sábado, 27 de janeiro de 2018

Sessão Pipoca: Viva: A Vida é Uma Festa

Sinopse: “Miguel é um menino de doze anos que quer muito ser um músico famoso, mas precisa lidar com sua família, que desaprova seu sonho. Determinado a virar o jogo, ele acaba desencadeando uma série de eventos ligados a um mistério que já dura um século. A aventura, com inspiração na tradição mexicana do “Dia dos Mortos”, acaba gerando uma extraordinária e emocionante reunião familiar”. 

Título: Viva: A Vida é Uma Festa.
Duração: 1 hora e 45 minutos. 
Direção: Lee Unkrich e Adrian Molina. 
Gênero: Animação, Aventura, Fantasia. 
Lançamento: 04 de janeiro de 2018.

Algumas Impressões

É extremamente gratificante quando assistimos a um filme que nos encanta e emociona, provocando um misto de sentimentos, e não é de hoje que as animações da Disney em conjunto com os estúdios Pixar possuem o dom de causar estar reações ao abordarem assuntos delicados, como a morte, de forma sutil e até mesmo metafórica. Contudo, em “Viva: A Vida é Uma Festa”, que chegou aos cinemas brasileiros ainda no início de janeiro, a Pixar ousou ao abordar a morte de uma forma atípica, remontando a tradição mexicana do “Dia de los muertos” e explorando não somente a morte natural, mas também os acidentes, assassinatos e a morte simbólica causada pelo esquecimento. E, por mais que este pareça um assunto pesado como tema de uma produção para o público infantil, a animação completa a narrativa com a poesia, a música e, sobretudo, a importância da família e do afeto. Na trama, conhecemos Miguel, um garoto apaixonado pela música, mas que vive em uma família que abomina esta arte devido a um trauma do passado. Entretanto, ele nutre em segredo o sonho de se tornar um artista, inspirado pelas melodias românticas do ídolo Ernesto de la Cruz. Mas será possível conciliar esta paixão com o amor e os anseios de sua família? Ao ser confrontado diante da vontade de ser músico, Miguel foge, e acaba sendo arrastado para uma aventura sem precedentes: o garoto vai parar no lugar onde hoje vivem seus antepassados justamente no Dia dos Mortos, data em que podem “visitar” as famílias desde que por elas sejam lembrados. E, para retornar ao mundo dos vivos, ele deverá compreender o limite de seus desejos e, acima de tudo, decidir do que está disposto a abrir mão para a realização de seu sonho. 


Antes de mais nada, preciso dizer que esta animação me conquistou de forma única, e que entrou para a lista das minhas favoritas ainda nos momentos iniciais. “Viva: A Vida é Uma Festa” traz o equilíbrio perfeito entre cultura mexicana, poesia, música, contemporaneidade, sentimento e espiritualidade, sem desrespeitar nenhum dos aspectos intrínsecos a cada um dos pontos. Os personagens e cenários, extremamente lúdicos e fundamentalmente bem construídos, são tratados com carinho do início ao fim desta narrativa, com uma riqueza de detalhes que foge à técnica realista e aposta em fotografia, luz, montagem e sons que contam de forma simples, porém belíssima, a história de várias gerações, realçando aspectos da cultura mexicana. Além do visual, colorido e vivo, a edição de som e a trilha sonora desta produção são dois dos pontos de maior destaque, onde ruídos, diálogos e fundo musical dão lugar a silêncios em momentos estratégicos e muito bem escolhidos, que potencializam a conexão com o expectador.


A canção-tema “Lembre de Mim”, destaca justamente o papel da memória e do afeto dentro da trama, e emociona por sugerir que o amor não se dá somente pela presença física, mas pelas lembranças que temos dos que cuidaram de nós – algo que também foi explorado na animação “Festa no Céu” (2014), de Guillermo Del Toro. Particularmente, gostei muito desta animação, não apenas pela forma que abordou um tema tão complexo e delicado, mas também pelo modo que o dilema de Miguel se resolve, em um desfecho no mínimo tocante e até surpreendente que leva o público a refletir sobre a narrativa. No mais, é um filme sensível e extremamente recomendado.





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