quinta-feira, 22 de março de 2018

Resenha: Ordem Vermelha

“As seis faces da deusa Una observam você aonde quer que vá. Às vésperas de mais um Festival da Morte, chegou a hora de retribuir esse olhar. Bem de perto”. 

Sinopse: “Você destruiria seu mundo em nome da verdade? Aos pés do monte Ahtul, ao lado dos Grandes Pântanos, fica Untherak, última região habitada do mundo. Nela, humanos e kaorshs, gigantes e anões, gnolls e sinfos vivem para servir à deusa Una. Cumprindo sua missão milenar, eles coexistem em relativa paz. Até que a kaorsh Yanisha descobre um segredo capaz de abalar as estruturas do Palácio. Junto com a esposa, Raazi, ela arquiteta um plano tão corajoso quanto arriscado, que terá como cenário o Festival da Morte. Foi em uma das edições do Festival que o falcoeiro Aelian perdeu o pai. O jovem não se lembra de como era viver sem o peso da servidão, mas nunca esqueceu como é ter uma família. Com a volta do torneio, ele não só vai testemunhar acontecimentos que mudarão definitivamente sua vida, como também vai descobrir seu importante papel no novo mundo que se descortina. Ordem Vermelha: Filhos da Degradação é o livro que inicia a jornada de quatro improváveis heróis lutando pela liberdade de um povo. Um épico sobre resistir à opressão, sobre lutar contra o status quo e construir bravamente o próprio destino”. 

Título: Ordem Vermelha: Filhos da Degradação (Volume 01). 
Autor: Felipe Castilho. 
Páginas: 448 páginas. 
Editora: Intrínseca. 
ISBN: 978-85-510-0269-8. 

“No princípio, não havia nada, somente os Seis Deuses. E, em toda a sua bondade, eles teceram o manto dos céus – um lado escuro e cravejado de pedras preciosas, o outro, claro e com uma pepita de ouro incrustrada. Os Deuses o estenderam acima da superfície que abrigaria as águas, os montes e tudo mais que a vasta imaginação dos Seis ousasse materializar”. 

Algumas Impressões 

Primeiro volume de uma duologia, “Ordem Vermelha: Filhos da Degradação” é a aposta da Editoria Intrínseca na fantasia nacional, e chega ao mercado com a (difícil) missão de quebrar alguns dos pré-conceitos estabelecidos sobre nossos autores nacionais. Lançado na edição de 2017 da Comic Con Experience (CCXP), em São Paulo, este título do autor Felipe Castilho pode ser considerado um dos melhores que já li, levando em consideração que a fantasia é um dos meus gêneros literários favoritos, e talvez por isso tenha sido tão complicado descrevê-lo em palavras aqui nesta resenha. Com uma narrativa repleta de mentiras, reviravoltas e mensagens ocultas, “Filhos da Degradação” é um livro profundo, com um enredo de muitas camadas que envolve o leitor à medida que apresenta sua própria mitologia. Na trama, Untherak é considerada a última (e única) civilização do mundo conhecido, a única cidade que ainda se mantém de pé em meio à Devastação. Nela, humanos, kaorshs, sinfos e anões (sobre)vivem há um milênio sobre o olhar atento e punitivo da deusa Una, uma divindade de seis faces resultante da união dos antigos deuses e com poderes capazes de cobrir o sol e trazer a eterna escuridão. Qualquer fagulha de rebeldia é prontamente apagada, e cabe às raças viverem suas vidas miseráveis resignados, obedientes e constantemente com medo.

“O tempo tem a capacidade de transformar tudo, exceto a si mesmo. Ele derruba muralhas, modifica raças, transfigura uma pessoa em outra e deturpa memórias. No entanto, será sempre o tempo. E é claro que o tempo só existe porque a soberana assim o permite”. 

E em um cenário onde a esperança nada mais é do que uma palavra vazia ou mesmo uma lembrança distante, quatro heróis surgem como uma última luz no limiar da escuridão. Quando duas kaorshs descobrem segredos capazes de abalar as estruturas de toda a sociedade e começam a traçar um audacioso plano (para não dizer suicida) para derrubar este império, um pequeno grupo se forma na tentativa de extinguir a rotina opressiva, tomar o controle de suas existências e, quem sabe, alcançar a tão sonhada liberdade – mesmo que para isso precisem percorrer caminhos mortais e extremamente tortuosos (e que não têm volta, claramente). Com um tom sombrio e uma trama envolvente e de ritmo fluido, “Ordem Vermelha” é uma história sobre as mentiras que podem esconder a verdade por muitos e muitos anos, sobre coragem e determinação, perseverança, mudanças e também sobre vingança. Utilizando-se do pano de fundo da ficção e da fantasia, o autor nos leva a uma profunda reflexão sobre nossa essência conflituosa, sobre a perversidade e a arrogância que permeiam nossos corações e sobre a ilusão em suas mais diversas manifestações. Fiquei extremamente satisfeita ao concluir esta leitura, assim como surpresa com as inúmeras reviravoltas contidas nas páginas, capazes de abalar todas as estruturas possíveis e imagináveis. 

"Mais perturbador do que fugir do lugar onde se perdeu tudo é retornar por vontade própria". 

Sendo bem sincera, acompanhei todo o hype do lançamento da trama e as opiniões positivas, mas não esperava que ela ia me agradar tanto. Com personagens interessantes e bem construídos e um cenário mitológico que, mesmo deixando explícitas algumas inspirações, não cai necessariamente na premissa “tolkieniana”, “Ordem Vermelha” utiliza do bom e velho modelo de construção de jornadas de RPG para envolver o leitor, quase tornando-o parte da própria narrativa. Além disso, a edição publicada pela Intrínseca se superou nos detalhes, com informações estratégicas bem trabalhadas e um belíssimo mapa da região onde se passa a trama. No mais, acho que nem preciso dizer que já estou ansiosa pelo próximo volume e que, sendo você fã de fantasias ou não, é uma leitura mais do que recomendada, né?! 

Sobre a Intrínseca
Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.



16 comentários:

  1. Eu já queria ler esse livro e sua resenha me deixou com mais vontade ainda de comprar ele logo. Não sabia que se tratava de uma duologia, isso me anima pois ando com pouca paciência para trilogias/sagas/séries.
    É legal ver as editoras grandes tomando coragem para apostar mais nos autores nacionais já que infelizmente ainda tem muito brasileiro com preconceito com o que é produzido no nosso próprio país :/

    ps: Suas fotos ficaram lindas ♥

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    1. Eu também ando um pouco sem paciência para tramas muito longas. Gostei bastante da premissa e da iniciativa da Intrínseca, por ser um autor nacional. E realmente, é complicado ver que nós mesmos desvalorizamos o trabalho da galera que está batalhando por aqui :( Sobre as fotos, muito obrigada! <3 <3

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  2. Olá!
    Estou acompanhando todo o hype desse livro e me deixando ser envolvida aos poucos. Não sou uma pessoa que lê muita fantasia, atualmente estou na minha terceira, mas gostaria de mudar isso já que estou me interessando muito por RPG e acredito que essas histórias estimulariam a minha criatividade e ajudariam quando eu fosse jogar ou criar um personagem. Me interessou também por ser nacional, já que a primeira fantasia que li foi escrito por um autor brasileiro e me deixou bastante animada com o gênero. Espero um dia conseguir encaixá-lo em minhas leituras.

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    1. Eu também adoro RPG, e a fantasia é um gênero muito inspirador para esse tipo de narrativa, principalmente na hora de criar cenários e personagens. Eu fui acompanhando o hype do livro antes do lançamento e esperei passar um pouco para dar uma chance. E olha, é muito bacana, ainda mais sendo de um autor nacional, o que já é muito incrível. Espero que consiga ler! Um beijo :*

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  3. Achei interessante a proposta e fiquei bem surpresa por saber que se trata de uma obra nacional. Confesso que apesar de gostar do estilo não costumo ler muitos livros sobre da mesma maneira que acompanho filmes e séries. Mas gostei da dica e da tua resenha.

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    1. No começo do hype nesse livro, ainda em dezembro do ano passado, eu também não sabia que era um nacional! Quando fui pesquisar sobre adorei a proposta e logo quis fazer a leitura. Um beijo e obrigada!

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  4. Estou com este livro aqui, mas não estava acreditando no potencial dele. Acompanhei todo o marketing do lançamento. E fiquei com os dois pés atrás. Depois de ler sua resenha, estou pensando em colocar ele mais na frente da fila de livros pra ler.

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    1. É super normal né, quando um livro vira praticamente um spam, ficar com o pé atrás hahaha Eu confesso que comecei a leitura assim, mas com o tempo fui me envolvendo cada vez mais com a história. A trama é complexa e interessante! Um beijo <3

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  5. Ordem Vermelha não faz muito meu tipo, mas é tão legal ver um livro nacional ganhando tanto destaque, espero que faça muito sucesso. Resenha excelente, faz com que dê muita vontade de ler o livro.

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    1. Muito obrigada!! Sobre o livro em si, eu sou suspeita para falar sobre o gênero porque adoro, mas o que mais me chamou a atenção foi justamente o fato de ser um nacional ganhando esse destaque enorme! Um beijo <3

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  6. Comentário aleatório: fui lendo a sinopse e sua resenha e foi me dando um nervosinho vendo tanto nome estranho e imaginando que esse ano vou ler SdA pela primeira vez hahahaha.

    Confesso que eu tinha achado que esse livro era superestimado, o mkt em cima dele foi grande, mas sabendo sua opinião já me dá uma animada pra ler.

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    1. hahahaha Eu sou MUITO suspeita para falar sobre SdA, então nem vou dizer que tem nome pra caramba e que eu amo demais kkkkkkk Sobre o livro, eu também achei no começo por conta do mkt enorme que fizeram para ele e aquele lançamento na CCXP. Mas no fim a trama merece destaque. Claro que sempre tem aqueles pontinhos que poderiam ser diferentes, mas no geral é bem construído e envolvente!

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  7. Que bacana, fantasia nacional! Eu já li vários livros de fantasia - aliás, tinha uma época que era meu gênero preferido -, mas acabei me afastando e faz tempo que não tenho um contato significativo. De todo modo, tudo que eu li sempre foi de autores estrangeiros, então me chamou bastante atenção esse livro!

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    1. Sim <3 Acredito que esse é um dos maiores diferenciais do livro. A fantasia é um dos meus gêneros favoritos, e eu sempre li estrangeiros também. Então quando vi a proposta o livro me chamou muito a atenção também! Um beijo <3

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  8. Eu também acompanhei todo hype de lançamento desse livro mas acabei não comprando (porque já tenho muitos livros de fantasia que preciso ler pegando po aqui na minha estante), mas eu confesso que a história parece ser bem do tipo que me agrada!

    Não sabia que se tratava de uma duologia, pensei que seria aquelas séries beeem grandes e isso foi um fator que me desanimou um pouco, muito bom saber!!! :)

    Um beijo!
    Colorindo Nuvens

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    1. Nossa miga, nem vamos falar sobre o tanto de livros que preciso ler e que estão parados por aqui, ou eu começo a chorar hahaha Até agora foi anunciada uma duologia né (o que eu acho muito mais interessante do que ficar enchendo linguiça em mil livros), e espero que continue assim! haha Um beijo <3

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