segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Resenha: A Mulher na Cabine 10

“No meu sonho, a menina estava se afastando, cada vez mais fundo sob o quebrar das ondas e os gritos das gaivotas, nas profundezas geladas e sem luz do Mar do Norte. Seus olhos risonhos estavam brancos e inchados com a água salgada, a pele clara enrugada, a roupa rasgada pelas pedras pontiagudas, se desfazendo em trapos”. 

Sinopse: “Lo Blacklock, jornalista de uma revista de turismo, é vítima de uma invasão domiciliar. Embora tenha saído praticamente ilesa da ocorrência, ela agora tem dificuldades para dormir e vive à base de ansiolíticos. Nesta fase conturbada de sua vida, Lo recebe um convite da revista em que trabalha para cobrir a viagem inaugural de um luxuoso navio, o Aurora Boreal. Uma ótima oportunidade para ser promovida e, quem sabe, se recuperar do choque sofrido. O cenário no interior do Aurora é fascinante: cabines luxuosas, jantares esplêndidos e convidados elegantes. No meio de uma noite, no entanto, Lo acorda com um grito, corre para a janela e vê o que lhe parece um corpo sendo jogado ao mar da cabine vizinha à sua. Mas os registros mostram que ninguém se hospedara ao seu lado e que não falta nenhum passageiro da lista do navio. Lo se recusa a duvidar de seus próprios instintos e começa uma investigação para encontrar qualquer prova de que foi testemunha de um assassinato. Exausta, abalada emocionalmente e desacreditada por todos os passageiros, que seguem viagem como se nada tivesse acontecido, ela precisa encarar a possibilidade de que talvez tenha cometido um terrível engano. Ou se convencer de uma vez por todas de que está presa em um navio com um assassino à solta. Em um cenário claustrofóbico e inquietante, A mulher na cabine 10 é um mistério clássico na tradição de Agatha Christie, capaz de manter o leitor atento até a última página, e que estabelece de vez Ruth Ware como um dos grandes nomes do suspense contemporâneo”. 

Título: A Mulher na Cabine 10. .
Autor: Ruth Ware. 
Páginas: 320 páginas.
Editora: Rocco.
ISBN: 978-85-325-3091-2.

“Estava virando a página e ouvi outra coisa, que mal registrei acima do barulho do motor e das ondas batendo no casco, um ruído tão suave que papel raspando em papel quase abafou. Era o barulho da porta da varanda da cabine vizinha deslizando e abrindo suavemente. Prendi a respiração e me esforcei para escutar. Então ouvi alguma coisa batendo na água. E não era nada pequeno. Não, o barulho na água era de uma coisa grande. O tipo de barulho que faz um corpo jogado na água”. 

Algumas Impressões 

No ano passado, quando fiz a leitura de “Em Um Bosque Muito Escuro” (clique para ler a resenha), fiquei completamente envolvida pelo estilo narrativo de Ruth Ware, e ansiosa por fazer a leitura de outras obras da autora. E eis que, ainda no fim de 2017, a Rocco publica seu mais novo livro, “A Mulher Na Cabine 10”, que chegou por aqui através da nossa parceria com a editora. Comecei a leitura com uma carga de expectativa alta, e logo de cara fui surpreendida com os rumos do enredo, que, com fortes traços de thriller psicológico, também flerta com os gêneros de suspense e investigação. A trama é narrada em primeira pessoa pela jornalista de turismo Lo Blacklock, e, ainda no primeiro capítulo, o leitor fica a par de um grande trauma sofrido pela personagem - o que acaba ditando não apenas o comportamento de Lo como o ritmo das pouco mais de trezentas páginas da obra. Passando por uma fase extremamente complicada em sua vida, a jornalista é convidada para cobrir a viagem inaugural de um novo navio de luxo para a revista em que trabalha, o Aurora Boreal, juntamente com outros jornalistas, fotógrafos e convidados da alta sociedade. Contudo, por mais que a beleza do navio fosse estonteante e a viagem aparentasse ser tranquila e memorável, numa noite Lo ouve um grito e, da janela de sua cabine, vê o que parece ser um corpo ser jogado ao mar da cabine vizinha à sua.

“A porta de freixo à minha direita tinha uma plaquinha que dizia “10: Palm-Green”, que me fez pensar que o suprimento de cientistas escandinavos devia estar acabando quando terminaram a decoração deste navio. Bati timidamente. (...). Abriram a porta, pareceu que a ocupante estava parada bem na sua frente. (...) Ela era jovem e bonita, tinha cabelo preto comprido e usava uma camiseta velha de Pink Floyd, com furos que, por algum motivo, me fez gostar muito dela”. 

A partir daí a jornalista se vê diante de um grande mistério: de acordo com os responsáveis pelo Aurora, a cabine dez estava vazia, sem nenhum passageiro registrado. Além disso, a lista de convidados está completa, e ninguém além de Lo parece saber da existência da menina que ela viu na cabine ao lado. Instável, cansada e visivelmente abalada, ela não é levada a sério pelos demais passageiros, mas tampouco está disposta a ignorar seus instintos e está decidida a, mesmo sozinha, buscar provas de que está falando a verdade. Confinada em um navio com um possível assassino e uma gama variada de personagens, a protagonista não pode confiar em ninguém – talvez nem em si mesma. A leitura é intrigante, e conserva características presentes em “Em Um Bosque Muito Escuro”, contudo, a construção da jornalista me incomodou um pouco, pois ela se mostra muito paranoica e até mesmo um pouco chata em diversos momentos. O álcool também se torna um problema ao longo da narrativa, uma vez que Lo “se apoia” no consumo para remediar os problemas pelos quais está passando – o que acaba fazendo com que ela seja ainda mais desacreditada. Entretanto, minha maior crítica é em relação à forma como Ruth Ware construiu os demais tripulantes do navio. O potencial que o grupo possuía era gigantesco, contudo, as tentativas de transformá-los em suspeitos ao longo da narrativa acabaram se mostrando um tanto fracas, não resultando em nenhuma emoção na maior parte das vezes. A solução encontrada para o desfecho pode frustrar alguns leitores mais aficionados pelo gênero de suspense, principalmente os amantes de Agatha Christie, mas não foi de todo ruim. No fim, acabei gostando da trama como um todo, apesar de reconhecer que, em alguns aspectos, Ware não repetiu a fórmula de seu livro anterior e deixou um pouco a desejar quando o objetivo era surpreender o leitor.


Sobre a Editora Rocco
Há mais de três décadas demonstrando sensibilidade para detectar as tendências do mercado, ousadia na difusão de novas ideias e agilidade de produção, a Rocco se orgulha por ser uma editora sólida e independente, capaz de se reinventar a cada dia para atender aos anseios do público brasileiro. Seus selos são: Rocco, Rocco Jovens Leitores, Rocco Digital, Bicicleta Amarela, Fábrica 231, Fantástica Rocco, Anfiteatro e Rocco Pequenos Leitores.



4 comentários:

  1. Le, eu nunca li nada da autora.
    E esse livro tem todos os elementos que me atraem. Inclusive thriller psicológico e investigação. Sem dúvidas anotei essa dica maravilhosa <3

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    1. O outro livro que li dela ficou na minha mente por um bom tempo. Eu gostei da forma como a narrativa foi construída sabe? E pelo amor, leia e me diga o que achou! Um beijo <3

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  2. Quando comecei a ler sobre a sinopse na hora me veio Morte no Nilo e depois ainda me citam a Agatha hsuahusahuas
    Me pareceu muito interessante a história. Um pouco agoniante, essas história que o protagonista começa a ser descreditado me deixam agoniada, fico naquele conflito: acredito nele, ou não?
    Enfim, livro muito interessante. Quem sabe leio algum dia.
    E gente, que saudade que eu tava de ler esse blog, as melhores resenhas <3

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    1. Me dá o maior desespero também quando ninguém acredita na personagem! Eu fico muito agoniada querendo entrar na história e esfregar as coisas na cara das pessoas hahaha É interessante sim, mas gostei mais do primeiro que li da autora :( Um beijo! E eu estava com saudade de você também! <3

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