segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Sessão Pipoca: Pantera Negra


Sinopse: “Após a morte do rei T'Chaka (John Kani), o príncipe T'Challa (Chadwick Boseman) retorna a Wakanda para a cerimônia de coroação. Nela são reunidas as cinco tribos que compõem o reino, sendo que uma delas, os Jabari, não apoia o atual governo. T'Challa logo recebe o apoio de Okoye (Danai Gurira), a chefe da guarda de Wakanda, da irmã Shuri (Laetitia Wright), que coordena a área tecnológica do reino, e também de Nakia (Lupita Nyong'o), a grande paixão do atual Pantera Negra, que não quer se tornar rainha. Juntos, eles estão à procura de Ulysses Klaue (Andy Serkis), que roubou de Wakanda um punhado de vibranium, alguns anos atrás”. 

Título: Pantera Negra. 
Duração: 2 horas e 15 minutos. 
Direção: Ryan Coogler. 
Gênero: Ação, Aventura, Ficção científica, Fantasia. 
Lançamento: 15 de fevereiro de 2018. 

Algumas Impressões 

Um dos mais icônicos super-heróis da Marvel Comics, o Pantera Negra apareceu pela primeira vez na edição número 52 de “Fantastic Four” (Quarteto Fantástico), em 1966, e logo ganhou a atenção do público. Mesmo tendo sido precedido por heróis como Waku, o Príncipe de Bantu (1954, Atlas Comics), e Lobo, o pistoleiro do velho oeste (1965, Dell Comics), T’Challa, o alter ego mais famoso do Pantera, foi o primeiro super-herói negro da história dos comics norte-americanos, uma vez que os outros dois não possuíam superpoderes. E, ao ganhar seu próprio título solo, abriu caminho para uma série de outros super-heróis, como Luke Cage e Falcão, e tornou-se um marco de representatividade na história dos quadrinhos. E representatividade é uma das palavras que mais define “Pantera Negra”, o mais novo longa do Universo Cinematográfico da Marvel, que chegou aos cinemas no último dia quinze de fevereiro. Sem fugir da tendência temporal que conecta todos os filmes do estúdio desde 2008, a trama ambienta a realidade do herói em sua terra natal, Wakanda, e relembra alguns dos acontecimentos de “Capitão América: Guerra Civil”, onde o Pantera estreou no MCU. 


Wakanda é uma nação africana extremamente isolada, porém altamente desenvolvida tecnologicamente por conta de suas reservas de Vibranium, um mineral considerado o material mais raro e valioso do mundo (que, caso você não se lembre, é o mesmo usado no escudo do Capitão). A modernidade e as raízes ancestrais convivem em harmonia, e, para manter suas riquezas a salvo, os Wakandans e seus governantes mantém perante o mundo o disfarce de que são apenas um país subdesenvolvido do terceiro mundo e raramente permitem a visita de estrangeiros. No longa, a cultura construída em torno do lugar é muito bem retratada, desde os figurinos, às crenças envolvendo rituais e danças, até o sotaque, tudo pensado especialmente para retratar de forma coesa todas as particularidades e peculiaridades do lugar, que atua quase como um dos protagonistas da trama. 


Em linhas gerais, “Pantera Negra” é uma produção não apenas representativa, como também política, essencial e empoderadora. Além de possibilitar um ícone negro de super-herói no qual milhares de jovens ao redor do mundo podem se reconhecer e se espelhar, a narrativa ainda traz ao MCU uma forte crítica social à realidade marcada pelo preconceito e o abandono de muitos destes jovens, retratada principalmente na figura de Killmonger (Michael B. Jordan), um dos vilões do longa. O conflito entre ele e T’Challa (Chadwick Boseman), inclusive, está sendo apontado como um paralelo ao embate entre os ideais de Martin Luther King e Malcolm X, nos anos 60, onde ambos discutiam sobre a posição dos negros na sociedade norte-americana (Luther King buscava a integração racial, enquanto Malcolm X possuía um discurso mais radical e extremista). 


O diretor e roteirista, Ryan Coogler, soube retratar de forma muito coesa particularidades típicas da cultura negra em cada sequência, além de fazer com que o filme servisse como um ícone de representação feminina, principalmente através das personagens de Lupita Nyong’o, Danai Gurira e Letitia Wright, todas mulheres fortes, guerreiras, inteligentes, extremamente decididas e com papeis fundamentais para o desfecho – o que demonstra um ótimo equilíbrio em relação à presença em cena de homens e mulheres. Já no que diz respeito aos vilões, tanto o personagem de Andy Serkis (que já havia aparecido em produções anteriores), quanto Killmonger foram bem construídos, e, enquanto o primeiro faz uma atuação mais caricata e sem escrúpulos, o segundo é um oposto mais taciturno, raivoso e estrategista, com seus objetivos moldados através de um acontecimento do passado. Em minha opinião, é o melhor filme dos estúdios Marvel desde “Capitão América: O Soldado Invernal”, ultrapassando também “Dr. Estranho”, ambos amplamente elogiados pela crítica. 


No mais, a trilha sonora, composta em sua maioria por músicos negros, como Kendrick Lamar e The Weeknd, é uma maravilha à parte, sendo “Pray For Me” e “All The Stars (with SZA) minhas faixas favoritas. À título de curiosidade, o rapper brasileiro Emicida também lançou uma música inspirada no herói, a crítica “Pantera Negra”, e vale muito à pena incluí-la na playlist mesmo não fazendo parte da soundtrack original. Por fim, é um daqueles filmes mais do que recomendados, e, caso ainda não tenha assistido, corra ao cinema mais próximo, garanto que não vai se arrepender. E que venha a Guerra Infinita.

4 comentários:

  1. Meu Deus, eu preciso assistir logo esse filme! Fiquei ainda mais empolgada depois de ler sua critica *-*

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    1. Eu fiquei completamente apaixonada por esse filme e quero ver umas mil vezes hahaha Alguém me segura! Um beijo <3

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  2. Minha senhora, ainda não consegui assistir esse filme e não vejo a hora haihaiuhaiuhaiuhauia


    Sai da Minha Lente

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    1. Miga pelo amor de Wakanda, você precisa assistir essa coisa maravilhosa hahaha Um beijo!

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