segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Resenha: O Herói Improvável da Sala 13B


“O garoto inspirou enquanto a porta se abria. Era como se soubesse. A garota entrou na sala e, no intervalo de um batimento cardíaco, ele estava perdido. A garota caminhou na direção do semicírculo de cadeiras, sem exatamente sorrir mas também sem hesitar. Era mais velha, com certeza. Provavelmente. Então era inútil, óbvio. Ela se sentou diretamente à sua frente, na outra ponta do semicírculo. Sem levantar os olhos, ela cruzou suas pernas geniais e perfeitas e jogou uma longa trança de cabelos negros para trás. No momento em que soltou o ar, o garoto estava apaixonado”.

Sinopse: “Adam Spencer Ross tem quase 15 anos e precisa lidar todos os dias com os problemas que resultam do divórcio dos pais e das necessidades de um meio-irmão amoroso, mas totalmente carente. Acrescente a tudo isso os desafios de seu transtorno obsessivo-compulsivo, e é praticamente impossível para ele imaginar que um dia irá se apaixonar. Porém, no instante em que conhece Robyn Plummer no Grupo de Apoio a Jovens com TOC, Adam fica perdida e desesperadamente atraído por ela. Robyn tem uma voz hipnótica, olhos azuis da cor do céu revolto e uma beleza estonteante que faz o corpo de Adam doer. Ela também acabou de ter alta de um programa de tratamento psiquiátrico – do tipo para onde vão os piores e mais difíceis casos; do tipo que Adam e os outros membros do grupo de apoio farão de tudo para não ir. Adam está determinado a protegê-la e defendê-la – ser o Batman para sua Robyn – a qualquer custo. Mas é possível ter uma relação “normal” quando sua vida está longe de ser isso? Repleto de momentos de profunda emoção e outros de inesperado humor, O herói imporvável da sala 13B explora as complexidades de viver com TOC e oferece perspectivas de esperança, felicidade e cura”.

Título: O Herói Improvável da Sala 13B.
Autora: Teresa Toten. 
Páginas: 320 páginas.
Editora: Bertrand Brasil.
ISBN: 978-85-286-2060-3.


“E, apesar de ele nunca ter notado garotas antes, nunca mesmo – tudo bem, um pouco e sem muita atenção, mas não de verdade -, Adam sabia que precisava salvá-la ou morrer tentando. Ele a amava profundamente, loucamente e mais intensamente do que poderia acreditar ser possível apenas minutos antes. Robyn, a sua Robyn, precisava de alguém heroico – um vitorioso, um cavaleiro -, e ele seria aquilo. Por ela, Adam seria e poderia ser normal e destemido. Ele queria tanto ser destemido. Ele poderia ser. Seria o super-herói dela”.

Algumas Impressões 

        Quando escolho um livro para ler, geralmente levo alguns fatores em consideração, como o gênero (dentre os meus favoritos estão ficção e fantasia) e a temática, além de procurar saber o que a crítica tem falado sobre ele lendo artigos de sites e blogs, e também assistindo o review de canais que acompanho. Contudo, desde que a primeira editora nos escolheu como parceiros no ano passado, este meu “ritual” tem sofrido mudanças, principalmente com a inclusão de novas temáticas e gêneros que antes eu nem mesmo pensava em dar uma chance. As parcerias têm ampliado meus “horizontes literários”, me proporcionando a oportunidade de conhecer novos e excelentes autores e autoras e suas respectivas obras, com uma capacidade singular para despertar no leitor os mais profundos sentimentos, de um extremo ao outro. Logo que vi “O Herói Improvável da Sala 13B” como uma opção na news do Grupo Editorial Record, o livro me chamou a atenção, primeiramente pela capa e depois pela sinopse, que apresentava um enredo sobre TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) através de uma abordagem diferente de tudo o que eu já tinha visto. À medida que iniciei a leitura, me deparei com uma realidade por vezes dolorosa e extremamente detalhada nas páginas, entre rituais de liberação, a necessidade de contar, ordenar e catalogar, transtornos alimentares, hipocondria, entre outros. Enfim, as várias facetas de um assunto extremamente sério, e que em muitos dos casos é visto apenas como “uma bobagem” ou mesmo como piada. Através de uma narrativa em primeira pessoa trazida ao leitor pela voz de Adam, um personagem forte e complexo ao mesmo tempo em que é frágil e por várias vezes refém de seus sintomas, descobri mais acerca dos gatilhos e sobre o transtorno em si, mas também sobre como se sentem as pessoas que convivem com ele diariamente, em suas múltiplas formas.


“Robyn sorria e parecia triste ao mesmo tempo. Ele mataria um milhão de dragões por ela. Adam nunca tinha se sentido mais vivo do que naquele cemitério, naquele exato momento. O mundo dele mudou. Ela e ele estavam conversando. Ela e ele eram possíveis. Talvez. Se ele não estragasse tudo. Não estrague tudo, não estrague tudo, não...”.

          Apesar da temática “pesada”, Teresa Toten consegue despertar no leitor as reações – e emoções - mais diversas, onde a trama nos faz rir, chorar, pensar acerca da vida e querer cada vez mais de suas palavras. Não é um livro técnico, muito menos de autoajuda. A sacada mais brilhante da autora está em incluir em uma narrativa instigante - mas aparentemente inofensiva e infanto-juvenil -, informações sobre TOC, exemplificando através de um grupo de personagens original, muito bem construído e repleto de particularidades, que fazem dele o grupo de “super-heróis” da vida real mais estranho e ao mesmo tempo incrível que poderíamos querer - e sob a liderança de Adam / Batman, que nem mesmo sabe o porquê de estar liderando alguma coisa. Todos em busca da cura de seus transtornos e a caminho da felicidade. Outro ponto interessante e que talvez seja o que norteia este livro, é o romance, a descoberta em meio à tempestade de sentimentos conflitantes de um Norte, um objetivo para a melhora (no caso de Adam e Robyn). Este livro me lembrou, pelo menos em certa medida, “As Vantagens de Ser Invisível” (Stephen Chbosky), que li há alguns anos e fiquei um bom tempo na nossa velha e já conhecida depressão pós-livro. Na época a temática do enredo me impactou bastante, principalmente por conta do desfecho (gente, o que foi aquela revelação? Eu chorei dois dias depois daquilo), e não esperava que outro título me levasse ao mesmo nível de emoção tão cedo. Contudo, concordo em gênero, número e grau com o Kirkus Reviews quando diz que, “Adam Spencer Ross vai renovar sua fé em super-heróis da vida real e despedaçar seu coração na mesma medida“. Seja para tentar um gênero diferente ou apenas alimentar sua curiosidade sobre o assunto, é uma leitura mais do que recomendada.


Sobre o Grupo Editorial Record

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2 comentários:

  1. Oi, Letícia. Tudo bem?
    Parece um livro fofo pela resenha e, como você disse, a sinopse e a capa são bem atrativas.
    Fofo embora pesado, como você disse.
    Adorei esse marcador também.

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    Respostas
    1. Ei, tudo sim. E você? O livro é muito fofo mas ao mesmo tempo impactante sabe. Ele joga uma realidade pesada "na nossa cara", e eu achei isso incrível, conhecer um pouco mais sobre o TOC e suas múltiplas manifestações. Obrigada <3 É o do blog :3 Um beijo!

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