polêmicos e isso me deixa super feliz.

    Eu gosto muito de livros com essa temática então acho que eu vou gostar e não vejo a hora de ler.

    Beijos!
    http://www.prateleiracolorida.com.br

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    1. Sim, eu ainda não li o outro, mas já li outras resenhas e tive a mesma impressão! Eu quis ler primeiro por ela, e apesar de ter ficado um pouco receosa com a sinopse curti bastante a trama. É simples mas necessária sabe. Um beijo <3

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  4. Acompanho o trabalho da Pam no seu canal, mas ainda não li esse livro. Apesar da curiosidade, acho que não é o meu tipo de leitura favorita, mas achei interessante essa abordagem "problematizadora" de assuntos que precisam ser discutidos de maneira mais clara, quanto mais falarmos sobre esse tipo de questões, mais perto estaremos de combater os diversos tipos de preconceitos da nossa sociedade. Beijos :*
    Colorindo Nuvens

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    1. Também acompanho e gosto bastante da forma como ela fala dos livros e etc. O livro é bacana, principalmente por conta da temática, mas claro que tiveram coisas que acho que poderiam ser abordadas de forma diferente. Mesmo assim, concordo com você, é sempre bom colocar esses assuntos em pauta! Um beijo : *

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