sexta-feira, 10 de junho de 2016

Resenha: Orgulho e Preconceito e Zumbis


“É uma verdade universalmente aceita que um zumbi, uma vez de posse de um cérebro, necessita de mais cérebros. E nunca tal verdade foi mais inquestionável do que durante os recentes ataques ocorridos em Netherfield Park, nos quais os dezoito moradores de uma propriedade foram chacinados e consumidos por uma horda de mortos-vivos”. 

   Sinopse: Orgulho e preconceito e zumbis é uma versão ampliada do famoso romance de Jane Austen, incluindo cenas inéditas com zumbis partindo o crânio das pessoas para devorar seus miolos. Na abertura da história, ficamos sabendo que uma misteriosa praga se abateu sobre o tranquilo vilarejo de Meryton (e sobre toda a Inglaterra), e os mortos estão deixando seus túmulos e retornando à vida. A implacável heroína Elisabeth Bennet e suas irmãs, são guerreiras determinadas a eliminar a ameaça zumbi e proteger o lugar onde vivem. Entretanto, as atenções de Lizzy são desviadas pela chegada do altivo e arrogante Sr. Darcy. O que se segue é uma deliciosa comédia de costumes, repleta de civilizados embates entre os dois jovens enamorados - além de batalhas um tanto mais violentas, em que sangue e cérebros jorram fartamente. Conseguirá Elizabeth subjugar as crias de Satã? Poderá ela superar os preconceitos sociais da aristocracia local? Combinando amor, emoção, duelos de espada, canibalismo e milhares de cadáveres em decomposição, este livro transforma uma obra prima da literatura mundial em algo que você não pararia de ler mesmo depois de morto. 

Título: Orgulho e Preconceito e Zumbis.
Autores: Jane Austen e Seth Grahame-Smith.
Páginas: 320 páginas.
Editora: Editora Intrínseca.
ISBN: 978-85-98078-74-8.

Ao longo da história, algumas páginas têm ilustrações maravilhosas.

"Enquanto o Sr. Darcy se afastava, Elizabeth sentiu o sangue ferver. Nunca em sua vida fora tão insultada. O Código dos Guerreiros exigia que ela vingasse sua honra prontamente. Assim, Elizabeth abaixou-se e alcançou o tornozelo, tomando cuidado para não chamar atenção. Então, sua mão encontrou a adaga oculta por baixo de seu vestido. Sua intenção era seguir aquele arrogante Sr. Darcy até o lado de fora e rasgar sua garganta". 

Algumas Impressões

     Começo esta resenha com uma notícia mais do que maravilhosa: o Fleur renovou a parceria com a Editora Intrínseca por mais um ano, o que significa mais 365 dias de muitas resenhas e ótimas histórias para ler, contar e guardar com carinho na estante! (fogosdeartifícioedancinhadavitória.jpg). Aliás, já estou precisando de outra estante nova, pois a que comprei no fim do ano passado não está mais dando conta. No mais, muito obrigada pela confiança equipe Intrínseca! (seus lindos). E, atenção queridas pessoas que leem este blog para um recado importantíssimo em decorrência da notícia dada acima:


    Mas, ainda da parceria do último ano, recebi (em meio à loucura da redação do trabalho de conclusão de curso) um título que eu estava muito curiosa para ler desde que o filme foi lançado, em fevereiro deste ano: Orgulho e Preconceito e Zumbis, do autor Seth Grahame-Smith, que faz uma releitura da clássica história de Jane Austen. E (parafraseando o primeiro parágrafo do livro de Seth), é uma verdade universalmente aceita que uma vez que  já vi e li um número considerável de coisas relacionadas a Orgulho e Preconceito, necessito de mais coisas ligadas à história. A verdade é que li este livro em menos de dois dias, logo que ele chegou por aqui, e queria fazer uma resenha em vídeo, mas com a falta de tempo e o novo trabalho (fora, claro, os momentos finais da monografia) acabei não conseguindo. Por fim, depois de me convencer de que o vídeo não ia mesmo rolar, comecei (um tanto resignada) a redigir esta postagem, afinal, sabe aqueles livros que lemos e ficamos com uma vontade louca, praticamente incontrolável, de compartilhar com o mundo o quanto gostamos de cada detalhe e como ele é "maravilindo"? Então.


      Antes de mais nada é preciso dizer que Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, é uma das obras clássicas que mais rendeu mash ups. Na literatura, o termo mash up passou a ser usado para designar obras híbridas, onde o autor utiliza um texto clássico (cujos direitos autorais provavelmente já caducaram, o que extingue o risco de processo) e, a partir dele, cria um outro, misturando elementos de gênero fantástico, como extraterrestres e zumbis. E vou te falar que Seth Grahame-Smith é bom nisso, pois ele conseguiu misturar zumbis com uma novela inglesa de 200 anos e criar uma história envolvente e emocionante, além de engraçada (uma curiosidade é que ele também é o autor de Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos e de Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros). Seguindo o roteiro da original, a trama gira em torno da família Bennet, onde o Sr. e a Sra. Bennet são um casal que possui cinco filhas. Contudo, além do que Austen poderia imaginar, as cinco meninas Bennet são altamente treinadas em combate, verdadeiras especialistas na arte de matar zumbis, tudo por conta de uma estranha praga que tomou conta da Inglaterra nos últimos anos e fez com que os mortos saíssem de seus túmulos e começassem a perambular por aí em busca dos cérebros dos vivos para que pudessem se deliciar. Por mais que as cinco sejam exímias guerreiras, somente Jane e Elizabeth (as filhas mais velhas) têm bom senso, uma vez que as demais irmãs e principalmente a mãe são completamente malucas. Quer um exemplo? Enquanto o pobre Sr. Bennet tenta a todo custo preparar as filhas para que sejam capazes de sobreviver em meio ao apocalipse zumbi, a Sra. Bennet quer ver as cinco filhas muito bem casadas, e principalmente as duas mais novas estão mais do que dispostas a se arriscarem na busca por um bom marido (só vou dizer uma coisa: oficiais). Quem é que pensa em casamento no meio de um apocalipse zumbi minha gente?

 

"De todas as armas que já manipulara,aquela sobre a qual menos tinha controle era o amor; e de todas as armas do mundo, o amor era a mais perigosa".

      E quando a Sra. Bennet descobre que um novo inquilino está ocupando Netherfield Park, o Sr. Bingley, ela insiste que o marido enfrente quantos zumbis for necessário na tentativa de visitar o novo vizinho e tentar desencalhar pelo menos uma de suas filhas. Quando o distinto cavalheiro finalmente chega à cidade, as Bennet descobrem que ele não veio sozinho, uma vez que seu melhor amigo, o altivo e arrogante Sr. Darcy, um exímio matador de zumbis de grande fama, e também suas irmãs comparecem à um baile local. Elizabeth e Darcy logo desgostam um do outro, e a donzela só não corta sua garganta pelos insultos que dirige a ela porque uma horda de zumbis enfurecida invade o baile (sério, ela já estava até com o punhal em mãos).  E se você conhece a história original, a partir daí já sabe o que acontece não é? Mas, em se tratando de um enredo que se desenrola no meio de um apocalipse zumbi, será que sabe mesmo? Aproveitando as brilhantes concepções de Austen e as reflexões acerca da sociedade da época, Seth trás uma perspectiva inovadora neste título, onde, além de mesclar um dos mais populares ícones da cultura pop a uma das obras mais amadas de todos os tempos, faz modificações simplesmente geniais, que fazem com que o leitor fique ansioso pelo desenrolar da trama a cada novo capítulo (mesmo já conhecendo, pelo menos em parte, o que vai acontecer). A questão é que ao iniciar a leitura deste livro, eu imaginava de duas uma: 1) seria completamente diferente da história original; ou 2) seria uma reprodução do roteiro original apenas com o acréscimo dos zumbis. É, sei o que você está pensando. Ambas as perspectivas são desanimadoras, se você, assim como eu, tem a obra original em alta estima. Mas, veja bem, lembra quando eu disse lá no começo que esse é um daqueles livros que quando lemos queremos mostrar pro mundo? Pois é. Orgulho e preconceito e zumbis consegue ser original mesmo sendo um mash up, com as mais loucas sequências de luta contra zumbis, romance e reviravoltas chocantes que nem mesmo alguém tão brilhante como Jane Austen poderia ter imaginado (P.s. Tem filme e necessito assistir o quanto antes!) .


Sobre a Intrínseca 

Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.


6 comentários:

  1. Admito que torci o nariz pra esse livro quando vi, mas olha, sua resenha me conquistou! hahahaha. Tô louca pra ver o filme também. Eu amo Orgulho e Preconceito e também amo zumbis, então com certeza a mistura ficou boa e criativa. Vou tentar ler o quanto antes :D
    E parabéns pela parceria com a Intrínseca! <3
    P.S: DEI GRITINHO QUANDO VI O LAYOUT NOVO! Tô apaixonada pelo unicórnio, tá maravilhoso, hahahaha <3

    Allie | allieprovier.blogspot.com

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    1. Eu vou admitir que o primeiro impacto, assim que vi a divulgação, foi esse também. Não curti muito a ideia, mas acabou que o livro foi me conquistando. Também amo Orgulho e Preconceito, é minha história favorita, e sério, ficou bem bacana a mistura! Obrigada <3 <3 Um beijo : *

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  2. Oiii

    Olha eu provavelmente não leria essa versão da estória, mas até fiquei curiosa pra assistir ao filme.
    Algumas adaptações como essa até que dão certo, mas acho um pouco difícil. Quem é fã da Austen pode não ter curtido muito isso hahahaha

    Beeijos

    ooutroladodaraposa.com.br

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    1. Eu sou fã de Jane Austen, e Orgulho e Preconceito é minha história favorita, e tenho que te dizer que gostei bastante da mistura. Acho que isso também se deve ao fato de eu gostar muito de cultura pop, zumbis etc. Mas não sei como os leitores mais "clássicos e conservadores" interpretariam. De qualquer forma, recomendo! Um beijo : *

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  3. Como leitora conservadora eu odiei a história, hahahahahaha. Acho que Orgulho e Preconceito é imaculável. Mesmo com a resenha incrível não vou me entregar a esse escárnio! Mas sou Drama mesmo Letti. Só queria deixar registrado que seu layout tá uma lindeza! E parabéns pelo fim de TCC e sucesso!

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    1. KKKKKK Eu entendo seu posicionamento, mas eu adorei a história, por mais que seja muito apaixonada pela história original. KKKKK Obrigada! Um beijo : *

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