domingo, 3 de abril de 2016

Resenha: Quarto


“O Lá Fora tem tudo. Agora, toda vez que eu penso numa coisa, como esquis ou fogos de artifício ou ilhas ou elevadores ou ioiôs, tenho que lembrar que eles são reais, acontecem todos juntos de verdade no Lá Fora. Isso deixa minha cabeça cansada. E as pessoas também, bombeiros, professores, ladrões, bebês, santos, jogadores de futebol e gente de todo tipo, eles todos estão mesmo no Lá Fora. Mas eu não estou lá, eu e a Mãe, nós somos os únicos que não estão lá. Será que ainda somos reais?”

       Para o garotinho Jack, o Quarto é o único mundo que existe há cinco anos. É o lugar onde nasceu, cresceu e onde vive com a Mãe. É o espaço onde eles aprendem, leem, comem, brincam e dormem, onde maravilhas sem fim se escondem, apenas esperando que ele solte a imaginação. Porém, à noite, sua Mãe o fecha em segurança no Guarda-Roupa, onde ele deve estar, de preferência dormindo, quando o Velho Nick vem visitá-la. Por mais que o Quarto seja o lar do menino, para a mãe o lugar é a prisão na qual vem sendo mantida há sete anos pelo Velho Nick. À medida que o desespero da mãe e a curiosidade do menino crescem, ela elabora um plano, arriscado e ousado, de fuga, que conta com a bravura do filho e uma dose e tanto de sorte. Mas o despreparo pode ser o maior obstáculo para que esse plano possa funcionar.

Título: Quarto (Room).
Autora: Emma Donoghue.
Páginas: 349 páginas.
Editora: Verus Editora. 
ISBN: 978-85-7686-131-7.


“Hoje eu tenho cinco anos. Tinha quatro ontem de noite, quando fui dormir no Guarda-Roupa, mas quando acordei na Cama, no escuro, tinha mudado pra cinco, abracadabra. Antes disso eu tinha três, depois dois, depois um, depois zero”. 

Algumas Impressões 

      Claustrofóbico. Chocante. Emocionante. Arrebatador. Se eu pudesse resumir a história deste livro, adaptado para os cinemas e indicado ao Oscar em 2015 (falando nisso, assistam o filme, vale muito a pena), em apenas algumas palavras, seriam estas as escolhidas. O primeiro artifício utilizado pela autora, Emma Donoghue, para conquistar o leitor é a narrativa totalmente original, que trás o ponto de vista do garotinho Jack, uma voz inocente e divertida. Acima de tudo, a trama é uma história de amor entre mãe e filho, e a forma como este amor se fortalece constantemente e supera as adversidades mais brutais. O laço entre os dois é incomparável, e extremamente sólido. Confesso que demorei mais do que o normal nesta leitura, pois ela me tocou e marcou de uma forma que eu não esperava. Antes de iniciar a leitura e depois de ler as críticas ao livro e também ao filme, de uma coisa eu já sabia: seria uma história extramente emocionante, mas também chocante, com temáticas pesadas e que, em diversos momentos, geram aversão e claustrofobia.


“O Velho Nick rugiu como eu nunca tinha ouvido, era qualquer coisa sobre Jesus, mas não foi o Menino Jesus que fez aquilo, fui eu. O Abajur acendeu, a luz bateu nas tabuinhas e em mim, meus olhos se espremeram até fechar. Voltei de fininho pro lugar e cobri a cabeça com o Cobertor. (...)Bipe, Bipe, a Porta abriu e fechou, bum. Ele foi embora”. 

         Não consigo de forma alguma imaginar como a mãe conseguiu suportar o que suportou, como construiu um lar tão sólido para o pequeno Jack, regado à criatividade e muita imaginação na tentativa de esconder o que realmente estava acontecendo: um abuso. De várias formas, não apenas físico, mas também moral. Apesar de chocante, mas também comovente, é de fato um romance essencialmente humano. Evidencia não só as “feridas” abertas em nossa sociedade, como a violência contra a mulher e o abuso psicológico, mas também a capacidade de resiliência que possuímos para superar a mais atroz adversidade. Não fazia ideia de que esta trama fosse me levar às reflexões que levou, nem que eu gostaria tanto da história, mesmo me sentindo sufocada pelas situações a maior parte do tempo. De fato, Quarto é um lugar capaz de levar os mais distintos tipos de leitor a um consenso: não é fácil de esquecer, mesmo quando a última página é virada e a história encontra um novo começo. Como disse Audrey Niffenegger, autora de A mulher do viajante no tempo, "quando ele termina, você ergue os olhos: o mundo parece o mesmo, mas, de algum modo, você está diferente, e essa sensação persiste por dias". 


Sobre o Grupo Editorial Record

Uma empresa 100% nacional: o maior conglomerado editorial da América Latina fala português. Com onze perfis diferenciados — Record, Bertrand Brasil, José Olympio, Civilização Brasileira, Rosa dos Tempos, Nova Era, Difel, BestSeller, Edições BestBolso, Galera & Galerinha — o objetivo é sempre trazer o que há de melhor para o leitor brasileiro. 


10 comentários:

  1. Eu ainda não li e nem assisti e toda vez que leio sobre essa história sinto um peso no coração. Deve ser de arrasar a gente. Mas vou tomar "coraji" e me aventurar a sentir mais fortemente o que é somente impressão.
    :*

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    1. Eu também me sentia assim antes de ler a história e tenho que dizer que depois deste livro ainda me sinto. E um pouco pior. Mas leia, vale a pena! Um beijo : *

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  2. Vi o filme e me senti meio abalada, chorei horrores. Tenho curiosidade de ler o livro, mas tenho que me preparar pra passar por tudo de novo, como você disse é bem claustrofóbico e emocionante.

    Beijos!
    Vestindo o Tédio

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    1. Pois é, eu comecei a ver e fiquei bem abalada também. É uma história chocante, mas que mostra uma realidade que parece surreal. Espero que goste da leitura! Um beijo : *

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  3. Ainda ouço a voz do Jack, "monstros são grandes demais pra existir", depois de ter lido esse livro. Ele fica com você depois que você fecha o livro.

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    1. Verdade. O fato de ser narrado por ele trás uma profundidade ao livro que não sei explicar. As coisas que ele fala... Sobre o Lá Fora ser real e se questionar se ele e a mãe são... Tanta coisa né? Um beijo : *

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  4. Esse livro me traz uma sensação angustiante. Não sei o motivo, mas ele me deixa meio nervosa. Sempre que leio uma resenha, tenho menos vontade de lê-lo :( Mas me parece uma história incrível e muito bem elaborada. A resenha ficou ótima ♥

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    1. Pois é, eu fiquei assim também. Eu tive receio de começar a leitura porque ele é angustiante, e também claustrofóbico, mas te dá um tapa de realidade inesquecível. Obrigada <3 Um beijo : *

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  5. Wow, eu vi todo mundo falando sobre o filme, mas não sabia que havia o livro! E também não tinha lido nenhuma resenha, então só sabia o básico, sobre eles viverem no quarto e etc. Mas agora eu tô chocada, hahaha. Eu me perguntei o motivo de eles viverem no quarto, o que os mantinha lá, mas não imaginei que seria tudo isso. Vou tentar encontrar o livro e com certeza assistirei o filme!
    E o ator que fez o Jack é a coisa mais linda, mds, hahaha. Que criança incrível.

    Allie | allieprovier.blogspot.com

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    1. Eu também fiquei chocada KKKKKK Acredite, eu estava como você, só sabendo o básico. Depois fiquei no chão. Vê sim! E é uma ótima leitura! Um beijo : *

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