quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Flash Tattoo Day: Gabz Ink & Uh Lalah


       Logo que uma pessoa completa seus dezoito anos de vida existem duas coisas que os famigerados "tios e tias do pavê" (quase) sempre falam: "já pode ser preso hein?!"; e "Já dá para fazer uma tatuagem" - além dos clássicos "E os namoradinhos?", "Vai casar quando?". Vai me dizer que não? Eu já perdi a conta de quantas vezes fiz pesquisas de referências e me preparei psicologicamente para finalmente fazer uma tatuagem - coisa que eu acabo nunca fazendo. E, ao contrário de muitos casos por aí, não é por proibição religiosa ou familiar, afinal, a minha mãe tinha sete espalhadas pelo corpo. Acho que a verdade verdadeira é que me falta coragem, principalmente pelo fato de eu ser extremamente alérgica e morrer de medo de dar alguma reação, acrescida à minha indecisão quanto ao que de fato tatuar (afinal, é algo permanente né migos). Historicamente, as tatuagens já foram usadas tanto para identificar criminosos quanto para enfeitar os poderosos. Elas também marcavam tribos, auxiliando a afugentar inimigos, além de demonstrarem preferências e também esconderem imperfeições. Mal vista por sociedades e perseguida ao longo da história, como no século VIII, quando foi banida por um decreto papal, e na Nova York do século XX, hoje, quase quatro mil anos após os primeiros registros históricos, o que não mudou quase nada foi a técnica, ou seja, a forma como a tinta é aplicada na pele – e eu duvido que você nunca tenha pensado sequer uma vez em fazer uma.

 
 

           Entre 2160 e 1994 antes de Cristo, há registros de múmias de mulheres egípcias marcadas com traços e inscrições na região do abdome, e, há mais de 2.400 anos, várias múmias encontradas nas montanhas de Altais, na Sibéria, apresentaram ombros tatuados com animais, tanto reais quanto mitológicos. No período dos anos de 509 e 27 a.C. os imperadores romanos determinaram que criminosos e escravos fossem tatuados, para não serem confundidos com súditos mais bem afortunados. A história está repleta de casos onde as tatuagens foram usadas como forma de representação, como nos séculos XV e XVII, onde, como forma de evitar ter de rezar para Alá durante a invasão da Bósnia e Herzegovina pelos turcos otomanos, os católicos tatuaram cruzes; ou durante a Segunda Guerra Mundial, onde os nazistas tatuavam um número de série nos judeus para identificá-los como prisioneiros nos campos de concentração. Em alguns lugares, como na Polinésia, marcar o corpo com tinta faz parte da tradição local, e, entre 1831 e 1836, Charles Darwin registrou que a maioria dos povos do planeta conhecia ou utilizavam algum tipo de tatuagem. A máquina utilizada para tatuar - uma adaptação de uma invenção de Thomas Edison -, foi patenteada pelo americano Samuel O’ Reilly em 1891, e, em 1959, chega ao Brasil o primeiro tatuador profissional a atuar por aqui, o dinamarquês Knud Gegersen. De lá para cá, o mercado só cresceu, ganhando milhares de adeptos, tanto profissionais quanto amantes desta arte marcada na pele. Atualmente, existem feiras especializadas e diversas revistas totalmente dedicadas ao assunto, e até mesmo recordes no Guinness Book, como o do homem mais tatuado do mundo (clique para ver) e o da sessão de tatuagem mais longa já registrada (clique para ver).

 

          A tatuadora Gabriela AC fez cinco tatuagens de uma só vez logo que completou seus dezoito anos, mas nem sempre trabalhou com isso, muito pelo contrário. Formada em Direito, atuava na área até descobrir uma Diabetes, coisa que mudou sua rotina e a fez pensar sobre a fragilidade da vida. Em meio ao tratamento, decidiu deixar tudo o que fazia de lado para investir em algo que realmente gostava: tatuar. Conhecida como Gabz Ink (clique para acessar a página), ela atua na área há dez meses, com desenhos originais (e maravilhosos) voltados principalmente para as técnicas de pontilhismo e aquarela. Morando em Belo Horizonte, no último dia doze veio à cidade de Governador Valadares para realizar em parceria com a loja Uh Lalah, um Flash Tattoo Day só para meninas, onde era só chegar, escolher o desenho e mandar para a pele. Nas palavras de Gabz, foi “1 dia memorável, 12 tatuagens, 9 manas rabiscadas e 2147984 historias pra lembrar e sorrir”. Nathália Santos (amiga minha e leitora quase compulsiva do Fleur) demorou a tomar coragem, e só no finalzinho do dia finalmente escolheu a ilustra que viria a ser sua primeira tattoo. Ela estava com receio de dar alguma reação alérgica, mas no fim não resistiu e fez um coraçãozinho lindo no braço. "Foi uma experiência muito legal, porque, tudo o que eu tinha na minha cabeça sobre tatuagem era que doía, mas foi super tranquilo. E é uma sensação que dá vontade de fazer de novo, além do fato de que a Gabz sabe desenhar muito bem", revelou. Confesso que eu quase tomei coragem amigos. Já tinha até escolhido o desenho - um tsuru de origami lindo -, mas nos quarenta e cinco do segundo tempo desisti por medo de dar alguma reação, porque eu sou a pessoa mais alérgica desse planeta. Fica para a próxima galera, depois de uma visita ao meu alergista (#chatiada).   
 
 

          No ar desde fevereiro de 2013 e com foco no comércio online, a loja Uh Lalah abriu as portas de seu espaço físico para a realização do “dia de tattoo das minas”. Larissa Jacob, criadora da loja, conta que desde o começo o objetivo era oferecer peças criativas, com estampas e padrões difíceis de encontrar nas lojas físicas. Larissa, que é formada em Design Gráfico, conta que sempre recorreu ao comércio online, e foi daí que surgiu o desejo de montar sua própria loja, com peças criadas por ela. “O objetivo sempre foi trazer produtos diferenciados, que eu considerava alternativos e não encontrava com facilidade. Eu sempre recorri ao comércio online, e aí eu decidi porque não começar a criar as minhas peças e fazer o que eu gosto e trazer isso para as pessoas?”, conta. E o sucesso foi tanto que chamou a atenção da blogueira e colunista da revista Capricho, Karol Pinheiro, que procurou a Uh Lalah para a confecção de uma coleção exclusiva para o lançamento de seu livro pela Verus Editora, “As coisas mais legais do mundo”. “Nós já tínhamos uma parceria, onde sempre enviávamos itens da loja para a Karol divulgar nos recebidos e looks do dia. E a receptividade sempre foi boa e deu um bom retorno para a loja. Então ela veio com a ideia de lançar o livro, e queria muito fazer algo para dar de presente para outras blogueiras e influenciadores, então a assessoria dela sugeriu que fossem feitas estampas de camisetas inspiradas no livro, que foi quando eles me procuraram”, revela Larissa. E essa parceria deu certo! A coleção, que estava programada para ficar apenas um mês no ar, acabou ficando por dois meses e quinze dias, com prazo para compra até amanhã, 15 de setembro, com entrega para todo o Brasil (clique para acessar a loja), tudo graças ao retorno positivo do público. Ainda segundo a designer, “eles trouxeram as ideias, e a loja entrou com toda a parte de fabricação das peças. Nós mostramos todas as possibilidades de estampa e opções de modelagem, e fomos organizando como eles queriam, trabalhando juntos essas ideias”.



       Eu já conhecia a loja online, mas ainda não tinha ido até o espaço físico fazer uma visita, e ele é lindo demais! (Já saí de lá cheia de ideias de decoração para tentar no Home Office). Tirando o fato de que eu estava praticamente decidida a finalmente fazer uma tatuagem e não fiz, o evento foi incrível, e admiro a coragem das meninas que fizeram mais de uma! Não que seja uma sessão de tortura nem nada, mas existem lugares que ficam extremamente doloridos. Diferentemente de outras postagens que já publiquei por aqui, tentei trazer um pouco mais da minha formação para esta, com um formato jornalístico e entrevistas em vídeo com aquela pegada de vlog. O Fleur está entrando em um período de mudanças, afinal, são quase três anos de blog e cada vez mais pessoas acreditando neste projeto, então mudar para melhorar é necessário, não é mesmo? Vêm muitas novidades por aí! E aí, curtiu este formato de postagem? Criou coragem e mandou pra pele aquela ideia que estava no papel há muito tempo? Quer fazer uma tatuagem? Conta aí nos comentários!

10 comentários:

  1. Ahhhh adorei o post! Amo tatuagens, fiz duas nessa última segunda, tenho 7 (ainda) no total, penso em fazer um post sobre minhas tattoos, pois são muitas histórias pra contar, como disse a tatuadora hahaha. Parabéns pela postagem, aprendi muita coisa sobre tattoo que não sabia! Beijos!

    http://www.aastronautademarmore.com

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    1. Obrigada <3 <3 Eu também gosto bastante, e já fiz inúmeras pesquisas de referência. Tenho uma indecisão danada quanto ao desenho, mas o tsuru era tão lindo <3 Se fizer a postagem me manda! Quero ver suas tattoos! Obrigada <3 Eu mesma não sabia de quase nada sobre e foi ótimo pesquisar! Um beijo : *

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  2. Morro de medo de ter alergia também, acredita? Qualquer coisa já fico com alergia aiuheihue, até do sol. É complicado. Mas é tão bacana conhecer esse outro lado de quem faz e de quem opta por rabiscar em si mesmo. Deveria ter escolhido e arriscado, às vezes é disso que surgem histórias incríveis rs. Gostei demais do post ♥

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    1. Nem me fale, eu entendo bem a sua dor, principalmente em relação ao sol que me enche de bolinhas vermelhas! Eu queria muito fazer uma tattoo, mas a indecisão somada às alergias e ocasionalmente à falta de coragem acaba sempre me impedindo KKKK Obrigada <3 Pois é, depois eu pensei nisso mesmo, mas fica para a próxima! Um beijo : *

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  3. Amo essas lojas com produtos diferenciados que fogem do tradicional! Também sou louca para fazer tatuagem, não tiro essa ideia da cabeça desde 2015, quando comecei a considerar a hipótese real de tatuar algo... já tenho tantas ideias, mas sempre me bate aquele medinho. Quero superar essa insegurança e passar por essa experiência quem sabe ainda esse ano hahaha Beijos! Colorindo Nuvens

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    1. Eu também amo! E é realmente complicado encontrar estampas bacanas e diferenciadas em lojas físicas - e até em algumas online -, principalmente por um preço bacana, onde você não tem que deixar nenhum órgão lá para pagar o frete (ou o preço da roupa mesmo). Eu fico só pesquisando e tentando decidir o desenho, mas acabo nunca fazendo a tattoo! Eu não sei se rola ainda esse ano, mas estou com você no clube que quer superar todos os obstáculos e tatuar de uma vez KKKK Um beijo : *

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  4. Sonho em ter as "Relíquias da Morte" no pulso. Um dia...

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    1. Oremos, porque eu já imaginei mil tatuagens diferentes de Harry Potter espalhadas por lugares diversos e ainda não decidi nada. E aí eu fico querendo uma de Star Wars também, e de O Senhor dos Anéis, e de leitura em geral... Se continuar desse jeito e eu tiver jeito e verba eu vou virar um álbum de figurinhas ambulante quando finalmente tomar coragem e mandar tudo pra pele KKKKKK Um beijo :*

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  5. Lett's haha! Adorei saber um pouco mais sobre tatuagem. Já tenho algumas e, confesso, além da conhecida associação com criminosos, não fazia ideia do que mais faz parte dessa história. Apesar de não estar planejando nenhuma outra tatuagem por agora - pelo simples fato de não ter ideia do que fazer - fiquei feliz em saber que a Gabriela atua aqui em BH, principalmente porque não tinha referências da galera da aquarela por aqui. Ainda nisso, estou torcendo pro seu alergista dar uma luz, solução, o que for, pra você finalmente se sentir mais à vontade pra fazer seu primeiro rabisco!

    Quanto à loja, já tinha visto, mas acho que não dei a devida atenção. Tô correndo pra página :)

    Yellow Ever Shine

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    1. É muito legal né? A história é demais, e pensar que já foi proibido. A Gabz é ótima e você não vai se arrepender se fizer alguma com ela pq os desenhos são lindos ♡♡♡ obrigada! Um beijo :*

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