terça-feira, 19 de julho de 2016

Resenha: As Provações de Apolo: O Oráculo Oculto


“Meu nome é Apolo. Eu era um deus. Em meus quatro mil seiscentos e doze anos fiz muitas coisas. Castiguei com uma praga os gregos que sitiaram Troia. Abençoei Babe Ruth com três home runs no quarto jogo da Série Mundial de 1926. Despejei minha ira contra Britney Spears no Video Music Awards de 2007. Mas, em toda a minha vida imortal, eu nunca tinha feito um pouso forçado em uma caçamba de lixo. Nem sei direito como aconteceu. Só sei que quando acordei, estava caindo”.

Pode conter spoiler das séries “Percy Jackson e os Olimpianos” e “Os Heróis do Olimpo”.

Sinopse: “Sua culpa. Sua punição. A voz de meu pai ainda ressoa em meus ouvidos. Dá para acreditar que Zeus me culpou pela briga entre os deuses e Gaia? Só porque a Mãe Terra convenceu um dos meus descendentes, Octavian, a orquestrar uma batalha entre semideuses gregos e romanos, levando a uma guerra civil que quase destruiu a humanidade. Agora eu pergunto: como a culpa poderia ser minha? Só sei que por isso fui expulso do Olimpo e vim parar na Terra na forma de um mortal de dezesseis anos, com espinhas e sem abdome tanquinho! Infelizmente, já fui punido dessa forma antes. Sei como as coisas funcionam: vou enfrentar várias provações e infortúnios. Espero que todo esse sofrimento prove meu valor e faça com que Zeus me perdoe e me transforme novamente em um deus. A questão é que as coisas estão bem mais complicadas e perigosas para o meu lado do que da última vez. Um dos meus adversários mais antigos sabe da minha condição mortal e colocou gente na minha cola. O Oráculo de Delfos está na mais completa escuridão, incapaz de fornecer profecias. E o pior e mais embaraçoso é que fui condenado a servir uma semideusa sem-teto e maltrapilha cuja maior arma é jogar frutas podres nas pessoas. Não é possível que Zeus ache que eu posso resolver o problema do Oráculo sozinho. Não sem meus poderes divinos. É hora de fazer uma visita ao Acampamento Meio-Sangue, onde eu talvez encontre algum semideus disposto a se sacrifi... digo, a me ajudar. Com certeza serei recebido como o deus belo e majestoso que sou, uma verdadeira celebridade! Eles me trarão oferendas, como uvas sem caroço, biscoitos Oreo e – ah, deuses – talvez até bacon! Humm... Isso! Se eu sobreviver a essas provações, vou escrever uma ode ao poder do bacon. Palavra de deus! Bem, ex-deus no momento. Mas vocês entenderam”. 

Título: As Provações de Apolo – Livro Um: O Oráculo Oculto.
Autor: Rick Riordan.
Páginas: 320 páginas.
Editora: Intrínseca.
ISBN: 978-85-8057-928-4.


“Eu começava a ter um vislumbre do que me aguardava na minha temporada como mortal. O oráculo estava sendo controlado por forças hostis. Meu inimigo estava à espreita, ganhando forças a cada dia com os vapores mágicos da caverna de Delfos. E eu era um mortal fraco comprometido com uma semideusa não treinada que jogava lixo e mordia as cutículas”.

Algumas Impressões 

         Depois de “O Sangue do Olimpo” entrei em um estado de negação profundo, onde me recusava a acreditar que a série dos meus semideuses amados havia de fato acabado. Tantas coisas em aberto a ser exploradas em outras narrativas... Talvez um enredo sobre Leo Valdez, que tal tio Rick? (por favor, eu nunca te pedi nada!). Olhando para a estante, os livros ligados à Percy Jackson são minha maior coleção que envolve um mesmo personagem. E por mais que eu ache que estou completando / já completei, Rick Riordan nunca me decepciona e logo lança um novo título para prender minha atenção e ensinar um pouco mais sobre mitologia de uma forma totalmente irreverente, seja ela grega, romana, egípcia ou, mais recentemente, nórdica (falando nisso, já leu a resenha de “Magnus Chase e os Deuses de Asgard: A Espada do Verão”? Clique aqui!). O mais novo lançamento do autor pela Intrínseca, “As Provações de Apolo: O Oráculo Oculto” (primeiro livro de uma trilogia) vem para oferecer uma nova perspectiva de figuras já conhecidas (oi, Apolo!), matar a saudade dos fãs (órfãos) dos personagens amados, e introduzir novos, além de abordar outros aspectos e histórias da vasta mitologia grega (oi, “desventuras em série” – principalmente amorosas - do Apolo!). Com uma trama divertida, regada com comentários impagáveis, e em sua maioria sem-noção, do ex-deus do sol (além da cura e da arqueria), o livro dá continuidade aos acontecimentos de “O Sangue do Olimpo”, se passando seis meses após a derrota da mãe-Terra. 

 

“Eu parecia ter uns dezesseis anos. Meu cabelo era escuro e encaracolado, um estilo com o qual arrasei na época de Atenas e de novo no começo dos anos 1970. Meus olhos eram azuis. Meu rosto era agradável de um jeito meio bobão, mas estava desfigurado por causa do nariz da cor de uma berinjela, abaixo do qual se formara um bigode nojento de sangue. E pior: minhas bochechas estavam cobertas com uma espécie de protuberância que parecia terrivelmente com... Meu coração chegou a parar por um momento”.

          Acusado por Zeus de ser o único responsável pela guerra com Gaia, Apolo perde seus poderes e é jogado (literalmente) na Terra sob a forma de um adolescente mortal de dezesseis anos chamado Lester Papadopoulos, um tantinho acima do peso e com sérios problemas de acne. E já não bastasse as infinitas limitações de sua condição mortal, um de seus inimigos mais antigos e poderosos está de volta, o oráculo de Delfos não está mais entregando profecias e diversas coisas estranhas vêm acontecendo nos últimos seis meses (dos quais ele não consegue se lembrar de forma alguma). E o que ele mais teme: é parte de suas provações (algo como a condição para que possa voltar ao Olimpo), encontrar uma forma de resolver todos esses problemas. Para alguém acostumado a sair por aí arrasando corações com sua forma perfeita e barriga tanquinho e a resolver tudo de forma fácil e rápida, seja pelos poderes ou pelo sacrifício dos heróis, já dá para imaginar que não vai ser uma temporada mortal nada fácil. Nas palavras dele mesmo, “a crueldade de Zeus não tem limites”. Particularmente, me diverti muito com essa leitura, principalmente por conta da narração em primeira pessoa de Apolo, que, entre devaneios da vida de deus, histórias da mitologia, desilusões amorosas e frustrações com sua condição mortal, revela uma perspectiva do personagem muito diferente da apresentada nos livros anteriores, com maior profundidade e riqueza de detalhes e uma jornada do herói incomum, além de reviravoltas completamente inesperadas, capazes de surpreender até o mais atento leitor (além daqueles que possam ter o dom ou mesmo meios de prever o futuro, garanto), e que vão impactar não apenas esta, mas todas as obras anteriores do autor que fazem parte deste mesmo universo (aka, Percy Jackson e os Olimpianos e Os Heróis do Olimpo). Se eu fosse você não esperava Zeus resolver lançar um raio bem na sua cabeça para começar esta leitura. Vai por mim, é mais seguro. 



Sobre a Intrínseca 

Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.


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