sexta-feira, 13 de abril de 2018

Resenha: Menina Veneno

“Ah! Eu estava ansiosa para que você chegasse, meu bem. Não é sempre que tenho a oportunidade de narrar o que de fato aconteceu comigo. Você provavelmente já escutou essa história antes, mas com certeza não ouviu a verdadeira história. Não que eu possa culpá-lo por isso. A imprensa adora transformar alguém em vilão. Ou vilã, como é o caso”. 

Sinopse: “Você conhece o conto de fadas sobre uma bela princesa que sofreu inúmeras tentativas de assassinato por sua madrasta, uma delas com uma maça envenenada. É bonito, não é mesmo? O bem contra o mal, a indefesa donzela ameaçada pela perversa Rainha.... Francamente, meu bem, me embrulha o estômago só de falar dessa história da carochinha. Eu não sou uma bruxa (meu amor, não há a menor possibilidade de eu ter uma verruga no nariz), não sou má (na verdade eu sou maravilhosa) e nunca planejei matar ninguém. É claro que você me conhece. Por anos, fui a maior modelo do planeta. Malvina Neves era o nome mais poderoso do mundo da moda. Nada mais justo. Lutei muito para alcançar meus objetivos, mereço toda a glória e, claro, ninguém é mais bela que eu. Eu reinava absoluta sob os holofotes, até o dia em que a insossa da minha enteada, Bianca, roubou a minha maior campanha. Ela será a nova estrela do perfume Menina Veneno. Dá pra acreditar? Não quero ser péssima nem nada, mas vamos ser realistas. Bianca é tão sonsa... e tem esse arzinho azedo e distraído que me dá vontade de voar no pescoço dela.... Eu sei, parece mesmo que fiz tudo o que a imprensa me acusa de ter feito. Mas não foi bem assim. Não me olhe com essa cara desconfiada (até porque ela não valoriza nem um pouco seu rosto, meu bem). Senta aqui e me ouça até o fim. Depois me diga se acha mesmo que mereço o título de Rainha Má. Talvez só Rainha seja muito melhor. O quê? A história dos anões? Meu bem, você não faz ideia da verdade por trás da relação da princesinha sem sal com aqueles rapazes. E, cá entre nós, eles estavam longe de ser anões”. 

Título: Menina Veneno. 
Autora: Carina Rissi. 
Páginas: 192 páginas. 
Editora: Galera Record. 
ISBN: 978-85-01-10938-5. 

“Eu era a Menina Veneno. Essa tinha sido a grande virada na minha carreira, o que fez com que eu deixasse de ser apenas mais uma modelo para me tornar uma estrela cintilante cujo brilho ofusca tudo ao redor. Foi tudo muito rápido. Apenas uma semana após o lançamento, as vendas do perfume dispararam, meu nome começou a pipocar nos jornais e revistas, e então meu cachê passou a ter seis dígitos. Logo subiu para sete, e do dia para a noite passei a ser perseguida pela imprensa. A fama tem seu preço”. 

Algumas Impressões 

Antes de fazer a leitura de “Menina Veneno”, eu já havia ouvido falar inúmeras vezes sobre Carina Rissi. Nascida no interior de São Paulo, a autora já vendeu mais de trezentos mil exemplares de seus livros, sendo estes publicados até mesmo em outros países além do Brasil, como Portugal, Rússia e Itália. Dentre as obras mais famosas estão os títulos da série “Perdida”, que, inclusive, teve os direitos de adaptação vendidos e logo virará filme. Mas, mesmo conhecendo seu currículo incrível, eu ainda não havia feito a leitura de nenhum dos seus livros – e olha que são muitos! Leitora voraz, amante dos “romances impossíveis” e grande admiradora de Jane Austen, ela é mais uma das autoras incríveis para se ter na estante (clique para ver o vídeo), ainda mais se tratando de uma escritora nacional e que arrebata toda uma geração de novos leitores. Como já falei outras vezes por aqui, no ano passado finalmente tive a oportunidade de ir à Bienal do Livro (que, em 2017, foi no Rio de Janeiro), e foi na ocasião que, não apenas comprei este livro, como também conheci a autora. E ela é um amor! “Menina Veneno” é uma adaptação moderna do famoso conto de fadas da Branca de Neve, contudo, sob o ponto de vista da madrasta, que, em nossa história, é uma supermodelo chamada Malvina Neves. Tudo ia às mil maravilhas até sua enteada, Bianca, ser chamada para substituí-la como garota propaganda de um dos perfumes mais famosos da atualidade, o “Menina Veneno”. E é neste momento que Malvina vê tudo pelo que tanto lutou começar a ir por água abaixo. E ela não pode deixar que isso aconteça, não é mesmo?

“Eu sei o que você deve estar pensando, e é por isso que tenho uma conta com sete dígitos e você não. Olha, vamos esclarecer algumas coisas, está bem? Eu sou franca. Acho que você já deve ter percebido. Falo o que a maioria das pessoas pensam, mas tem medo de dizer para não ofender, magoar, e essas bobagens todas do politicamente correto. Não posso ser condenada por ser honesta”. 

Narrado sob o ponto de vista de Malvina, como em uma conversa íntima com o leitor, a trama é uma das mais divertidas que tive o prazer de fazer a leitura no último ano. Com um ritmo fluído, as páginas vão passando e você só se dá conta quanto a história já está quase no fim, tamanho é o envolvimento gerado entre a narradora e o leitor. Por se tratar de um livro infanto juvenil, porém com uma pitada de YA, achei os assuntos abordados pertinentes, e gostei bastante da construção dos personagens, que, inspirados em suas versões de conto de fadas, carregam algumas das características clássicas ao mesmo tempo em que possuem uma profundidade e complexidade notáveis. Malvina de longe foi uma das minhas personagens favoritas, e a inversão de papéis através da semente da dúvida gerada por suas palavras durante os capítulos é muito bem arquitetada por Carina Rissi. Como a cereja do bolo, o desfecho foge do tradicional “e foram felizes para sempre” e, para minha enorme surpresa (e acredito que para a sua também ao fazer esta leitura), apresenta uma saída totalmente original e inesperada, que mesmo o leitor mais atento não poderia prever. No mais, é uma leitura leve e mais do que recomendada!

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