segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Resenha: Magnus Chase e os Deuses de Asgard: O Navio dos Mortos

“Percy tirou a tampa da caneta. Na mesma hora ela se transformou em uma espada de noventa centímetros com uma lâmina de bronze brilhante em formato de folha. Em comparação a Jacques, ela parecia delicada, quase mignon, mas pela forma como Percy brandia a arma, eu não tinha dúvida de que ele seria capaz de se defender com aquela coisa nos campos de batalha de Valhala”.

ATENÇÃO: Pode conter spoilers dos dois livros anteriores.

Sinopse: “Magnus Chase, filho de Frey, o deus do verão e da medicina, não leva muito jeito para ser herói. Mas, apesar de todas as dificuldades – e com uma ajudinha dos amigos -, ele conquistou grandes vitórias, partindo em aventuras com as quais jamais teria sonhado na época em que era um sem-teto nas ruas de Boston. Agora, Magnus vai encarar sua missão mais perigosa desde que chegou a Valhala. Loki está livre da prisão e preparando Naglfar, o navio dos mortos, para invadir Asgard e lutar ao lado de um exército de gigantes e zumbis na batalha final contra os deuses: o Ragnarök. Para derrota-lo, Magnus e seus amigos do andar dezenove vão precisar cruzar os oceanos de Midgard, Jötunheim e Niflheim para impedir Naglfar de zarpar, no solstício de verão. No caminho, enfrentarão deuses do mar irritados, gigantes hostis e malignos dragões cuspidores de fogo, mas o maior desafio de Magnus será vencer as próprias inseguranças. Será que ele tem o que é preciso para derrotar Loki?”. 

Título: Magnus Chase e os Deuses de Asgard: O Navio dos Mortos (Livro 3). 
Autor: Rick Riordan.
Páginas: 368 páginas.
Editora: Intrínseca. 
ISBN: 978-85-510-0247-6.

“Era bom ver minha prima tão feliz, mas ao mesmo tempo isso me lembrava quantas coisas estavam em jogo caso eu não conseguisse impedir Loki. Alex e eu já tínhamos morrido. Nós nunca envelheceríamos. Moraríamos em Valhala até o dia do Juízo Final (a não ser que morrêssemos fora do hotel antes disso). A melhor vida que poderíamos esperar era treinar para o Ragnarök, adiar a batalha inevitável o máximo de séculos possível e, um dia, marcar de Valhala com o exército de Odin e ter uma morte gloriosa enquanto os nove mundos queimavam à nossa volta. Divertido”. 

Algumas Impressões 

Rick Riordan é um autor versátil e extremamente minucioso, e conquista principalmente pela riqueza de detalhes e genialidade de suas histórias que, unindo ficção, mitologia e contemporaneidade, proporcionam uma leitura ao mesmo tempo enriquecedora e divertida. Escritor de literatura juvenil, o autor possui um estilo narrativo único, explora elementos históricos muitas vezes desconhecidos e desperta a curiosidade e o interesse dos leitores muito além das páginas de seus livros. E, depois de abordar os mitos gregos e romanos através das séries “Percy Jackson e os Olimpianos”, “Os Heróis do olimpo” e “As Provações de Apolo”, além dos egípcios através das “Crônicas dos Kane”, Riordan fez da mitologia nórdica o pano de fundo perfeito para a trilogia “Magnus Chase e os Deuses de Asgard”, que chega agora à sua conclusão com “O Navio dos Mortos”. Magnus Chase é um jovem que vivia nas ruas de Boston após a morte da mãe em um misterioso acidente, e que, de uma hora para a outra, se vê envolvido em uma trama intrincada que culmina em sua morte. E, quando ele renasce em Valhala, o paraíso viking para os guerreiros honrados de Odin mortos em batalha, descobre coisas sobre sua própria história que mudaram para sempre a forma como enxerga o mundo. É, os mitos nórdicos são reais, os deuses de Asgard existem, ele tem uma longa pós vida pela frente e, quando chegar a hora do Ragnarök, ele lutará na batalha que selará o destino de todos os nove mundos (clique para ler a resenha de “A Espada do Verão”).

“Quando eu era apenas um mortal comum, não sabia realmente muito sobre combates. Tinha a vaga ideia de que exércitos formavam filas, tocavam trompetes de guerra e marchavam para matarem uns aos outros de forma ordenada. Se eu pensasse em combate viking, visualizava algum cara gritando PAREDE DE ESCUDOS! e um bando de caras louros e cabeludos calmamente juntando os escudos em um padrão geométrico bonito como um poliedro ou, sei lá, um Megazord dos Power Rangers. Uma batalha de verdade não tinha nada a ver com isso”. 

A partir daí sua pós vida como ejnherji vira uma sucessão de missões na tentativa de impedir o Juízo Final, desde lutar com o lobo Fenrir e mantê-lo subjugado, até impedir um casamento jotun na tentativa de recuperar o martelo perdido do deus do trovão, Thor (afinal, sem ele o deus não é capaz de combater os gigantes que ameaçam invadir Midgard ou assistir suas séries favoritas. O que é uma verdadeira catástrofe). Contudo, apesar de todos os riscos, Magnus não está sozinho, e conta com a ajuda de seus fiéis companheiros, o anão Blitzen, o elfo Hearthstone e a valquíria Sam, e dos amigos do andar dezenove, que, juntos, formam um poderoso grupo de guerreiros prontos para qualquer batalha (clique para ler a resenha de “O Martelo de Thor”). E, em “O Navio dos Mortos”, eles vão precisar de toda coragem, ajuda e determinação que puderem reunir para enfrentar uma última ameaça: Loki, o deus da trapaça, está livre de suas amarras e se preparando para zarpar em Naglfar, o navio dos mortos. Caso ele consiga, seguirá rumo a Asgard para lutar ao lado de um exército de gigantes e zumbis na batalha final contra os deuses, o Ragnarök – que, por sinal, reduzirá todos os nove mundos a chamas. Em uma perigosa aventura rumo ao destino inevitável, Magnus e seus amigos terão de vencer inúmeros obstáculos se quiserem ter a chance de impedir a guerra. Mas, quando a hora chegar, será que o filho de Frey conseguirá deixar suas inseguranças de lado para enfrentar o deus da trapaça? Será que Magnus tem o que é necessário para frustrar as intenções de Loki e adiar o Ragnarök? 

A escrita de Riordan permanece impecável neste desfecho, emocionante, divertida e envolvente, e é extremamente satisfatório ter todas as perguntas deixadas ao longo da trama respondidas nesta conclusão de uma trilogia que me conquistou desde as primeiras páginas. A utilização dos elementos mitológicos é feita com maestria, e deixa de lado algumas das figuras mais hypadas para apostar em uma abordagem mais lúdica, instrutiva e dinâmica. Magnus é um personagem muito bem construído, assim como os demais, mas o que chama a atenção do leitor é o fato de que, mesmo inserido em um contexto fantástico, nosso protagonista não deixa de ser crível, realista, apresentando medos e inseguranças comuns. Outro ponto que merece destaque é a representatividade presente nesta trilogia, em especial nesta conclusão, uma vez que levanta a discussão de gêneros de forma consistente através de um (a) personagem em especial. A ponte com a série “As Provações de Apolo” também é mais do que bem-vinda, e só aumenta a ansiedade e curiosidade para o desfecho da trilogia, esperado para maio deste ano. No mais, é uma leitura mais do que recomendada!

Sobre a Intrínseca
Uma editora jovem, não só na idade – afinal foi fundada em dezembro de 2003 – mas no espírito inovador de optar pela publicação de ficção e não ficção priorizando a qualidade, e não a quantidade de lançamentos. Essa é a marca da Intrínseca, cujo catálogo reúne títulos cuidadosamente selecionados, dotados de uma vocação rara: conjugar valor literário e sucesso comercial.




Nenhum comentário:

Postar um comentário