segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Games: Street Fighter + Campeonato Girl Power


       Eu não sei se você sabe, mas em fevereiro deste ano a franquia de jogos de luta Street Fighter, criada pela desenvolvedora Capcom - e onde os jogadores controlam lutadores de diversas partes do mundo, cada um com habilidades especiais distintas -, completou 29 anos, o que é bem mais tempo de vida do que muitos de seus fãs. Eu descobri o jogo ainda criança, nos tempos áureos dos arcades, e, anos depois, fui encontrá-lo novamente nos consoles mais recentes. Recentemente, um amigo montou uma empresa especializada em fliperamas (clique para conhecer a Arka Fliperamas), e como uma das máquinas foi para a loja de quadrinhos aqui da cidade (clique aqui para ir até a Side Quest Livraria e Comic Shop), estão sendo realizados campeonatos de Street Fighter II, tanto para os fãs antigos quanto para apresentar o jogo a novos gamers. E como no último dia 13 rolou o campeonato Girl Power (só para meninas), resolvi fazer uma postagem completinha, mostrando as origens desse game e a evolução da franquia. Abordando os jogos da série principal, vamos voltar no tempo na velocidade de um hadouken, então sugiro que insira sua ficha e aperte start! Prontos? Round 1! Fight!

"Dá Hadouken, Ryu!"

       O primeiro Street Fighter foi lançado no Japão, em 1987. No jogo você controlava o lutador de Karatê Ryu, que viajava pelo mundo para enfrentar os dois melhores lutadores de cada país. Ele estava sempre em busca do oponente mais forte, até que encontra o campeão tailandês Sagat. Se você conhece o jogo, já deu para perceber que o enredo permanece o mesmo até as versões mais recentes né? À primeira vista pode parecer que só o que muda é o chefão. Mesmo assim, não se engane, pois, ao contrário do que se pode pensar, esta busca por um lutador mais forte foi um dos poucos elementos que se manteve constante em toda a história do jogo. E ainda bem, porque o primeiro Street Fighter foi um completo fracasso na época. A indústria era bem diferente em 1987, e, apesar de já existirem outros games de luta, a maioria era de progressão lateral cooperativa, e competir no fliperama era algo mais “solitário”, basicamente sinônimo de escolher um game e batalhar pela pontuação mais alta, com os jogadores se alternando no controle do personagem. 

"Street Fighter II" permitia escolher entre oito competidores diferentes (Foto: Reprodução).

        A grande inovação que “Street Fighter” trazia era a possibilidade de uma disputa mano a mano entre dois jogadores, onde o player 2 tinha o comando do americano Ken, um personagem idêntico a Ryu, contudo, com uma paleta de cores diferente. Apesar de a novidade ter causado curiosidade entre os jogadores, a jogabilidade foi o calcanhar de Aquiles desta inovação, uma vez que os comandos eram complexos – principalmente se comparados aos jogos de luta da época –, os controles respondiam mal e os personagens andavam “saltitando”, comprometendo a execução de golpes baseados na combinação de movimentos (os combos). Tudo isso colaborou para que o jogo ficasse praticamente restrito ao oriente, mas a desenvolvedora não desistiu de seus personagens e começou a esboçar o game seguinte, que viria para revolucionar a indústria. A continuação, “Street Fighter II”, chegou em 1991, e o jogo havia sido repaginado, uma vez que agora o jogador podia escolher seu personagem em um rol de lutadores extenso, principalmente para os padrões da primeira metade dos Anos 90. Eram oito competidores com estilos diferentes e extremamente carismáticos, o que mudava totalmente a forma de encarar as lutas. Com comandos muito melhores, a jogabilidade manteve o mesmo layout, só que agora era possível sentir-se realmente no controle do lutador. A única reclamação era a impossibilidade de lutar utilizando os chefões, o que foi resolvido em 1992 em uma nova versão do jogo: “Street Fighter II: Champion Edition”

"Street Fighter II: Champion Edition" permitia jogar com os chefões (Foto: Reprodução). 

         Dessa vez, alcançando o sucesso esperado por seus criadores, o jogo gerou uma moda entre os donos de fliperamas, que passaram a modificar as configurações da máquina para que as partidas fossem mais rápidas, o que acabava permitindo golpes absurdos, como sequências infinitas de magia e teleporte de personagens. Ao observar o quanto as mudanças tinham de potencial mercadológico, a Capcom resolveu incorporar algumas destas edições não licenciadas e lançou “Street Fighter II: Turbo” ainda em 1992, poucos meses depois da versão anterior. Já em 1993, uma nova edição chegou aos árcades: “Super Street Fighter II”. Esta trazia quatro novos lutadores (Fei Long, T. Hawk, Cammy e Dee Jay), o que aumentou o rol de personagens para dezesseis opções. Nesta versão, o sistema de pontuação também foi refeito, o que enfatizava as sequências de golpes, tornando o jogo mais competitivo, mas as partidas eram mais lentas, o que logo foi corrigido, em fevereiro de 1994, com o lançamento de “Super Street Fighter II: Turbo”, onde era possível realizar Super Combos. Considerada a versão definitiva de Street Fighter II, outro diferencial do jogo era a presença do chefão secreto, Akuma.

"Super Street Fighter II", trazia novos personagens, como Cammy (Foto: Reprodução).

       Com seis versões já lançadas, a essa altura o jogo era bem mais do que uma franquia de jogos eletrônicos, mas uma marca que havia se tornado um fenômeno cultural, principalmente por conta da popularidade individual de cada um dos jogadores. Contudo, mesmo com tanta força visual, faltava ao enredo um elo que ligasse os protagonistas – além do chefão final, é claro. Esta falta de profundidade fazia com que o jogo perdesse espaço para outros do gênero, como Mortal Kombat. Diante disso, a Capcom resolveu fazer uma viagem ao passado, e investir numa interquel, uma trama que se passava entre o primeiro e o segundo torneios de Street Fighter para contar melhor a história da saga. E em 1995, surgia o arco de histórias Alpha (Zero, no Japão). Na trama do game, é possível ver o ditador Bison como uma verdadeira ameaça global (não apenas um general megalomaníaco), entender a rivalidade fraterna entre Ken e Ryu e várias outras questões. O jogo foi atualizado em 1996, com o lançamento de “Street Fighter Alpha 2”, que, além de trazer novos personagens, tornava possível para o jogador criar suas próprias sequências especiais ao invés de utilizar os super combos padrão. Uma última atualização da série Alpha ainda chegaria ao mercado em 1998, com “Street Fighter Alpha 3”, que apresentava três modos de jogo (os ISM), sendo: clássico (como o de Street Fighter II), normal (como os demais jogos anteriores à série Alpha) e variável (com os combos customizáveis).

"Street Fighter: Alpha" (Foto: Reprodução).

          Depois do sucesso da volta ao passado dos games Alpha, a franquia passou a apostar no futuro de seus personagens, lançando “Street Fighter III”, em 1997. O game inovou ao deixar de lado quase todo o elenco de personagens já conhecido, mantendo Ryu e Ken mas adicionando uma série de novos lutadores. Além disso, a placa CPSIII da Capcom tornou possível agregar mais quadros de animação aos personagens, o que fez desta versão 2D uma das mais bonitas de todos os jogos da franquia que eles já haviam lançado. O gameplay também foi modificado, e os super combos deram lugar aos Super Arts, onde cada personagem possuía três especiais e, antes da luta, se escolhia qual utilizar. Com uma recepção razoável por parte dos jogadores e o alto custo das máquinas, a Capcom lançou em outubro do mesmo ano “Street Fighter III: 2nd Impact”, que trazia de volta o personagem Akuma e adicionava personagens como Urien (clone do chefão Gill) e o wrestler Hugo (baseado em um personagem de Final Fight). Mas apesar do sucesso desta segunda versão, em 1999 a desenvolvedora lançaria um dos melhores games a receber o nome da franquia: “Street Fighter III: 3rd Strike”. Com os personagens novos já não tão estranhos aos jogadores (mesmo sem o carisma dos de 1991), o game teve grande aceitação, principalmente entre os gamers do cenário competitivo. A galeria de lutadores também foi expandida, e outros lutadores voltaram ao rol, como a chinesa Chun Li.

"Street Fighter III" (Foto: Reprodução).

           Porém, os fãs ficariam sem novos lançamentos por quase uma década. Mas apesar de um hiato de nove anos, isso não abalou a expectativa dos jogadores por um novo Street Fighter, o que fez com que, em 2008, “Street Fighter IV” vendesse mais de 1, 1 milhão de cópias. Com versões domésticas e para os árcades, o segredo do sucesso foi a volta às origens, onde os desenvolvedores optaram por unir o clássico e o moderno. De um lado, a volta de personagens queridos dos fãs, de outro a nova modelagem proporcionada pela tecnologia 3D. Em 2010, o game foi atualizado (afinal, se não fosse não seria um jogo da Capcom), e “Super Street Fighter IV” chegou ao mercado, com mais lutadores e a capacidade do jogador escolher o especial do lutador com antecedência (assim como em Street Fighter III). Entretanto, uma versão com mais modificações foi lançada apenas para os fliperamas, a “Arcade Edition”, que trazia uma versão maligna de Ryu (um Akuma possuído pelas energias malignas) e dois brigões pra lá de apelões: Yun e Yang. A popularidade destas últimas mudanças fez com que a edição fosse liberada mundialmente para os consoles, e, em dezembro de 2012, o jogo recebeu sua penúltima atualização: “Super Street Fighter IV AE v. 2012”. 

"Super Street Fighter IV", lançado em 2010 (Foto: Reprodução).

         Já deu para perceber que, se depender da desenvolvedora e de seus jogadores, Street Fighter terá continuações infinitas né? A versão mais recente a chegar ao mercado, “Street Fighter V”, foi lançada em fevereiro deste ano, exclusivamente para o console PS4 e para PC. Inicialmente, o jogo conta com dezesseis personagens liberados (como Ryu, Laura, Chun Li e Ken), mas aos poucos outros personagens serão lançados de acordo com as atualizações do jogo. Com novas mecânicas de jogo e habilidades especiais únicas para os personagens, uma das grandes novidades desta versão é a possibilidade multiplayer entre plataformas, o que torna possível jogadores de PS4 enfrentarem os que estão jogando através do computador. Vale citar também as versões especiais produzidas pela Capcom, como “Marvel Super Heroes vs. Street Fighter” (lançado para arcade em 1997, para o console Sega Saturn em 1998 e para Playstation em 1999) e “X-Men vs. Street Fighter” (lançado para arcade em 1996, para o console Sega Saturn em 1997 e para Playstation em 1998). 



       Ufa! Quanta coisa! Mas, sabe o evento sobre o qual eu falei lá em cima? O Campeonato Girl Power de Street Fighter II é o segundo a ser realizado através da parceria entre a Arka e a Side Quest, e, como o primeiro obteve sucesso mais do que o esperado (parece que mais gente ama essa franquia do que se podia imaginar hein?), os organizadores resolveram apostar em mais uma edição, só que dessa vez voltada exclusivamente ao público feminino, com o objetivo de incentivar cada vez mais meninas a participarem do meio gamer de uma forma que as deixe mais à vontade, além de confiantes para participar de futuros campeonatos de gênero misto. Segundo um dos responsáveis, Kiliano Lopes, a versão “Street Fighter II” foi escolhida principalmente por conta da facilidade de aprendizado do jogador. “Jogos de luta não são nenhum bicho de sete cabeças, e exatamente a simplicidade do game faz com que até alguém bem iniciante consiga ter um desempenho muito bom. O foco do torneio é ser uma brincadeira, melhorando o contato social e, aos poucos, construindo uma comunidade”, explica.


          Antes do dia oficial do campeonato, rolou um dia livre para as inscritas, onde a máquina ficou liberada para que pudéssemos aprender a jogar, treinar ou simplesmente socializar com as outras participantes. Na ocasião do torneio, os três primeiros lugares ganharam pôsteres, e o primeiro lugar ficou com 100% do valor das inscrições em créditos na Side Quest Livraria e Comic Shop (tem loja online, vem conhecer!). Eu confesso que fazia muito tempo desde a última vez em que tinha sequer tentado algo em um fliperama (eu adorava Pac-Man, Donkey Kong...), mas meu desempenho não foi tão ruim, afinal conquistei o segundo lugar (quase o primeiro!) em uma disputa apertada. O bacana é que interagimos, aprendemos juntas e, principalmente, deixamos de lado de uma vez por todas essa ideia ultrapassada de que “game é coisa de menino” (além de mostrar para todo mundo o nosso Girl Power, convenhamos). E aí, curtiu? Já jogou Street Fighter? Curte algum game e quer indicar? Conta aí nos comentários!


2 comentários:

  1. Que iniciativa ótima! Acho que hoje a coisa dos jogos está bem mais igualitária do que na época em que eu conheci o Street Fighter (só que eu era mais #TeamMortalKombat), mas ainda tem muito o que melhorar e ações assim são super legais pra ajudar nisso.

    Parabéns pelo segundo lugar! :D

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    1. Sim! Eu achei super legal porque, apesar dos mistos serem bacanas também eles são muito competitivos e algumas meninas não se sentem à vontade para jogar. Ha eu jogava os dois KKKK Sempre gostei demais! Obrigada <3 Um beijo : *

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