terça-feira, 30 de agosto de 2016

O fim do BEDA e... Eu sobrevivi!


        Com um título desses já deu para perceber que consegui sobreviver ao Blog Every Day August. Tá, mas como? Bem minha gente, não foi nada fácil. Ao longo do mês cheguei até a comentar em algumas postagens sobre o meu trabalho atual, que acaba ocupando 90% do meu dia, e como tem sido difícil gerenciar o tempo para dar conta de tudo, afinal, a faculdade pode até ter acabado em Julho, mas eu já estou fazendo pós-graduação e um curso de extensão em inglês, além de estar também escrevendo o pré-projeto do mestrado. Isso fora o Fleur, meu “filho-virtual” (para citar a Nerdiva), onde eu tenho livros para ler e resenhar e uma pesquisa diária para trazer sempre um conteúdo bacana para você que lê este bloguinho. E, sinceramente, eu amo fazer isso e não pretendo parar por nada. Amo as experiências que o blog tem me proporcionado ao longo destes quase três anos, as editoras que acreditaram neste projeto e a forma como eu fico feliz e saio dançando feito uma doida pela casa todas as vezes que alguma anuncia que nos quer sim como parceiros (o Fleur e eu, porque somos uma dupla. Bem ao estilo criatura e criador). Amo ver alguns sonhos se tornando realidade, mesmo que pequenos, como os marcadores do Fleur chegando pelo correio e sendo entregues para as pessoas, indo ocupar um lugarzinho na coleção ou marcar aquela história que elas tanto gostam. Inclusive, sou extremamente agradecida pelas pessoas que conheci e ainda conheço por esta blogosfera afora e que acabam ocupando um lugar especial no meu coração. Que, mesmo não me conhecendo pessoalmente, me ajudam, leem sobre as minhas bads da vida nos grupos de interação e me aconselham, dão força e apoiam – e que comentam por aqui sempre que dão uma passadinha. A galera do Blogueiros Geeks, do Liga Nerd Girls, do Vai um Café?, da Liga Blogosfera, do Blogs que Interagem, do Se organizar, todo mundo bloga e do Blogs Up, por exemplo. Foram essas pessoas que me ajudaram com a minha maior bad do mês: o tal trabalho, que eu falei ali em cima, e que consequentemente acabou me “impedindo” de não cumprir minha meta neste BEDA. 

        Não pude postar todos os dias. Pelo menos cinco deles ficaram sem postagens, e não por falta de pautas, por bloqueio criativo, ou disposição. Mas por falta de tempo. Acordo as sete, pego o ônibus às sete e meia e passo a próxima meia hora dentro dele. Às oito da manhã, chego ao trabalho, e só saio de lá às 11h para voltar às 13h. Como minha casa é bem longe, levo minha marmita, e sempre acabo almoçando na loja de quadrinhos (a Side Quest Livraria e Comic Shop, clique para conhecer). Depois que volto do horário de almoço, só saio da empresa às 19h. E lá se vai mais uma hora inteira até conseguir voltar para casa. E quando entro no home office me empenho o máximo possível para que o horário de 20h às 23h seja suficiente para estudar e fazer os trabalhos de inglês e da pós, escrever o pré-projeto do mestrado e as postagens pendentes no cronograma do Fleur, além de fazer minhas leituras de acordo com as metas que estabeleci para aquele período específico (que são baseadas no número de livros que chegam por mês). Isso fora as coisas de casa, como ajudar minha avó com alguma coisa ou só passar um tempo com ela e com as minhas três gatinhas, que ficam o dia todo sozinhas. É coisa pra caramba, mas se fosse apenas isso eu seguiria em frente tranquila, pois sempre fui muito organizada e disciplinada, gerenciando bem o meu tempo. Mas a questão é que ando desanimada, cansada ao extremo. E não fisicamente, mas mental e psicologicamente. Não estou trabalhando exatamente na área na qual me formei, passo muitas horas em algo que não está contribuindo para a carreira que escolhi seguir e isso tem me deixado cada dia mais infeliz. Fora as várias outras situações que acontecem durante a semana (bads profundas). 

      Uma vez li uma postagem da Clayci, no Sai da Minha Lente, falando sobre esta questão de trabalho, com “Dicas para lidar com um emprego que você não gosta” (clique para ler). Na época, ela contou que passou quatro anos em um ambiente de trabalho que não gostava e que, consequentemente, não a fazia bem. Dentre as cinco dicas da postagem a que mais me impactou foi a última, sobre saber a hora de sair. Lembro que, algumas semanas depois, a Clayci publicou outro artigo, dessa vez “Sobre abandonar o seu emprego” (clique para ler), contando que, depois de publicar a postagem anterior, a situação no ambiente de trabalho atual ficou complicada e ela começou a se sentir mal lá, o que fez com que pedisse demissão. Nessa última semana de Blog Every Day August li e reli as postagens da Clayci, e algumas das palavras dela estão praticamente gritando comigo. Sabe quando escrevo uma resenha e digo que, com uma reviravolta ou determinada escolha de palavras, a autora (ou autor) deu “um tapa na minha cara”? Então. 

Foi a melhor coisa que eu fiz! O que quero dizer, aliás, retificar a publicação anterior, é que se houver a possibilidade de você pedir demissão, peça. Se você está insatisfeito com o lugar, saia! Não se apegue a valores reais, e sim pessoais. Se houver possibilidade de fazer acordo com a empresa, ótimo. Agora se eles te enrolarem a ponto de negarem o seu desligamento, não vale a pena brigar. Você é mais do que isso, e a empresa deixa isso claro, quando não querem te mandar embora. Você não vai abandonar o local, vai abandonar o que te faz mal e o que deixa pra baixo. Abandonar pessoas que não acrescentam em nada a sua vida. Você vai abrir mão de algo que impede o seu crescimento. Lembre-se: Faça algo que você acredita e gosta! Se estiver infeliz, peça demissão. É um EMPREGO e você não vai morrer se perdê-lo, mas morrerá um pouquinho a cada dia se continuar nele. SEJA EXIGENTE! Não é só exigir de você, mas exigir respeito. MUDE de postura, de desejo e até de vida se for preciso. O importante é sempre SEGUIR O SEU CORAÇÃO. Saiba ARRISCAR. Faça algo, mas faça agora!” (Sobre abandonar o seu emprego, Sai da Minha Lente).

          Acredito que quando estamos em uma situação que nos deixa “oprimidos” e tristes, temos mais dificuldade em nos impor, tomar uma decisão - aquela atitude que pode mudar tudo. Imagine o seguinte cenário: você acabou de se formar na universidade, está cursando a pós-graduação e se preparando para o mestrado. E essas coisas têm um custo. Não que a minha família não me ajude, pois ajuda muito – afinal, moro com eles. Mas para alguém que trabalha desde os quatorze anos a perspectiva de sair de um trabalho e não arrumar outro somada ao terreno acidentado que é a vida pós-universidade - com questões como “o que eu vou fazer agora?”, “será que consigo uma vaga na minha área?”, “currículos, mais xerox!” ocupando a mente -, é no mínimo assustadora. Não tenho uma palavra de superação sobre o assunto para compartilhar (ainda), mas acredito que as coisas vão se resolver e que, independente do rumo que essa história vai tomar tudo vai dar certo (estou mandando currículos pra todo mundo, e se você aí souber de alguma coisa me fala hein?!). Espero poder voltar aqui para retificar essa postagem, falando sobre como a situação foi resolvida. O mercado de trabalho é difícil, isso é fato, mas, como a Clayci falou, abrir mão de algo que impede o seu crescimento se faz necessário, e é sempre bom rever algumas coisas e mudar de postura. Para ser bem sincera, escrevo este texto numa tentativa, acima de tudo, de motivar a mim mesma. Por mais que o medo do futuro às vezes nos impeça de tomar decisões no presente, nenhum emprego ou pessoa (porque acredito que a máxima também se aplica em outras formas de relacionamento) vale o suficiente para que você se mantenha infeliz, afinal, como bem disse a Clayci “você não vai morrer se sair, mas morrerá um pouquinho a cada dia se permanecer nele”.


12 comentários:

  1. Primeiro Parabéns a você e a todas as meninas que participaram do beda! Eu confesso que nem cogitei a hipótese, por conta do mesmo obstáculo que você está passando no momento: Falta de tempo e esgotamento psicológico. Eu me lembro muito bem dessa publicação da clayci porque na época passava pelo problema e infelizmente, ainda não consegui me livrar dele. Acho que estar morando com o namorado, dividindo um ap é uma carga de responsabilidade muito grande que acaba nos freando bastante, mas vejo que mudar é preciso principalmente se é um trabalho que não me acrescenta em nada e pior (também não é na minha área de formação) Enfim, estamos em uma situação bem parecida, é bem doloroso seguir em uma rotina desse tipo, mas temos potencial para dar a volta por cima. Força para gente!!! Beijos!
    Colorindo Nuvens

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    1. Obrigada! No começo eu estava com um ânimo diferente para fazer esse BEDA, mas ao longo do mês situações foram acontecendo e me sufocando. Esgotamento psicológico é uma coisa complicada né? Porque acaba afetando você de várias formas, impactando no físico também. As pressões que sofremos diariamente e essas novas responsabilidades da vida adulta às vezes nos fazem pensar que não temos saída para os problemas que aparecem ou para uma rotina como essa, que nos oprime. Vai dar tudo certo sim! Um beijo <3

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  2. Tão bom te ler de forma mais pessoal, moça ♥ Eu compartilho dessa tua sensação, sabe? O jornalismo, principalmente, não tem muita área, ainda mais em cidade "pequena" como a minha, ou onde não é muito valorizado como pelo mundo. Mas abrir mão do que nos faz mal é necessário, sim. Inúmeras vezes já pensei em desistir do meu estágio, aí acontece alguma coisa que me anima, depois volta ao desânimo rs. É muito complicado, mas tenho certeza de que as coisas vão se acertar pra ti. E se não estiver contente, não tenha medo de arriscar, pois é assim que a gente amadurece ♥ Parabéns pela correria e por ainda ter tempo para vir aqui e escrever esse texto maravilhoso.

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    1. Awwn <3 Você sabe que eu tenho meio que um bloqueio né KKKK Mas de vez em quando transborda aqui e não dá para não registrar em palavras o que eu estou sentindo. O jornalismo é uma área não muito valorizada, principalmente por conta da questão do diploma. É triste ver que algumas pessoas não nos consideram profissionais, mesmo depois dos anos de faculdade, e que fazem pouco caso do nosso trabalho, do que amamos e escolhemos como carreira. E é algo tão importante! Eu acredito que as coisas vão se acertar e que eu vou conseguir algo na nossa área da comunicação, porque estou correndo atrás e sei que ficar sofrendo em algo que não me acrescenta não é o plano de Deus para a minha vida. Muito obrigada <3

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  3. Moça, como dizem aqui onde moro "vai dar certo!", eu também cheguei a ler esse texto da Clayci e ele me motivou muito a me esforçar e me aventurar a fazer coisas que eu sabia que devia, mas era impedida pelo medo de arriscar. Eu tenho certeza de que tudo vai se acertar, boa sorte <3

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    1. Vai dar sim! <3 Pois é, estes textos da Clayci andam me motivando muito no momento atual, me auxiliando a tomar uma decisão. Muito obrigada <3

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  4. Faz um ano que me formei da faculdade e um ano que com a faculdade foi-se o meu estágio (que por sinal eu amava <3), infelizmente eu não fui efetivada como viviam dizendo que seria e estou até hoje procurando um emprego na minha área. Durante esse ano fiz alguns trabalhos, mas é foda de mais quando você não tem o equipamento adequado para fazer um trabalho e muito menos dinheiro para compra-los (eita profissão cara que é fotografia!), uma vez fotografei uma festa de aniversário, pois naquele dia eu chorei até dormir de raiva que eu senti, porque senti que fiz o prior trabalho da minha vida, fiz o que pude com o equipamento em mãos, mas não era o suficiente, quem contratou o trabalho adorou, mas ela não vê a fotografia da forma como eu vejo. Hoje já nem tanto, mas há algumas semanas eu estava em nível de frustração e insatisfação horroroso, no fim das contas decidi que está na hora de dar meus pulos, vou tentar procurar emprego em qualquer área, pois preciso de dinheiro pra fazer o que eu quero pra valer.
    Ok, esse está sendo um discurso totalmente desanimador hsuahusahuas NÃO QUERO TE DESANIMAR! hsuahuas eu acho que tudo é uma questão de sentir quando é a coisa certa a se fazer, parece meio louco, mas quando uma coisa é certa sentimos lá no fundinho do coração que é isso o que temos que fazer, no momento eu to sentindo que não posso mais continuar nessa condição de sentir pena de mim (e principalmente ódio), preciso seguir em frente e parar de sofrer por não ter conseguido o emprego que tanto esperava. Você vai saber quando estiver tomando a decisão certa <3

    (nossa, que desabafo que eu fiz, DEUS! shauhsauhsua alguém segura meus dedos pra eu parar de digitar!)

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    1. Eu amo seus comentários, sério! Eu sei o que você quer dizer, afinal, entrei nesse emprego para terminar de pagar as coisas da formatura e começar a pós. Mas sabe, ele está atrapalhando mais do que ajudando, e o clima do ambiente é tenso, porque eu me sinto mal constantemente sabe? Fico chateada e frustrada, cansada sem ser fisicamente. E isso está causando um esgotamento psicológico imenso! Fotografia, jornalismo e algumas outras profissões são complicadas porque várias pessoas não vêem nossas carreiras como profissão, mas Deus tem algo de incrível para cada um de nós! Um beijo : *

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  5. Espero que o post tenha cumprido o objetivo de ser uma motivação para você. Saber a hora de largar um emprego, muitas vezes, envolve que esse momento seja propício pra gente não estagnar na vida e/ou criar problemas (pela falta de outro emprego e renda). Estou na torcida para que as coisas se ajeitem. E, até lá, tente buscar uma visão mais positiva da situação. Não quero que isso soe chato. Mas tente pensar em como o trabalho atual é fundamental para o bom andamento das outras áreas da sua vida $$ até que tudo avance por outros caminhos. A ideia é que, com isso, o desgaste emocional diminua um pouco.

    Beijo e boa sorte <3

    Yellow Ever Shine

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    1. Obrigada <3 Sabe, eu acredito que as coisas estão do jeito que estão e o desgaste emocional chegou a um nível alarmante por conta disso mesmo, de não ter mais um lado bom para o qual fugir, ou algo positivo para pensar. Eu já esgotei minhas opções quanto a isso sabe. Só o que penso agora é que não está legal, está fazendo mal. Obrigada pelo comentário! Um beijo : *

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  6. Oi Lettícia, tudo bem?
    Me identifiquei com inúmeras coisas que você escreveu. Assim como você, eu também não trabalho na minha área de formação, mas desde que me formei já se passaram 6 anos. Meu emprego não é ruim sabe? Mas algumas coisas começaram a me incomodar, e uma delas é a falta de prazer pelo que eu faço. Eu queria não apenas ter um bom salário (apesar de que o meu não é lá essas coisas, mas paga as contas) mas queria sentir a realização de está fazendo algo que eu amo fazer. Já pensei inúmeras vezes em sair, mas hoje depois de 6 anos estou um pouquinho enferrujada, mas nunca é tarde pra dar uma reciclada. Espero que você consiga algo na sua área de formação, de verdade. Vou ler os posts da Clayci, talvez eles me ajudem bastante nesse momento.
    forte abraço, foi um prazer conhecer seu blog.
    Amanda Almeida
    http://blog.amanda-almeida.com.br/

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    1. Ei Amanda, tudo sim :) É Amanda,sei como é complicado. E como você falou às vezes nem é tanto pelo retorno financeiro, mas pela sensação de realização, de estar fazendo algo que amamos e ACREDITAMOS. Isso é muito importante, e um dos principais fatores para a minha insatisfação sabe. Vai dar tudo certo, pra nós duas! Um beijo :*

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