quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares


“Na minha infância, vovô Portman era a pessoa mais fascinante que eu conhecia. Ele tinha crescido em um orfanato, lutado em guerras, cruzado oceanos a bordo de navios a vapor e desertos a cavalo. Foi artista de circo, sabia tudo sobre armas, defesa pessoal e sobrevivência na selva, e falava pelo menos três línguas além do inglês. Tudo parecia absurdamente exótico para uma criança que nunca saíra da Flórida, e, sempre que o via, eu implorava que me contasse mais uma de suas histórias. Ele sempre me atendia e contava como se fossem segredos que só pudessem ser confiados a mim”.

Sinopse: “Uma ilha misteriosa. Um orfanato abandonado. Uma estranha coleção de fotografias muito peculiares. Tudo está à espera para ser descoberto em O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares, um romance inesquecível que mistura ficção e fotografia em uma experiência de leitura emocionante. Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares: elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo... E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas. Uma fantasia arrepiante, ilustrada com assombrosas fotografias de época, O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares vai deliciar jovens, adultos e qualquer um que goste de uma boa aventura sombria”.

Título: O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares (Livro 01).
Autor: Ransom Riggs.
Páginas: 336 páginas.
Editora: Leya.
ISBN: 978-85-441-0284-8.


“De algum modo, eu os reconheci, mas não sabia de onde eram, como se fossem rostos de um sonho de que não nos lembramos direito. Onde será que eu os vira antes? E como eles sabiam o nome do meu avô? Então eu entendi. As roupas deles eram estranhas mesmo para o País de Gales. Tinham rostos sérios e pálidos. Os retratos espalhados no chão ao meu redor olhavam para mim do mesmo modo que os garotos lá em cima. De repente, compreendi. Eu os vira nas fotografias”.

Algumas Impressões 

       Jacob é um garoto de dezesseis anos que cresceu ouvindo as histórias fantásticas de seu avô Portman sobre as aventuras que viveu e as crianças incríveis que conheceu no orfanato em uma ilha que não pode ser descrita por nada menos do que mágica em sua infância, em plena Segunda Guerra Mundial. As crianças, chamadas de peculiares, possuíam habilidades fantásticas, desde serem capazes de flutuar e lançar bolas de fogo pelas mãos, a super força e a capacidade de tornar-se invisível, e viviam há anos sob a tutela da Ave, a Srta. Peregrine. Ao ouvir as histórias e ver as fotografias guardadas como lembrança da época em que passara no orfanato, o pequeno Jacob sonhava em viver suas próprias aventuras, à semelhança das vividas pelo avô. Até que, com a idade, parou de acreditar nele. O que antes era visto com assombro e admiração pelo garoto, passou a configurar devaneios e problemas decorrentes da idade do avô, que, com a velhice (somada ao trauma de perder sua família durante a guerra e ter de viver em um orfanato como refugiado em um país que não era o seu) usava das histórias para mascarar a dor e o sofrimento. Pelo menos era isso que Jacob e sua família pensavam. Em um enredo divido em antes e depois, o garoto vê sua vida mudar drasticamente após uma tragédia familiar, e, na busca de compreender qual a verdade por trás das histórias do avô, acaba descobrindo coisas sobre o passado – e também sobre ele mesmo - que não poderia imaginar nem em seus mais loucos sonhos (ou pesadelos).


“Virei-me na direção da janela e olhei lá para fora, maravilhado. O quintal estava cheio de crianças; quase todas eu reconheci das fotografias amareladas. Algumas descansavam à sombra de árvores frondosas, enquanto outras jogavam bola e corriam atrás umas das outras em meio a canteiros de flores que explodiam em cores. Era exatamente o paraíso que meu avô me descrevera em suas histórias. Essa era a ilha encantada; essas eram as crianças mágicas. Se eu estava sonhando, não queria mais acordar. Pelo menos, não por um bom tempo”.

       Neste primeiro volume da série “O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares”, do autor Ransom Riggs, somos apresentados às fantásticas e misteriosas histórias que permeiam o orfanato, localizado em uma ilha remota no País de Gales, onde vivem as crianças peculiares – mas não exatamente na época em que nos encontramos. Com uma trama complexa e que transborda potencial – seja para as adaptações cinematográficas ou a publicação de muitos outros livros – o universo peculiar criado pelo autor cativa o leitor por sua narrativa fantástica, permeada por personagens únicos, de diferentes personalidades e muito bem construídos, que fazem com que o leitor mal perceba o tempo passar à medida que as páginas vão terminando. Quando nos damos conta, todas já foram lidas, deixando uma sensação desesperadora por saber mais. Sou louca pelo gênero de fantasia, e apesar de uma premissa aparentemente simples, a trama de Ransom Riggs tem muito a ser descoberto, dentre crianças com habilidades fantásticas e inusitadas (como um estômago cheio de abelhas ou uma segunda boca na nuca), criaturas aterrorizantes fruto da própria ganância e fendas temporais. Todos temos nossas peculiaridades, basta apenas descobrir e aceitar a sua. Este é um daqueles livros com leitura mais do que recomendada, um dos favoritados do ano. Inclusive, não aguentei nem um segundo e já estou lendo o segundo volume, esperando com ansiedade a adaptação para os cinemas, que chega às telonas ainda este mês, no dia 29! Esse primeiro livro foi lançado pela Editora Leya, mas a Intrínseca, que publicou os outros dois e lança este mês o de contos, anunciou hoje que publicará em Novembro este título também em capa dura, assim como “Cidade dos Etéreos” e “Biblioteca de Almas”. Mal posso esperar para tê-lo na coleção!


2 comentários:

  1. A capa desse livro me dá um medinho real, e ai, tinha muitas ressalvas quanto a lê-lo. Mas fui no cinema esses dias, e sério, o trailer me fez mudar totalmente a perspectiva e agora tô aqui pensando como eu poderia já ter lido esse livro!
    Agora esse vai ser mais um dos livros que eu vou ler depois do filme!
    :P

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    1. Ele é ótimo, eu também achava que ia ser muito assustador, porque as fotos e a capa dão essa impressão, mas é muito tranquila e mais fantasia do que outra coisa. O trailer ficou muito bom, e em se tratando de Burton estou ansiosa crendo que vai ficar bem semelhante ao livro. Amei e recomendo viu! Um beijo : *

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