sexta-feira, 20 de abril de 2018

Resenha: Caçadora de Tempestades

“Depois de ser atingida por raios tantas vezes quanto eu fui, a pessoa passa quase todo o tempo esperando o pior. Nunca se sabe quando aquele fiapo irregular de fogo branco, carregado com centenas de milhões de volts de eletricidade, pode descer dos céus, fulminante, e encontrar o alvo em seu corpo, abrindo um buraco como o de uma bala ou reduzindo os cabelos a cinzas; talvez deixando a pele chamuscada e quebradiça ou fazendo o coração parar. Meu nome é Mia Pierce, e sou um para-raios humano. Será que existe um grupo de apoio para isso? Deveria, e eu vou dizer por quê”. 

Sinopse: “Mia Pierce é viciada em raios. Ela já sobreviveu a inúmeros choques, mas seu desejo de receber a energia liberada pelas tempestades pode colocar em risco a sua vida e a de todos ao seu redor. Los Angeles, onde raramente há tempestades, é um dos poucos lugares em que Mia está em segurança. Mas quando um terremoto destrói a cidade, seu porto-seguro é transformado em um campo minado de caos e perigos. Nesse cenário assustador, dois grupos antagônicos se formam, e ambos veem Mia como a chave para as profecias de uma catástrofe ainda maior que está por vir. Mia quer confiar no enigmático Jeremy, que prometeu protegê-la, mas teme que ele não seja quem diz ser. No fim, o poder e a paixão que aproximaram os dois podem colocar tudo a perder. É questão de vida ou morte: ela tem que aprender a utilizar seus poderes, ou então vai acabar destruindo tudo o que ama”. 

Título: Caçadora de Tempestades. 
Autora: Jennifer Bosworth. 
Páginas: 286 páginas. 
Editora: Agir Now. 
ISBN: 978.85.220.3154-2. 

“Meu nome é Mia Pierce e faz um ano desde que fui atingida pela última vez, o que não quer dizer que já parei de esperar o pior. Só caem raios em Los Angeles algumas vezes por ano. O problema é que troquei tempestades por terremotos – por um terremoto em especial. Aquele que mudou a cidade, e minha vida, para sempre”. 

Algumas Impressões 

Se não todos, com certeza a maioria dos leitores já viveram a experiência de comprar um livro apenas pela capa ou pela sinopse em uma das maravilhosas promoções das Lojas Americanas de títulos a dez reais. Vai me dizer que não? Primeiro livro da escritora e roteirista Jennifer Bosworth, lançado no Brasil ainda em 2015 pela editora Agir Now, “Caçadora de Tempestades” é uma destas obras que me chamou a atenção pelo aspecto externo antes de me prender pela narrativa. Além disso, os blurbs (indicações) também contribuíram para que eu desse uma chance à leitura, afinal, dois autores que admiro, Jay Asher (Os 13 porquês) e Ransom Riggs (O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares), recomendaram este título – e não à toa. Na trama, somos apresentados a Mia Pierce, uma garota viciada em descargas elétricas e que, contrariando o ditado que diz que “um raio não cai no mesmo lugar duas vezes”, já foi atingida por raios em inúmeras ocasiões. Em uma tentativa de fugir das tempestades frequentes, Mia se muda com a família para Los Angeles, nos Estados Unidos, mas, quando um grande terremoto abala a cidade causando caos e um cenário pós-apocalíptico se instala, a garota se torna uma enorme ameaça para as pessoas ao seu redor. Certa de que um inferno muito maior está por vir, ela terá que compreender seu papel antes que se torne parte da destruição.

“Eu estava fora do quarto da minha mãe quando ouvi a voz abafada do Profeta. Não conseguia entender bem o que dizia, mas, depois de um mês com minha mãe assistindo àqueles sermões dele na TV de um jeito quase obsessivo, dava para adivinhar qual era o assunto. O fim do mundo está próximo. Aqueles que entregarem as almas ao Profeta serão salvos. Os que não o fizerem sofrerão e morrerão – e então sofrerão mais um pouquinho. Tá, tá, tá. Ouvimos da primeira vez”. 

Desestruturada por conta da catástrofe, a cidade de L.A. vive dividida entre acreditar ou não nas ideias de Rance Ridley, um líder religioso autodeclarado Profeta e dono da Igreja da Luz. Através de seu programa na televisão e de seus cultos diários na Tenda, ele prediz várias catástrofes e afirma ser o único capaz de se comunicar diretamente com Deus. Por outro lado, escondidos nas sombras estão os Caçadores, um grupo opositor ao Profeta e seus seguidores completamente envolto em segredos e mistérios sobre a possível catástrofe que está por vir. E, em meio às duas frentes, Mia terá que decidir ainda quem são seus inimigos e seus aliados na missão de evitar que o pior aconteça (seja ele qual for). E este é justamente um dos pontos que mais me chamou a atenção na narrativa de Jennifer Bosworth. A autora aborda de uma forma consistente e bem estruturada o fanatismo religioso e seus desdobramentos, um tema que, mesmo extremamente antigo, nunca deixa de ser atual. Claro que existem clichês e algumas alegorias mais óbvias, mas, no geral, o extremismo é bem pontuado. Contudo, por mais que eu tenha achado muito bacana a forma como esta e outras temáticas – como as inseguranças da protagonista com o corpo e si mesma - influenciam o desfecho, acredito que a autora poderia ter trabalhado melhor a ação ao longo do livro, uma vez que os mistérios são mantidos todos para o final e as partes mais emocionantes estão confinadas apenas aos últimos capítulos. 

Como YA que é, não poderia faltar um romance, e é neste ponto que entra em ação um dos personagens que eu gostaria que tivessem sido mais bem trabalhados, Jeremy. Presente desde os primeiros capítulos, ele é um dos maiores mistérios da trama, entretanto, a construção da ligação entre ele e Mia é revelada toda de uma vez próximo ao desfecho, ao invés de ao longo dos capítulos, e isso me incomodou. No fim das contas, a história do personagem pareceu um tanto óbvia e não gerou o efeito que eu estava esperando, mas não chegou a estragar a experiência de leitura. De acordo com o Goodread, “Caçadora de Tempestades” faz parte de uma série, uma vez que a própria autora já afirmou em algumas entrevistas que tem vontade de escrever mais livros dentro deste mesmo universo, contudo, nenhuma confirmação foi divulgada até agora. Acredito que este não é um dos melhores livros que li nos últimos tempos, mas, com seu ritmo fluido e envolvente e os assuntos que aborda, é uma das narrativas mais intrigantes no sentido de me fazer pensar sobre assuntos pouco presentes na ficção, como o fanatismo religioso. No mais, mesmo com algumas ressalvas, é uma leitura mais do que recomendada.


4 comentários:

  1. Oi Le! Também sou dessas que compra livro pela capa ou pelo valor, hahaha E é muito bom quando somos surpreendidos de forma positiva, né?
    Achei o tema bem diferente! Será que ainda encontro em promoção? hahaha

    Beeeeijos!

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    1. Ei miga! Nossa eu não esperava isso dessa história, viu? Eu adorei a capa e a premissa, e o tema acabou me surpreendendo pela forma que foi abordado. Acho que sim hahaha Na Americanas sempre tem! Um beijo :*

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  2. Que loucura isso de ser viciada em descargas elétricas, achei bem curioso. Não sou a maior fã de YA, então não sei se curtiria a leitura, mas achei a premissa bem diferente e interessante. Um abraço!

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    1. Eu aprendi a gostar dos YA no finalzinho de 2016, e tenho feito boas leituras do gênero desde então. O tema é bem curioso mesmo e curti bastante! Um beijo :*

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