segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Resenha: A Rainha Vermelha

“Na escola, aprendemos sobre o mundo antes de nós, sobre anjos e deuses que viviam no céu e governavam a Terra com mãos ternas e gentis. Alguns dizem que não passam de histórias, mas não acredito nisso. Os deuses ainda governam. Ainda descem das estrelas. Só não são mais gentis”. 

Sinopse: “O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso.... Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe – e Mare contra seu próprio coração”. 

Título: A Rainha Vermelha. 
Autora: Victoria Aveyard. 
Páginas: 420 páginas. 
Editora: Seguinte. 
ISBN: 978-85-65765-69-5. 

“Olho para minhas mãos e meus braços, admirada com a eletricidade que paira sobre mim. A roupa continua a queimar, abrasada pelo calor, mas minha pele não muda. O escudo continua a tentar me matar, mas não consegue. Está tudo errado. Estou viva”. 

Algumas Impressões 

Assim que concluí a leitura do livro “A Rainha Vermelha”, da autora Victoria Aveyard, fiquei me perguntando como o definiria em palavras. Talvez seja por isso que demorei tanto tempo para publicar esta resenha, de uma narrativa que, em poucas palavras, une uma protagonista forte a reflexões políticas e sociais que tecem um perigoso jogo pelo poder. A começar pela segregação racial, uma vez que no mundo de Mare Barrow a sociedade é dividida pelo sangue, entre vermelhos e prateados. Enquanto os reis e nobres prateados que comandam o sistema monarca são dotados de inúmeras habilidades inimagináveis, vistas como resquícios de sua suposta descendência dos deuses, os vermelhos, vivem com menos do que os restos deixados por suas pseudo divindades, obrigados a servir, direta ou indiretamente, aos interesses dos prateados. Como os vermelhos não possuem poderes, devem sempre temer os mais fortes. Mas, será mesmo?

“Ele é um ardente. É um príncipe, e um príncipe perigoso. Mas as chamas desaparecem tão rápido quanto vieram. Permanecem apenas o sorriso encorajador de Cal e a vibração das câmeras, escondidas em algum lugar, observando tudo”. 

Mare é uma vermelha que vive com a família em um pequeno vilarejo, e que, sem as habilidades para a costura da irmã e ainda fora da idade para servir ao Exército como seus três irmãos mais velhos, rouba como forma de ajudar nas despesas de casa. Até que é convocada para trabalhar no palácio real e, em um acidente logo em seu primeiro dia como criada, acaba descobrindo algo sobre si mesma que se mostra, ao mesmo tempo, uma esperança e um grande perigo. Diferente, a garota representa uma ameaça à nobreza, que fará de tudo para esconder a verdade. Afinal, se o povo e as demais Casas Prateadas descobrirem que uma vermelha possui poderes dignos de alguém de sangue prata, todo um sistema baseado na “lei do mais forte” pode ruir. Sob ameaça, Mare é obrigada a fingir que é uma prateada, e embarca em uma trama de intrigas, manipulações e descobertas, entendendo da pior forma possível que “todo mundo pode trair todo mundo”. 


Por mais que o enredo possa conter diversos clichês característicos de distopias (Alô Divergente e Jogos Vorazes!), o que mais me chamou atenção nesta narrativa foi a forma como a autora resolveu contá-la. A escrita de Victoria Aveyard prende o leitor de tal modo que é quase impossível largar as páginas até de fato concluí-las – e logo que terminei o primeiro já ansiava pelo segundo volume (inclusive, estou enrolando para terminar a leitura pois ainda não tenho o terceiro). A construção da história, com seus elementos tão comuns e ao mesmo tempo tão originais também me conquistou, pois mesmo nos momentos em que julgamos saber exatamente qual será o desenrolar de determinada sequência, é possível se surpreender. Outro ponto que me chamou a atenção foi o romance, que, por mais que pareça o “ponto central” da trama, nada mais é do que um mero coadjuvante diante dos verdadeiros objetivos de Mare, muito mais nobres e ambiciosos (alguém aí pediu uma revolução?). Acredito que se você gosta de distopias, tramas políticas, discussões sociais e narrativas que flertam a todo momento com o fantástico, vai gostar de “A Rainha Vermelha”. Leitura mais do que recomendada.

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