segunda-feira, 7 de maio de 2018

Resenha: A Mulher Entre Nós

“Quando você ler este livro, vai fazer suposições. Vai supor que está lendo sobre uma ex-mulher ciumenta e obcecada. Vai supor que está lendo sobre uma jovem prestes a casar com o homem que ama. Vai supor que a primeira mulher era um desastre, e que o marido fez bem em se livrar dela. Vai supor que conhece os motivos, a história e a dinâmica desses relacionamentos. Chegou a hora de parar de fazer suposições”. 

Sinopse: “Aos 37 anos, a recém-divorciada Vanessa está no fundo do poço: deprimida, sozinha, sem dinheiro e morando no apartamento de sua tia. Ao descobrir que Richard, seu rico e carismático ex-marido, está prestes a se casar de novo, algo dentro dela se quebra. A partir daí, dedicará sua vida a uma única obsessão: impedir esse matrimônio, custe o que custar. Na superfície, Nellie se parece com qualquer outra bela jovem que foi a Manhattan começar a tão sonhada vida adulta. Mas a personalidade tranquila que ostenta é apenas uma fachada. Em sua mente, perdura um segredo – “o incidente” -, algo que aconteceu naquela fatídica noite que a fez fugir de sua cidade natal e que a impede de caminhar em paz quando está sozinha. É por isso que ela dorme com um taco de beisebol ao seu lado. É por isso que tranca seu apartamento com três fechaduras diferentes. Ao conhecer Richard – bem-sucedido, protetor, o homem perfeito -, Nellie finalmente começa a se sentir segura. Ele promete protegê-la de todos os males, para o resto da vida. Mas, de repente, ela começa a receber ligações misteriosas. Fotografias em seu quarto são movidas de lugar. O lenço que ela planejava usar em seu casamento desaparece. Alguém a está perseguindo, alguém quer seu mal. Mas quem?”. 

Título: A Mulher Entre Nós (Ela não é quem você pensa). 
Autores: Greer Hendricks e Sarah Pekkanen. 
Páginas: 348 páginas. 
Editora: Paralela. 
ISBN: 978-85-8439-106-6. 

“Ela caminha com passos apressados pela calçada, os cabelos loiros balançando sobre os ombros, o rosto vermelho e uma mala de ginástica pendurada no antebraço. Nem imagina o que fiz para ela. Não tem noção do estrago que causei; da ruína que pus em curso. Ela não faz a menor ideia do que vai acontecer se continuar agindo assim. Não faz a menor ideia”. 

Algumas Impressões 

Quando faço a leitura de um livro de suspense, mistério ou thriller, costumo passar todo o tempo tentando cruzar informações e definir acontecimentos, em um esforço constante para desvendar a narrativa antes do final. Posso afirmar com toda a certeza que estes são meus gêneros literários favoritos, e que as obras comumente me envolvem e surpreendem, com seus plots e desfechos, como nenhuma outra. Para se ter uma ideia, minha leitura favorita mais recente tem esta temática, sendo “Por Trás de Seus Olhos”, da autora Sarah Pinborough (clique para ler a resenha). 

Também de autoria de uma Sarah, desta vez Pekkanen, e em parceria com a editora Greer Hendricks, “A Mulher Entre Nós”, que recebi na forma de uma prova antecipada como cortesia do Grupo Companhia das Letras, pelo Selo Paralela, é um thriller psicológico que logo me chamou a atenção por sua premissa, bem como por todo o mistério no qual o enredo está envolto desde as primeiras páginas. Lançado nos Estados Unidos em janeiro deste ano, entrou para a lista dos títulos mais vendidos no país ainda na semana de lançamento, não saindo do topo das paradas desde então. Além disso, recebeu críticas positivas de veículos como o jornal The New York Times, Publishers Weekly e a revista Glamour. Na trama, somos apresentados à história de Vanessa e Nellie: uma mulher de 37 anos recém-divorciada, deprimida e sem dinheiro; e uma bela e jovem professora prestes a se casar com o homem que ama. Ao longo da leitura, você vai supor que sabe exatamente sobre o que se trata a narrativa, contudo, é hora de parar de fazer suposições. 


“Nellie se debruçou sobre o vaso, sentindo o estômago se contorcer, depois desabou no chão de mármore do banheiro de Richard. As imagens da noite anterior começaram a vir à tona: as doses de tequila; os cigarros; o beijo; a expressão no rosto de Richard quando voltavam. Ela não conseguia acreditar que quase sabotara seu futuro com ele”. 

Um tanto quanto perturbador e cheio de reviravoltas, este livro tem como missão fazer com que o leitor se questione o tempo todo, forçando-o a rever seus conceitos e testar outras possibilidades à medida que as páginas são viradas. É, sobretudo, um enredo sobre a complexidade dos relacionamentos, e como as coisas podem não ser o que parecem à primeira vista, afinal, há muitas verdades perigosas que ignoramos em nome do amor. A construção temporal é algo que surpreende, principalmente quando o primeiro plot é revelado, mas, apesar de ser impactante, o leitor mais atento é capaz de antecipá-lo (diferentemente de “Por Trás de Seus Olhos” e “Eu estou pensando em acabar com tudo”, por exemplo). Bem trabalhada, a protagonista é o ponto alto da trama, entretanto, com uma gama tão grande de personagens, que conhecemos ao longo dos capítulos, senti que muitos carecem de mais profundidade e até mesmo mais tempo de cena para que sua importância no desfecho seja de fato justificada. 

No fim, temos vários personagens enredados em uma mesma teia que se desenrola (cada um com seus segredos), e a tentativa das autoras de justificar alguns comportamentos com base em fatos subentendidos me deixou um pouco desconfortável, principalmente por isso não ser trabalhado de forma mais aprofundada e subsequente. O epílogo, na minha opinião, é totalmente dispensável devido ao narrador escolhido, e o espaço poderia ter sido aproveitado para dar destaque a outro personagem (o que ficou com o desfecho mais subentendido, como uma espécie de justificativa para a situação de outro). Por outro lado, o ritmo de leitura é bom e mantém a atenção do leitor, envolvendo-o. A ideia da Companhia das Letras de enviar um barbante com tachinhas e nomes para que pudéssemos montar um “mapa do crime”, bem ao estilo CSI, também foi muito interessante, e proporcionou um meio criativo de se relacionar mais profundamente com o enredo. É uma leitura recomendada principalmente para fãs de thriller psicológico, mistério e suspense, mas vale à pena se aventurar um pouco e sair da zona de conforto caso não tenha o costume de ler obras deste estilo. 


4 comentários:

  1. Me lembrou um pouco de Em águas sombrias, da Paula Hawkings, conhece? É um mistério narrado a partir de uma mulher, a protagonista, e tem MUITOS personagens.

    Um Metro e Meio de Livros

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    1. Conheço sim! Eu tenho ele aqui também. Enrolei para ler porque na época estava envolvida em um outro Thriller e fiquei com aquela ressaca, mas agora que você falou vou pegar para ler <3

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  2. Oi Lê!
    Gostei da sua resenha, parece ser um ótimo livro de suspense! (adorooo esse gênero!)
    E a ideia do barbante foi um máximo, até dá pra deixar de enfeite num mural, né? haha

    beeeijos!!
    Meraki | Emy Teranishi

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    1. Ei Emy!! Eu também adoro esse gênero e é um ótimo livro! Eu tô doida para achar um cantinho aqui e deixar o mural montado haha Um beijo!

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