domingo, 24 de julho de 2016

Resenha: Caixa de Pássaros


“Nos últimos dias a internet enlouqueceu com uma história que as pessoas estão chamando de “Relatório Rússia”. Nela, um homem que viajava de carona num caminhão por uma estrada nos arredores de São Petersburgo pediu ao amigo, o motorista, que parasse o carro, então atacou-o e arrancou os lábios do colega com as unhas.Depois, tirou a própria vida na neve, usando a serra de mesa que estava na carroceria do caminhão. Uma história pavorosa, cuja notoriedade Malorie atribuía à maneira aparentemente ilógica da internet de tornar fatos aleatórios famosos. Mas então uma segunda história surgiu”.

Sinopse: “Em um mundo de recursos escassos, olhos vendados e um terror persistente, encarar os próprios medos é apenas o início da viagem. Quatro anos depois de tudo ter começado, restaram poucos sobreviventes, incluindo Malorie e seus dois filhos pequenos. Morando numa casa abandonada próxima ao rio, ela sonha há tempos em fugir para um local onde sua família possa ficar em segurança. Mas a jornada que têm pela frente será assustadora: 32 quilômetros rio abaixo em um barco a remo, vendados, contando apenas com a inteligência de Malorie e os ouvidos treinados das crianças. Uma decisão errada e eles morrem. E ainda há alguma coisa os seguindo. Será que é um homem, um animal ou uma criatura desconhecida?”.

Título: Caixa de Pássaros: Não Abra os Olhos. 
Autor: Josh Malerman.
Páginas: 272 páginas.
Editora: Intrínseca.
ISBN: 978-85-8057-652-8.


“Não há gráficos acompanhando a notícia. Nem música. Ou qualquer imagem. Malorie, parada no meio da sala, olha para o teto. Ela baixa ainda mais o volume da TV, então desliga o rádio e vai até a escada. Ao lado do corrimão, olha lentamente para cima, para o chão acarpetado. As luzes estão apagadas, mas um raio fino do que parece ser a luz do sol se espalha pela parede. Apoiando a mão no corrimão, Malorie pisa no carpete. Olha por cima do ombro, para a porta da frente, e imagina uma mistura de todas as notícias que ouviu”.

Algumas Impressões 

         Se por acaso eu fizer um top 10 de leituras favoritas do ano (e provavelmente irei fazer), “Caixa de Pássaros”, do autor Josh Malerman, estará entre os cinco primeiros. Digo isso sem medo de errar, mesmo sabendo que ainda estamos em Julho e que muitos livros incríveis serão lançados ainda este ano e chegarão por aqui. Isso porque este livro me trouxe sentimentos inéditos, momentos em que eu literalmente tremia de medo e temia verdadeiramente pela vida dos personagens como em nenhuma outra narrativa. Passada em uma realidade onde o mundo como o conhecemos foi mergulhado em completa insanidade, é um enredo desafiador, um daqueles títulos que mexe com o psicológico do leitor de tal forma que este passa a questionar coisas do mundo em que vive, para além do que a narrativa apresenta, o que causa um envolvimento e uma imersão maiores na história. A premissa é de que há algo do lado de fora, uma ameaça que está em todos os lugares, mas que é desconhecida, uma vez que ninguém sabe o que é, nem sua forma. Afinal, os que viram não sobreviveram para contar a história. É algo letal, que está apenas te esperando para que possa te enlouquecer e fazer com que cometa os mais terríveis atos: contra os outros e contra você mesmo. Basta uma olhada, um segundo, e você está perdido. A única forma de se manter em segurança é não abrir os olhos. Cinco anos após o início do inexplicável surto, Malorie e seus dois filhos pequenos vivem em uma casa no que antes era um comum e tranquilo bairro residencial. Mas isto era no velho mundo. No novo mundo, os três vivem atentos ao mínimo ruído e protegidos constantemente pelas vendas negras que cobrem seus olhos. Mas agora, chegou a hora de deixar a casa e enfrentar o desconhecido para salvar suas vidas, partir em uma jornada em busca de um lugar melhor. Se é que ainda existe tal refúgio. 


“O rádio entra e sai de sintonia. Um homem fala sobre a possibilidade de uma guerra. Se a humanidade se unir, diz ele, mas a estática se sobrepõe à sua voz. Ela passa por um carro abandonado no acostamento. As portas estão abertas. Uma jaqueta pende do banco do carona e toca o chão. Malorie olha para a frente de novo, depressa. Depois fecha os olhos. Em seguida, os abre”.

           “Caixa de Pássaros” é um daqueles livros onde a tensão e o desespero dos personagens e quase palpável. Intercalando passagens do presente e do passado, a trama é narrada quase em sua totalidade pela protagonista, Malorie, e o ritmo da narrativa - que é descritiva - é constante, quase claustrofóbico. O autor levanta e derruba conceitos com maestria, e discute, através do medo do desconhecido, a complexidade da mente humana e como os eventos que modificam o meio podem modificar o próprio indivíduo, psicológica e emocionalmente. Este foi o ponto principal que me chamou a atenção neste livro. É uma realidade pós-apocalíptica, mas que dispensa os clichês já conhecidos, como zumbis e pragas com rápido poder de contágio, para explorar o mundo da escuridão, onde cada ruído, sussurro e o menor barulho pode apresentar uma ameaça em potencial. Onde o ser humano é forçado a se privar de um dos sentidos, pois este pode levá-lo à morte. É assustador e magnífico ao mesmo tempo. É o instinto de sobrevivência em uma luta constante com nossa curiosidade, a quase necessidade de saber o porquê das coisas, o que está desencadeando tudo aquilo. Se você é fã dos gêneros de suspense e terror, é uma leitura mais do que recomendada. E lembre-se, acima de tudo: não abra os olhos. Caso o contrário, a insanidade e a barbárie podem ser suas últimas companhias. 


Sobre a Intrínseca 

Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.

4 comentários:

  1. Oi, Le...
    Esse livro está no topo dos meu favoritos, antes dele não gostava de ler livros do gênero, mas agora sempre estou a procura de um novo rs.
    Bom saber que você também gostou.
    Beijo

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    1. Ei Cami! Esse livro é muito bom, meu Deus! Eu fiquei completamente doida com ele e a leitura me prendeu de uma forma surpreendente. Não conseguia parar de ler! Um beijo : *

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  2. Ooi Bella! Cara, que saudade <3
    Estou tão avulsa a isso de blog (e internet em geral) que fazia tempo que não visitava o Fleur, e ele tá lindo demais <3
    Acabei me deparando com essa resenha que me salvou, porque assim que esse livro saiu, eu li o primeiro capítulo online e fiquei encantada e apavorada. Eu literalmente não consegui dormir direito naquela noite, mas o pior é que eu não lembrava o título. Aí você não somente me lembrou, como também fez essa resenha maravilhosa que só me deixou mais interessada. Agora não esqueço mais. Amei tudo. Unicórnio mais lindoo da vida esse da page hahaha
    Um abraço ;*

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    1. Eeeeei Rose ♡♡♡ Obrigada! Saudade de você ♡ Não me escreve cartas, não manda notícias, sinal de fumaça nem nada! Esse livro é apavorante mais por causa do mistério e do suspense. Eu amei ♡♡ Awnn ♡ Obrigada! Um beijo 😙

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