domingo, 21 de agosto de 2016

Resenha: Frozen: Mundo de Gelo, Coração de Fogo


“Eles estavam indo atrás dela. Ela escutava os passos pesados ecoando no corredor de concreto. De certa forma, o som era um alívio. Durante dias e mais dias, ela fora deixada no quarto, sozinha, no silêncio total, com pouca comida e água, com o peso da solidão tornando-se cada vez mais opressor, e o silêncio, uma aflição da qual não conseguia se livrar, uma punição por ter se recusado a fazer o que lhe mandaram, uma punição por ser o que era”.

Sinopse: "Bem vindo a Nova Vegas, uma cidade antes repleta de brilho, agora coberta de gelo. Com grande parte do planeta agora destruído, o lugar só conhece uma temperatura: a congelante. Mas certas coisas nunca mudam. O diamante em meio ao deserto de gelo é um parque de diversões hedonista, aberto 24 horas por dia, e nada mantém as multidões longe dos cassinos, independentemente dos rumores de feitiçaria sinistra que os cercam. No coração desta cidade encontramos Natasha Kestal, uma jovem crupiê à procura de uma saída. Como muitos, ela ouviu falar de um lugar místico chamado Azul. Dizem que se trata de um paraíso onde o sol ainda brilha e as águas são azul-turquesa. Mais importante ainda, o Azul é um lugar onde Nat e seus semelhantes não serão perseguidos, mesmo que seu segredo mais obscuro venha à tona. Mas o caminho para o Azul é traiçoeiro, senão impossível de atravessar, e sua única chance é apostar em um grupo de mercenários liderado pelo arrogante Ryan Wesson para conduzi-la a seu destino. Ciladas e perigos os aguardam em cada esquina, à medida que Nat e Wes se veem inexoravelmente atraídos um pelo outro. Mas seria possível o amor verdadeiro sobreviver a mentiras? Corações em chamas colidem nesta trama sobre a maldade do homem e o incrível poder que existe dentro de cada um de nós". 

Título: Frozen: Mundo de Gelo, Coração de Fogo.
Autores: Melissa de La Cruz e Michael Johnston. 
Páginas: 308 páginas.
Editora: Bertrand Brasil. 
ISBN: 978-85-286-2049-8.


“Não havia mais estrelas. Havia apenas Nova Vegas, cintilando, um farol na escuridão. As luzes da cidade sumiam de modo abrupto num arco longo apenas alguns quilômetros adiante. Depois da linha em forma de arco, além da fronteira, tudo era preto, o País do Lixo, um lugar em que a luz desaparecera – uma terra de ninguém, de terrores -, e depois disso, o mar tóxico. E em algum lugar, escondido nesse oceano, se acreditasse no que a voz dizia, ela encontraria um caminho para outro mundo”.

Algumas Impressões 

            Antes de falar qualquer coisa sobre este título, tenho que esclarecer uma coisa: não, o enredo não tem absolutamente nada a ver com a animação (incrível, por sinal) da Disney. Agora, seguindo em frente (e não olhando para o lado), sempre que as News das editoras parceiras chegam por e-mail é complicado optar por esse ou aquele título, isto porque geralmente muitas das opções ou estão na minha lista de leituras ou me chamam muito a atenção. Como sou fã de cenários distópicos, pós-apocalípticos e futuristas – principalmente quando se passam em um planeta Terra pós algum tipo de catástrofe, doença, invasão alienígena e etc. – minhas expectativas para “Frozen: Mundo de Gelo, Coração de Fogo”, dos autores Melissa de La Cruz e Michael Johnston, eram altas. Na trama, o mundo como conhecemos não existe mais, tudo por conta de um desastre envolvendo lixo e outras toxinas, que acabou culminando na transformação do planeta em uma enorme geleira. Além disso, os oceanos estão extremamente poluídos, e as espécies deixaram de existir. Neste cenário extremamente hostil e perigoso, a maior parte da população foi dizimada, e apenas os mais fortes sobreviveram, sendo oprimidos pelo governo e obrigados a trabalhar como escravos. É na cidade de Nova Vegas, uma das poucas existentes depois da destruição, em que a história se passa, onde os seres humanos e o governo temem uma evolução de nossa espécie, os humanos conhecidos como marcados.


         Com a mesma aparência dos humanos considerados normais, a não ser pela cor intensa dos olhos, os marcados são dotados de poderes mentais especiais, como ler mentes, prever o futuro e mover objetos com a força do pensamento. Nossa protagonista, Natasha Kestal (ou Nat), faz parte deste grupo, e vive disfarçada como uma crupiê, que trabalha distribuindo cartas em um cassino da cidade. Seu único objetivo e juntar dinheiro na esperança de chegar a uma espécie de “nirvana lendário” conhecido como Azul, um lugar onde se acredita que as águas ainda são limpas e cintilantes e o sol brilha. Mas encontrar o caminho para este lugar místico e maravilhoso não será nada fácil. Ela precisa da ajuda de um atravessador, e sua única chance é um ex-militar conhecido como Wes, que tem a missão de liderar um pequeno grupo de mercenários rumo ao Azul, mas situações mais do que perigosas os aguardam. Narrada em terceira pessoa e intercalando os pontos de vista de Nat e Wes, a trama tem um começo um tanto confuso, com flashbacks e acontecimentos rápidos demais, o que dificulta a experiência de leitura. E o decorrer dos capítulos não é muito diferente. Apesar de Nat ser uma personagem forte e inteligente e a temática ter muito potencial, ao longo das páginas várias perguntas surgem e não são respondidas, mas, em contrapartida, várias surpresas surgem ao longo da jornada dos personagens, e acabam envolvendo o leitor em um bom ritmo de leitura. Fiquei dividida na hora de escrever esta resenha, pois é um daqueles livros onde é complicado tecer uma opinião concreta, pois, ao mesmo tempo que gostei de vários pontos da trama - como o próprio ritmo de leitura e uma reflexão interessante sobre como seria nossa sociedade pós um desastre natural decorrente da nossa falta de cuidado com o planeta -, não gostei muito das perguntas não respondidas, do desenvolvimento superficial das relações entre os personagens e da continuidade dos fatos. Os autores fizeram um trabalho e tanto proporcionando uma imagem tão bem definida de um cenário futurista mas passível de se tornar real, contudo introduziram muitos elementos que acabaram “deturpando” um pouco o sentido do enredo. De todo modo, não deixo de recomendar a leitura, pois cada leitor tem uma experiência diferente com os títulos, e também porque eu gostei do livro, no fim das contas. Espero que os pontos “negativos” sejam trabalhados de forma melhor nos próximos livros!


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2 comentários:

  1. Apesar de não ter a ver, o enredo me lembra um pouco a animação, mas tenho que concordar que os dois seguem rumos diferentes, mas parece ser incrível, tanto quanto o desenho ♥ Não conhecia o livro, vou dar uma olhadinha nele depois. Adorei a resenha, tá bem explicadinha.

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    1. É, eu fiquei com essa impressão por conta da coisa toda do gelo e etc, mas no fim acabei desistindo completamente dessa ideia KKKK Obrigada <3

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