sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Resenha: O Adulto


“Dá para dizer rápido se a pessoa quer uma narrativa de bravura e superação. Nesse caso, eu de repente era uma aluna modelo em uma escola pública distante (eu era, mas a verdade não é o que importa), e mamãe só precisava do dinheiro da gasolina para me levar lá (eu na verdade pegava três ônibus sozinha). Ou, se a pessoa quisesse uma história sobre o maldito sistema, nesse caso eu era imediatamente afligida por alguma doença rara. Minha mãe era esperta, mas preguiçosa. Eu era muito mais ambiciosa”.

Sinopse: “Uma jovem ganha a vida praticando pequenas fraudes. Seu principal talento é a capacidade de dizer às pessoas exatamente o que elas querem ouvir, e sua mais recente ocupação é se passar por vidente, oferecendo o serviço de leitura de aura para donas de casa ricas e infelizes. Certo dia, ela atende Susan Burke, que se mudou há pouco tempo para a cidade com o marido, o filho pequeno e o enteado adolescente. Experiente observadora do comportamento humano, a falsa sensitiva logo enxerga em Susan uma mulher desesperada por injetar um pouco de drama em sua vida monótona e planeja tirar vantagem da situação. No entanto, quando visita a impressionante mansão dos Burke, que Susan acredita estar de algum modo amaldiçoada, e se depara com acontecimentos aterrorizantes, a jovem se convence de que há algo realmente tenebroso à espreita. Agora, ela precisa descobrir onde o mal se esconde, e como escapar dele. Se é que haverá alguma chance. 

Título: O Adulto.
Autor: Gillian Flynn.
Páginas: 64 páginas.
Editora: Intrínseca.
ISBN: 978-85-8057-945-1.


“As mulheres que iam em grupo eram fúteis, elegantes, alcoólatras, prontas para se divertir. Aquelas que iam sozinhas, porém, queriam acreditar. Estavam desesperadas, e não tinham um seguro saúde bom o bastante para pagar um terapeuta. Ou não sabiam que estavam desesperadas o bastante para precisar de um terapeuta. Era difícil sentir pena delas”. 

Algumas Impressões

      Antes de qualquer coisa, tenho que dizer que estou numa vibe louca de leitura de histórias de terror e suspense, e, para começo de conversa, estava com saudades de ler algo da autora que começou todo esse hype, a diva Gillian Flynn. Primeiro foi “Garota Exemplar” (clique para ler a resenha), depois “Lugares Escuros” (clique para ler a resenha), e agora, “O Adulto”, um conto de terror e suspense perturbador, apesar de muito curto. Essa mulher sabe acabar comigo, pois, sempre que acho que estou chegando a uma conclusão ela cria reviravoltas surpreendentes nos enredos e praticamente me diz a famosa frase “Sabe de nada, inocente”. Flynn tem o dom de envolver o leitor profundamente na trama, criando uma atmosfera tensa e cheia de probabilidades que o obriga a buscar conclusões e a questioná-las a cada nova passagem. Conseguir capturar a atenção do interlocutor em uma narrativa imersiva de tal modo é coisa para poucos, mas a autora faz isso com maestria, quase nos colocando dentro da história, como observadores escondidos no canto da sala. Ao embarcar na trama, que conta a história de uma jovem inteligente que vive de aplicar pequenos golpes desde pequena, podemos não só ouvir o que dizem os personagens, mas o que estão pensando, através de uma escrita simples e fluída em primeira pessoa. Um ponto que deve ser destacado é a forma como os personagens são construídos, complexos, mas possíveis, e que carregam consigo histórias que o leitor desconhece, mas anseia saber. O desfecho é surpreendente e intrigante, pois deixa uma gama de possibilidades ainda à vista, e cabe a você decidir em qual apostar. Leitura mais do que recomendada! Aliás, não sei se você sabe, mas está rolando na página do Fleur o sorteio de um exemplar de “Caixa de Pássaros” (clique para participar do sorteio), outra história incrível de terror e mistério que já resenhei por aqui (clique para ler a resenha). E aí, curtiu? Já leu alguma obra da autora? Conta aí nos comentários!

Sobre a Intrínseca

Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.


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