sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Sessão Pipoca: O Lar das Crianças Peculiares


Sinopse: “Após uma tragédia familiar, Jacob Portman (Asa Butterfield) vê sua vida ser virada de cabeça para baixo. Na tentativa de superar a morte do avô e seus infinitos mistérios, contados a ele através de contos de ninar durante a infância, Jake vai parar em uma ilha isolada no País de Gales buscando informações sobre o passado do avô, da época em que ele viveu no orfanato da ilha sob os cuidados da Srta. Peregrine (Eva Green). Investigando as ruínas da casa, ele acaba encontrando um fantástico abrigo para crianças com poderes sobrenaturais, preservadas durante setenta anos por uma fenda temporal. E é a partir daí que ele decide fazer de tudo para proteger o grupo de órfãos peculiares dos terríveis etéreos”.

Título: O Lar das Crianças Peculiares.
Duração: 2 horas e 07 minutos. 
Direção: Tim Burton.
Gênero: Aventura, Fantasia, Família. 
Lançamento: 29 de Setembro de 2016. 


Algumas Impressões

        Há duas formas distintas de se enxergar a adaptação de Tim Burton para a obra de Ransom Riggs. Na perspectiva de um expectador sem o background da leitura, que foi ao cinema para conferir mais um filme deste cineasta que é, acima de tudo, muito peculiar no que diz respeito à suas produções, o longa carrega a abordagem sombria já característica de Burton, criando mais uma vez um universo onde a distinção entre bem e mal não seja extremamente estereotipada, com uma dose extra de senso de humor e, contrariando a regra, sequências divertidas (podemos tomar como exemplo um dos melhores filmes de sua carreira, a animação “A Noiva Cadáver”). Baseado especificamente no primeiro livro da trilogia “O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares”, o filme é a tradução da veia criativa de Burton em suas ideias mais loucas, além de carregar várias referências a filmes anteriores do cineasta, como Frankenweenie, O Estranho Mundo de Jack, A Fantástica Fábrica de Chocolate e Os Fantasmas se Divertem. Inclusive, o próprio Tim Burton faz uma participação especial no longa, aparecendo em uma das sequências mais surreais, que por um acaso é o ápice da trama. Já na perspectiva do leitor da série, o filme “O Lar das Crianças Peculiares” preserva vários traços da obra original, contudo, o desfecho passa longe de ser o imaginado e algumas expectativas podem ser frustradas. O que acontece é que a necessidade de se encerrar a trama em suas pouco mais de duas horas fez com que o enredo chegasse ao fim com um desfecho alternativo e com características a La “Sessão da Tarde”, com direito a guerra de bolas de neve, doces e esqueletos, tudo ao som de uma atual batida pop. Se você, assim como eu, leu os três livros da série, deve estar se perguntando de onde isso saiu.


        Entretanto, o conjunto se mostra extremamente harmonioso, em uma aventura infanto-juvenil pensada, acima de tudo, para agradar o grande público e conquistar novos fãs. Se os livros de Riggs são uma mistura de fendas temporais e crianças com poderes extraordinários, a mente criativa de Burton transformou a adaptação em algo cativante e com personalidade própria, explorando habilmente questões mais pesadas dos títulos e acrescentando detalhes que fizeram todo o sentido nas telas (como a questão dos olhos). A trama gira em torno de Jacob Portman (Asa Butterfield), um garoto solitário que sofre um grande baque com a morte do avô, Abe (Terence Stamp). Diagnosticado com estresse pós-traumático por jurar ter visto um monstro matar o ente querido, ele parte com o pai em uma viagem para o País de Gales, uma sugestão de sua terapeuta para que o garoto encerre de vez o assunto ao descobrir mais sobre o passado misterioso do vovô Portman. Lá, ele encontra as ruínas de uma antiga mansão, bombardeada em 1940, que abriga uma fenda temporal sob a responsabilidade da Srta. Peregrine (Eva Green), cuja missão é proteger as crianças peculiares das quais ele já ouvira tanto falar através das histórias do avô. Só que elas são muito mais reais do que ele poderia imaginar. A cargo de nota, se tem algo que me chateou profundamente foi a troca de poderes entre as personagens Olive e Emma (além da idade das crianças), o que, a meu ver, era desnecessário. Os etéreos, descritos como criaturas dotadas de forla descomunal e com características bem próprias nos livros também não foram representados de uma forma muito satisfatórias, acabando parecidos com um dos vilões do herói Homem-Aranha, o Venom. Por outro lado, os pais de Jake são retratados à perfeição, sempre céticos e desinteressados, afirmando o tempo todo que ele está louco apenas por não serem capazes de compreender o mundo peculiar (inclusive, o pai dele é um idiota, e isso foi reforçado no longa pela atuação do ator escolhido para o papel de forma bem evidente). Outro ponto que merece destaque é a impecável direção de arte, com figurinos e maquiagens incríveis, além do uso de efeitos especiais e do 3D, que soube aproveitar a profundidade dos cenários. Com seus altos e baixos, o filme é divertido e bastante criativo, e um dos melhores dirigidos por Burton até agora. Criando oportunidades em diferentes sequências para que os peculiares possam mostrar suas habilidades (e também acrescentando algumas novas), o longa abre as portas para este vasto e complexo mundo peculiar de Riggs, cultivando a expectativa de possíveis sequências.


6 comentários:

  1. Eu ainda fico meio confusa com relação a esse livro/filme. Pensava que era de terror mas depois de ler algumas resenhas não parece ser terror...
    Quero assistir para matar essa dúvida, hahah
    Beijo!

    Sorriso Espontâneo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então, ele não é terror, mas é sombrio por conta da temática. Tem aquela pegada circos de aberrações que existiam antigamente, mas com uma abordagem excelente e um mundo bem complexo. Eu amei os três livros do autor! O filme continuou um pouco sombrio, mas trouxe muito mais humor, talvez para alcançar um público mais amplo. Um beijo!

      Excluir
  2. Misericórdia, já estreou? Eu achava que se um dia eu fosse ficar deslocada dos lançamentos da cultura pop em geral, seria aos 35, nos meses do puerpério e olhe lá. Minha vida e esse terno papel de trouxa.

    Eu sou o primeiro tipo de público que você descreveu, não li ainda, mas isso que você falou nas referências é justamente o que me cança no trabalho do Burton, parece que todos os filmes dele se passam dentro de uma caixinha e eu não aguento mais entrar lá e ver uma história toda contaminada pela mesma fotografia, pelas mesmas referências e pelo mesmo climão. Tem muitos lugares em que a fórmula funciona, mas tem lugares que só estraga mesmo (odiei a Fantástica Fábrica dele). Preguicinha de assistir, mas né, vamos seguir pra comentar com as miga.

    beijo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Já! Eu não aguentei a ansiedade e fui ver logo no dia da estreia.Nem me fale em papel de trouxa, porque apesar de eu estar ligada nos lançamentos literários e de alguns filmes, eu sou uma negação com séries e estou atrasada em tudo. Não dá para fazer tudo de uma vez né, o tempo não colabora. Pois é, isso é muito característico do Burton, porque parece que ele cria um mundo que só pode existir ali com elementos próprios e etc. Só que a diferença é que esse mundo em particular não saiu da mente dele e é muito mais vasto e complexo e com mais potencial do que ele conseguiu demonstrar. Achei algumas mudanças desnecessárias e algumas sequências meio nada a ver mesmo, mas vida que segue né kkkkkk No fim é um bom filme. Um beijo!

      Excluir
  3. Ai meu deus Le!

    Eu preciso ler e ver esse filme logo. Haha. To cada vez mais ansiosa, mas ainda não tive tempo e queria ver o filme essa semana, mas queria ler o livro antes snif snif :(

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim! E por favor, quando assistir vem aqui comentar ele comigo pelo amor de Jesus KKKKKK Eu fiz um esforço danado mas consegui cumprir o especial peculiar e ler os três livros antes do filme. Por um lado foi bom saber a história, e por outro não, porque eu fiquei frustrada com algumas expectativas que criei. Maaaas, vida que segue e é um bom filme! Um beijo : *

      Excluir