quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Sobre Viajar (Mas de Ônibus)


     Quem não gosta de viajar? Conhecer novos lugares ou revisitar os antigos, admirar a paisagem (muitas vezes composta de nada mais do que mato) ou escutar a pessoa ao lado roncar o caminho inteiro... A ansiedade por chegar logo ao destino, o planejamento, as novas e antigas amizades. Seja a trabalho ou a passeio, costuma ser bom. 
      Mas, definitivamente, isso não se aplica a viajar de ônibus. Um fato complicado, já que este costuma ser meu meio de transporte padrão. Eu ainda não dirijo, e nem sempre viajo com minha família. De bicicleta não daria pé (definitivamente). Não que o meio não seja seguro, mas dentre os problemas que tenho com eles (os ônibus), ser cansativo é o de menos.
      Durante os meus dezenove anos vividos já passei por várias situações – comuns e incomuns – viajando de ônibus. Crianças chorando, pessoas passando mal, algumas conversando (alto) a viagem inteira e outras que conversam comigo (alto e mesmo sem respostas coerentes) a viagem inteira. Além é claro daquelas que comem o caminho inteiro (salgadinhos com cheiro de chulé, doces, marmitas e – veja bem – até  frango assado com farofa já vi) ou que são tão espaçosas a ponto de ocupar o lugar delas e o meu.


     Há quem coloque as malas de qualquer forma no bagageiro, o que significa que inevitavelmente elas vão cair em alguém (vulgo você). E aquelas viagens em que você tem de descer do ônibus no meio do nada e esperar durante horas por outro, porque o que você estava viajando acaba de quebrar (e na chuva). Entrar no ônibus errado na volta da parada, perambular pelas rodoviárias dos lugares (ainda) desconhecidos. Esperar aquela nave espacial (por que pelo preço da passagem...) e acabar viajando doze horas na "carroça da família Buscapé".
     Partir para novos rumos parece ser algo bom, mas deixar quem amamos nos faz ter vontade de retornar sempre para um determinado lugar. Acredito que o medo das idas e a felicidade das voltas define aquilo que acabamos chamando de lar, de casa. Algo que nos identifica, e de alguma forma nos torna quem somos, de onde viemos e (possivelmente) para onde vamos. 
    As situações são muitas, e apesar dos pesares, acaba sendo divertido. Mas, dos males nada se compara aos benditos parafusos nas janelas. Alguém pode me dizer de quem foi a brilhante ideia de fazer isso? 

Observação: Esta crônica foi escrita em um ônibus, durante uma viagem na poltrona dezenove. Na cinco havia uma senhora conversando. Na vinte e três um bebê. E na vinte, bem, uma mulher, sua farofa e um frango assado.

Imagens retiradas do Google.

8 comentários:

  1. Adorei a crônica! Eu adoro andar de ônibus (quando não tenho horário certo para chegar em algum lugar e quando posso ir sentada). Mas viagem mesmo só fiz o percurso São Paulo - Baixada Santista. O que é uma benção, porque a diferença de altitude e os túneis de deixam surda e você não se incomoda com o bebê chorando, a comadre matraqueando ou com alguma senhora desocupada tentando puxar assunto rs.
    Mas com esse lance de passar mal, já me ferrei. Em uma excursão da escola uma aluna devolveu seu lanchinho no chão do ônibus. Uma menina não viu e escorregou. Caiu de costas na meleca, o que fez o cheiro se espalhar ainda mais. T_T

    E adoro ver o mato passar :p

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    1. Obrigada! Estou a tempos tentando publicar este texto! Já eu viajo bastante de ônibus, pois vou direto para minha cidade visitar meus parentes. E sempre é a mesma coisa, os mesmos clichês de sempre (pessoas passando mal, comendo, conversando...).
      Nestas férias eu fui, mas quem passou mal fui eu. Tenho pavor daquelas janelas parafusadas! Dá um pânico danado KKKKK E apesar de ter falado sobre o mato, eu também adoro ver ele passar! (E fico tentando tirar fotos dos lugares mais legais).

      Um beijo!

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  2. Amei! E as ilustrações deram um charme a mais pra crônica. Confesso que ri no fim. Pra que levar frango assado com farofa em um viagem de ônibus, minha gente? Hahaha

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    1. Obrigada Lia! Pois acredite, as pessoas carregam de tudo dentro de um ônibus, ainda mais se é para um lugar consideravelmente distante. KKKKKK : *

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  3. :D Eu não gosto de onibus.. nem na cidade, pior ainda para viajar!

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    1. Pois é, eu também não gosto muito não. Quando vou a algum lugar na cidade faço de tudo pra ir de bicicleta, mas os roubos aqui são frequentes, então tenho que ir de ônibus. E pra viajar não tem outro jeito (pelo menos pros lugares que vou). .-.

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  4. Que lindo texto! Sou apaixonada por crônicas Letícia e de quebra, adoro viajar e observar o que está ao meu redor. E aqui lendo a sua crônica fiquei simplesmente encantada com suas percepções e com as entrelinhas do texto que são intrigantes e muito interessantes ao mesmo tempo!

    Acho que virei fã! ;)
    Um beijo lindo para ti e que venham muitas inspirações neste ano de 2015!

    www.pensamentosvalemouro.com.br

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    1. Ei! Muito obrigada Vanessa :D Eu gosto muito de escrever, e o trabalho e a faculdade tem contribuído com isso. Fico muito feliz que tenha gostado! E espero que volte sempre aqui. Um beijo : *

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