quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Resenha: O Evangelho de Loki


“Bem, essa aqui não é a Versão Autorizada. É a minha versão dos acontecimentos. E a primeira coisa que você tem que entender sobre essa breve narrativa é que não existe um começo de verdade. Aliás, nem um final; embora, é claro, haja várias versões de ambos. Múltiplos finais e começos, tecidos uns aos outros de tal maneira que ninguém consegue mais separá-los. Finais, começos, profecias, mitos, estórias, lendas e mentiras; tudo faz parte do mesmo tapete, principalmente as últimas, é claro – você sabia que eu diria isso, já que sou Pai e Mãe das Mentiras, mas nesse momento, são tão verdadeiras quanto qualquer coisa que seja vista como história”. 

Sinopse: “Loki é um metamorfo e a mais recente inclusão aos deuses nórdicos nos salões de Asgard. Ele está lá para atender à vontade de Odin e Thor, mas às vezes as coisas dão errado e suas ações são mal interpretadas. Loki definitivamente não merece o apelido de “trapaceiro” e irá explicar por que a quem quiser ler. Este é o Evangelho de Loki, e sua longa e curiosa versão da história está toda aqui: como ele arranjou um pedreiro para reconstruir Asgard; seu casamento com Singyn; o que o colar de ouro de Freia custou à humanidade e, é claro, o belo dia em que Thor se tornou uma linda noiva (ocasião da qual o Deus do Trovão nunca se gabou; por que será?). Enfim, tudo o que Loki quer é ajudar e ser útil – e, se alguém disser o contrário, não acredite!”.

Título: O Evangelho de Loki: A épica história do deus trapaceiro.
Autora: Joanne M. Harris.
Páginas: 336 páginas.
Editora: Bertrand Brasil.
ISBN: 978-85-286-2075-7.


“A maior parte do que conhecemos como história chegou até nós através de um único texto: “A Profecia do Oráculo”. É velho, escrito em uma língua antiga e, por muito tempo, foi basicamente o único conhecimento que tínhamos. Do início ao fim, o Oráculo e o Ancião já tinham tudo planejado entre eles, o que tornou tudo ainda mais irritante assim que descobrimos o que de fato significava que já era tarde demais. Mas chegaremos lá em breve”. 

Algumas Impressões 

          Se tem uma coisa a qual eu sempre gostei de estudar no colégio e sobre a qual eu adoro ler, é mitologia. Passei muito tempo focada em mitologia grega e romana, principalmente por conta das minhas leituras intermináveis das sagas de Percy Jackson, do Rick Riordan. Mas, através deste mesmo autor, passei a pesquisar uma outra mitologia, que acabou se tornando a mais querida: a nórdica. “O Evangelho de Loki”, da autora Joanne M. Harris, traz a história do deus trapaceiro, narrada em primeira pessoa e de uma forma totalmente irreverente e engraçada, afinal, é de Loki que estamos falando. A ideia é que, através de sua Lokabrenna, ele conte sua versão dos fatos, um ponto de vista singular sobre o começo da criação, os descendentes, a formação dos Reinos, o antes e o depois, o início, o meio e o fim de tudo. Não é segredo para ninguém que Loki sempre é rejeitado e/ou vítima dos outros deuses, e que, por estes motivos, acaba se vingando com suas trapaças narradas ao longo da história – ou ele já possui esta característica intrínseca, afinal, ele é um “deus demônio”. Segundo o próprio Loki, no começo de tudo Odin lhe fez uma proposta irrecusável, a promessa de transformá-lo em deus e irmão com apenas uma condição: que ele contestasse a ordem em Asgard. Contudo, enganado pelo Pai de Todos, Loki nunca foi aceito pelos demais deuses, e a história que se segue até o Ragnarök é permeada por vários altos e baixos para o deus trapaceiro. A estrutura narrativa é o principal destaque desta história de pouco mais de trezentas páginas, pois, através das palavras de Loki, nos sentimos em um bate papo com o Pai da Mentira. Além disso, não há muitos diálogos entre os personagens, e todas as descrições são feitas pelo próprio deus, nosso contador de histórias particular – de humor peculiar e muito sarcástico.


“E já que isso aqui não é história, e sim mistério – minha história -, vamos começar comigo, só para variar. Os demais já tiveram a chance de contar suas versões dos eventos. Essa é a minha. Vou chamá-la de Lokabrenna ou, em tradução livre, O Evangelho de Loki. Loki, esse sou eu. Loki, o Portador da Luz, o incompreendido, o esquivo, o belo e modesto herói dessa específica trama de mentiras”.

          Todo este background levantou duas perguntas enquanto eu seguia a leitura: Loki é mesmo um vilão por natureza ou seriam os deuses asgardianos culpados por sua condição vingativa e trapaceira? Os próprios deuses são os culpados pelo declínio de Asgard rumo ao Ragnarök? Loki sempre foi um personagem mitológico que me interessou, e por mais que os mitos e contos o retratem como um vilão irredutível, no fundo acredito que o preconceito dos deuses afeta mais suas ações do que sua própria natureza. O enredo começa com Loki apresentando os personagens que o leitor encontrará ao longo das páginas, em descrições cheias de gracinhas e muito divertidas. Ha, e ao contrário do que se pode pensar, suas descrições são muito reais, fazendo jus aos demais atores desta trama mitológica, tanto os deuses “Populares” quanto os demais que ele julga “não tão importantes assim”. Loki, deus demônio, agente do Caos, deus do fogo... estes são apenas alguns de seus títulos, e mais do que o suficiente para que ele sofra com a opressão dos demais asgardianos, mesmo sob a “proteção” de Odin. Desde o início sentindo que não era bem-vindo em Asgard, aos poucos Loki vai construindo sua personalidade, tornando-se o sinônimo do caos, das mentiras, da trapaça e das malandragens. Com isso, todas as desgraças e infelicidades dos deuses passam a recair sobre ele, como sua responsabilidade, afinal, eles o culpam de tudo – e por unanimidade. Com esta trama, seu objetivo é contar seus pensamentos acerca dos acontecimentos – da criação dos Mundos até o Ragnarök, o fim do mundo -, e mostrar sua (quase) inocência sobre tudo o que aconteceu. Em uma versão não autorizada, ou seja, que contraria a versão do Oráculo, ele nos apresenta o poder das histórias, das lendas e claro, de suas mentiras. Uma leitura mais do que recomendada, principalmente se você gosta de uma boa – e bem contada - história.




Sobre o Grupo Editorial Record

Uma empresa 100% nacional: o maior conglomerado editorial da América Latina fala português. Com onze perfis diferenciados — Record, Bertrand Brasil, José Olympio, Civilização Brasileira, Rosa dos Tempos, Nova Era, Difel, BestSeller, Edições BestBolso, Galera e Galerinha — o objetivo é sempre trazer o que há de melhor para o leitor brasileiro.


4 comentários:

  1. Gente, que demais esse livro. Vou coloca-lo na minha lista.
    Não acredito que não conhecia teu blog, achei tão amor.

    Blog.
    Facebook.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ele é muito bacana e irreverente, eu curti! Obrigada <3 Um beijo :*

      Excluir
  2. Pera, primeiro... Eles falam da Singyn!*-* (aqui na finlândia o y é pronunciado como um "ú" mas o país não é considerado nórdico - só escandinavo- então nunca saberei se é certo pronunciar com o y daqui D:)
    Cara, recriando o Loki como um metamorfo serviçal! Esse evangelho merece ser lido por mim @_@
    A Bela, não a Fera blog | A Bela, não a Fera Youtube | Converse comigo no Twitter!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. SIM! Eu adorei esse livro e a forma como ele aborda a mitologia nórdica. Simplesmente sensacional. E o Loki é tão amado e odiado ao mesmo tempo por mim que eu leio tudo que cita o nome dele Hahahahaha <3 Um beijo!

      Excluir