segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Resenha: Divergente, de Veronica Roth

“E se eles disserem que não me encaixo em nenhuma das facções? Eu teria que viver nas ruas, com os sem-facção. Não conseguiria viver assim. Viver sem facção não significa apenas viver na pobreza e no desconforto: significa viver afastado da sociedade, separado da coisa mais importante da vida: a comunidade”. 

Sinopse: “Nesta versão futurista da cidade de Chicago, a sociedade se divide em cinco facções dedicadas ao cultivo de uma virtude – a Abnegação, a Amizade, a Audácia, a Franqueza e a Erudição. Aos dezesseis anos, numa grande cerimônia de iniciação, os jovens são submetidos a um teste de aptidão e devem escolher a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas. Para Beatrice, a difícil decisão é entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é – não pode ter os dois. Então, faz uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma. Durante a iniciação altamente competitiva que se segue, Beatrice muda seu nome para Tris e se esforça para decidir quem são realmente seus amigos – e onde se encaixa na sua nova vida um romance com um rapaz fascinante, porém perturbador. Mas Tris também tem um segredo, que mantém escondido de todos, pois poderia significar sua morte. Ao descobrir um conflito crescente que ameaça destruir sua sociedade aparentemente perfeita, ela também aprende que seu segredo pode ajudá-la a salvar aqueles que ama... ou destruí-la. A autora estreante Veronica Roth explodiu na cena literária com o primeiro livro da série Divergente – uma distopia cheia de decisões eletrizantes, traições devastadoras, consequências espetaculares e um romance inesperado”. 

Título: Divergente.
Autora: Veronica Roth.
Páginas: 504 páginas.
Editora: Rocco Jovens Leitores.
ISBN: 978-85-7980-131-0.

“Levo a mão à testa e fixo o chão ao sair da sala. Não tenho coragem de olhá-la nos olhos. Não tenho coragem de pensar a respeito da Cerimônia de Escolha amanhã. Agora a escolha é minha, independente do resultado do teste. Abnegação. Audácia. Erudição. Divergente”. 


Algumas Impressões 

Se tem algo de que gosto tanto quanto dos thrillers e fantasias, são as narrativas distópicas. Contudo, assim como fiz com a trilogia “Jogos Vorazes”, esperei que o hype passasse antes de solicitar “Divergente”, o primeiro volume do enredo criado pela autora Veronica Roth. Na trama, o mundo como o conhecemos sofreu grandes mudanças, principalmente políticas e organizacionais, e a Chicago atual é dividida em cinco facções: Amizade, Franqueza, Audácia, Erudição e Abnegação. Nossa protagonista, Beatrice Prior, é uma jovem de dezesseis anos que está prestes a enfrentar a escolha mais importante de sua vida, no caso, em qual facção passará o resto de seus dias. Acontece que, nesta nova configuração social, todos os jovens devem escolher seu destino ao completarem certa idade, e, caso optem por deixar para trás a facção de origem durante a Cerimônia de Escolha, devem abandonar suas famílias e colocar a nova facção acima do sangue. Para tornar a escolha mais “fácil”, os jovens passam por uma espécie de teste direcional, que aponta a provável facção a qual pertencem com base em como reagem às simulações, mas, no caso de Beatrice, os resultados são inconclusivos: o que significa que ela simplesmente não se encaixa em uma facção em específico. É o que chamam de Divergente, e, por isso, a garota corre um grande perigo por não pensar como os demais. 

“Uma multidão surge à medida que meus olhos se acostumam com a escuridão. Eles comemoram e lançam os punhos para o ar, e então outra pessoa aterrissa na rede. Ela cai gritando. É Christina. Todos riem, mas em seguida começam a comemorar novamente. Quatro apoia a mão nas minhas costas e diz: - Seja bem-vinda à Audácia”. 

Na hora da escolha, Beatrice acaba optando pela Audácia, tanto numa tentativa de deixar para trás os costumes da Abnegação quanto por querer fazer parte do grupo de pessoas ousadas e livres que sempre admirou de longe. Mas o que ela não sabia era que o processo de iniciação de sua nova facção não é nada fácil, e que, para se tornar um verdadeiro membro, terá de passar por critérios rigorosos e testes físicos, mentais e emocionais extremamente perigosos, colocando-se constantemente em risco. A narrativa de Veronica Roth é envolvente e cheia de potencial, e gostei particularmente da forma como os personagens são construídos, pautados em características críveis e possíveis de serem identificadas nas pessoas à nossa volta. E, apesar de não ser muito empática, Tris é uma boa protagonista e não é difícil torcer por ela, mesmo que sua inocência e despreparo decorrentes da criação na Abnegação tenham me tirado do sério em alguns momentos. Entretanto, o personagem que mais me cativou foi Quatro, e acredito que pelos mesmos motivos que cativa os milhares de leitores desta trama. Complexo e misterioso, ele é um dos responsáveis por treinar os iniciandos da Audácia, e acaba despertando sentimentos conflitantes em Tris, mas, muito além disso, é um daqueles personagens que envolvem pela imprevisibilidade.

“Há um único espelho em minha casa. Fica atrás de um painel corrediço no corredor do andar de cima. Nossa facção permite que eu fique eu fique diante dele no segundo dia do mês, a cada três meses, no dia em que minha mãe corta meu cabelo. 

Por mais que a discussão política não seja tão aprofundada quanto na história de Suzanne Collins, gostei da forma como Roth contextualizou as facções e seus respectivos papéis em uma nova configuração social, e acredito que, para além do desfecho deste primeiro volume, a história ganhará mais densidade. A Amizade é o grupo formado pelos que culpavam a agressividade pelos problemas do mundo, enquanto os membros da Franqueza culpavam a mentira e a omissão. Já a Erudição foi formada pelos que culpavam a ignorância, a Abnegação pelos que tinham o egoísmo como o principal culpado e a Audácia pelos que acreditavam que a covardia leva a atos de destruição. Quando Tris descobre que há muito mais por trás da crescente animosidade entre as facções do que se pode imaginar, a história passa a ser vista sob um novo ângulo, com mais ação, mesmo sem muitas revelações surpreendentes. Mas, por mais que eu não esperasse que as coisas fossem resolvidas inteiramente neste livro, não fiquei satisfeita com o fato da ação ser deixada basicamente para o último capítulo, o que fez com que algumas coisas recebessem soluções simples e até mesmo superficiais em alguns pontos. No mais, apesar do desfecho um pouco “corrido”, gostei bastante desta trama e pretendo continuar a leitura dos demais livros, e espero encarecidamente que a autora tenha conduzido a narrativa para rumos que fujam dos clichês distópicos, e que me surpreenda de algum modo – afinal, o enredo tem capacidade para isso. 

Sobre a Editora Rocco
Há mais de três décadas demonstrando sensibilidade para detectar as tendências do mercado, ousadia na difusão de novas ideias e agilidade de produção, a Rocco se orgulha por ser uma editora sólida e independente, capaz de se reinventar a cada dia para atender aos anseios do público brasileiro. Seus selos são: Rocco, Rocco Jovens Leitores, Rocco Digital, Bicicleta Amarela, Fábrica 231, Fantástica Rocco, Anfiteatro e Rocco Pequenos Leitores.



2 comentários:

  1. Oi Let!

    Nossa, achei que li errado esse livro, porque eu ACHEI HORRÍVEL. Todas as decisões da personagem, toda a história.. Gente, preciso reler, porque nem parece o livro que eu li ao ler sua resenha. Hahahahha

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    1. Ei Ane! Então, a Tris é complicada, e como eu disse me revoltei com ela várias vezes. Mas a história tem potencial para algo melhor, e eu ainda não li os outros então ainda estou naquela inocência de que as coisas que achei ruins podem melhorar hahahaha Um beijo!

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