sábado, 24 de junho de 2017

Resenha: A Menina Que Não Acredita Em Milagres

“Quando o pai de Campbell morreu, deixou para ela 1.262,56 dólares – tudo o que conseguira economizar durante o trabalho de vinte e dois anos como dançarino do fogo para o programa Espírito do Aloha no Hotel Polynesian, da Disney. Coincidentemente, esse era o valor exato que seu tio obeso, Gus, estava pedindo pelo fusca de 1998 em Vapor, a única cor que valia a pena ter, se você quisesse ter um fusca. Cam estava de olho desde que tinha seis anos, e ele valia cada centavo. Misturava-se à névoa como um carro invisível, e, quando ela o dirigia, sentia-se invisível, invencível e solitária. Ela esperava que fosse assim no céu”. 

Sinopse: “Campbell tem 17 anos. Ela não acredita em Deus. Muito menos em milagres. Cam sabe que tem pouco tempo de vida, por isso quer viver intensamente e fazer tudo o que nunca fez, no tempo que lhe resta. Mas a mãe de Cam não aceita o fato de perder a filha, assim, ela a convence a fazer uma viagem com ela e a irmã para Promise – um lugar conhecido por seus acontecimentos miraculosos. Em Promise, Cam se depara com eventos inacreditáveis, e, também, com o primeiro amor. Lá encontra, finalmente, o que estava procurando mesmo sem saber. Será que ela mudará de ideia em relação à probabilidade de milagres? A menina que não acredita em milagres vai fazer você rir, chorar e repensar sua conduta de vida”. 

Título: A Menina Que Não Acredita Em Milagres.
Autora: Wendy Wunder.
Páginas: 288 páginas.
Editora: Novo Conceito.
ISBN: 978-85-8163-812-6.

“O pai era atencioso, e mesmo depois de tudo isso (...) a mãe nem tinha chorado no funeral dele. Era a prova final para Cam (como se ela precisasse disso) de que o amor verdadeiro não existia. As ligações entre as pessoas eram temporárias. Egoístas. Oportunistas. Destinadas a perpetuar a espécie. “Amor”, do amor romântico, era apenas uma fantasia que se permitiam, porque, caso contrário, a vida seria chata demais para suportar”. 

Algumas Impressões 

Dos livros que recebi na caixa da Editora Novo Conceito, um dos que eu estava mais ansiosa para ler era “A Menina Que Não Acredita em Milagres”. Muito aclamado pela editora, esse sick-lit foi uma surpresa maravilhosa para mim, pois, apesar da ansiedade, não criei muitas expectativas quanto ao enredo, que se mostrou excepcional. Ao longo das quase trezentas páginas, somos brindados com a dose certa de humor ácido e personagens carismáticos, que criam uma trama real e emocionante do início ao fim. Na história, Campbell, ou simplesmente Cam, é uma garota que está morrendo por conta de uma doença terminal, e para ela tudo bem. Após anos pulando de tratamento em tratamento, apenas aceitou que o câncer tomará sua vida, e está disposta a fazer do tempo que lhe resta o melhor possível, sem mais agulhas, remédios ou hospitais – e o mais importante, sem a falsa esperança de que um milagre a salvará. Contudo, sua mãe ainda não desistiu de curar a filha, e na busca por tratamentos alternativos, acaba resolvendo levá-la a um lugar conhecido como a cidade dos milagres, Promise. Se para a mãe esta é a esperança de finalmente acabar com o câncer que domina cada pedacinho de Cam, para a garota é apenas a oportunidade de passar um tempo com a mãe e Perry, sua irmã mais nova, em uma road trip repleta de armadilhas para turistas antes de seu fim definitivo. Se realmente vai encontrar a cura em Promise ou não, ela pouco se importa. Ela quer a aventura. A leitura flui em um ritmo constante, e a narrativa é linear. Cam é uma garota divertida, porém amarga, e acredito que a narração flui tão bem principalmente por conta da construção da personagem, que se mostra complexa e passível de empatia. Ou seja, é fácil se identificar com ela, e a todo momento você quer vê-la enxergando rumos não tão sombrios para a própria vida. Na verdade, a cada novo capítulo a torcida para que ela viva o tempo que lhe resta da melhor forma possível aumenta, e, no fundo, eu esperava cada vez mais para que ela realmente acreditasse e encontrasse o milagre que sua família procurava.
“– Mas você é o dr. Handsome – falou. Ela sabia que o que realmente o deixava centrado era a medicina. – Afaste essas emoções e comece a dizer alguma coisa-de-médico. Você tem de falar da ciência dura, fria. Diga “malignidade” ou “subcutâneo” ou alguma coisa assim. Isso vai fazer você se sentir melhor. – A ciência não é suficiente agora, sopa Campbell. O que você precisa é de um milagre”. 

A primeira coisa que me chamou a atenção neste livro é que ele não se trata exclusivamente da doença em si, mas sim de uma jornada. Um processo de descobertas e aceitação, de revelações. Ao contrário do que se possa pensar, o ponto central dessa história não é o fato da cidade ser milagrosa (ou mesmo a cidade), mas Cam. Ela não é mágica ou algo do tipo, mas mesmo em meio a todo o caos no qual sua vida está mergulhada, ela tem forças para fazer com que as coisas aconteçam. A partir do momento em que a garota aceita sua doença e percebe que aqueles que a rodeiam não conseguem processar sua condição, ela se empenha para vê-los felizes, se não com a cura, pelo menos com a tentativa. Como é o caso de sua mãe, que está ansiosa por encontrar um tratamento que finalmente funcione para livrar a filha da doença. É triste ver como ela reage a cada nova notícia, pois a sensação de impotência diante do problema é quase palpável. Perry, a irmã mais nova de Cam, também é outra personagem muito interessante e importante para a trama, já que usa da indiferença para esconder seus reais sentimentos em relação ao provável destino da irmã. Já Lily, a melhor amiga de Cam, também é tida como condenada, mas é ela que norteia a protagonista em vários momentos da trama – e com as coisas mais banais, como a Lista do Flamingo. A questão é que Wendy Wunder criou personagens complexos e bem construídos, que conseguem transmitir todas as nuances deste enredo de uma forma muito natural. Em Promise, a “Cidade Milagrosa”, a figura mais importante para a história é Asher. O garoto perdeu todos que amava pelo fato destas pessoas terem deixado a ilha “mágica”, e, determinado a ficar, acaba conhecendo Cam e encontrando nela uma fonte de conhecimento sobre processos que não conhecia, principalmente sobre riscos e sobre não se esconder da vida e de suas inúmeras possibilidades. No mais, a narrativa me fez chorar em diversos momentos, principalmente por trazer para a discussão uma doença terminal, coisa que fez parte da minha experiência através da minha mãe, há alguns anos. Mas, o mais importante é que o conjunto completo de elementos que formam a trama de “A Menina Que Não Acredita em Milagres”, tem o potencial para fazer com que acreditemos neles. Talvez nos faça enxergar que é possível que eles se realizem, ou mesmo que estão por toda parte. Afinal, acordar todos os dias já pode ser considerado um deles.
Sobre a Novo Conceito
O Grupo Editorial Novo Conceito oferece sempre os best-sellers mais aguardados e comentados do meio literário. Em anos de sucesso editorial, foram vários os autores e títulos reconhecidos na principais listas do PublishNews e Veja. O selo Novo Conceito foi desenvolvido para reunir essas grandes publicações, além das novidades e lançamentos internacionais que ainda virão.




4 comentários:

  1. Eu também tava bem ansiosa pela leitura desse livro, até que um dia consegui pegar ♥ Eu amei a história, mas a narração da autora se mostrou desequilibrada pra mim. Em determinados momentos é a própria personagem que narra, aí do nada é alguém de fora que está narrando o que acontece com ela aieiuahe. Eu me perdi algumas vezes por causa disso, mas a história é incrível.

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    1. Eu senti só um pouco essa questão da narração, mas no fim consegui tirar um saldo muito positivo da experiência de leitura. Adorei a temática e a forma como a história se desenrolou também! Um beijo <3

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  2. Cara, simplesmente amei! Já tem um tempinho que venho buscando livros para ler, dei uma parada nas minhas leituras e não foi nada legal. Amei sua resenha, amei o título do livro, a capa, a sinopse, tudo! Com certeza vou comprar o mais rápido possível :)

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    1. Ei! Muito obrigada <3 O livro é muito bom e se você curtiu a temática a dica é investir com tudo mesmo. Eu sei bem como é dar uma pausa nas leituras, mas as minhas nunca duram muito hahaha De qualquer forma, assim que ler me conta o que achou, ok? Um beijo <3

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